Colunistas

Publicado: Segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Canguru, o Fusca rallyzeiro

Crédito: Rodrigo Tomba Canguru, o Fusca rallyzeiro
Todo carro merece uma coluna, já diz o jornalista-piloto Flávio Gomes. Ao meu, estava devendo.
 
Antes de mais nada, permita-me apresentar-lhe. Com vocês, Canguru. Um Fusca 1971, carburação simples, motor 1500. Leva esse nome porque “pula muito”, segundo a inocência de uma criança que o batizou.
 
O besourinho é meu companheiro leal já há alguns anos. E semanas atrás provou isso mais uma vez, participando com galhardia de uma prova automobilística. Estivemos – ele, eu e Denise, a namorada-navegadora – no Rally Mega Cidadão, um senhor evento que foi realizado pela oitava vez em Itu.
 
Em 4 horas, 23 minutos e 27 segundos de prova, a maior parte do tempo por estradas da zona rural, o Canguru provou sua eficiência como carro de competição. Não que eu duvidasse da sua capacidade, pois ele já me levou a rincões por várias vezes, algumas delas até mesmo fora do Estado. Mas uma coisa é encarar as estradas por aí e outra bem diferente é competir para valer numa prova.
 
Canguru se saiu bem demais. Bem melhor até do que piloto e navegadora, que erraram uma parte do trecho e foram penalizados em 2 mil pontos. Uma pena, pois isso valeu a chance de estar entre os 20 primeiros colocados. Com 2.275 pontos perdidos, chegamos em 68° de 150 carros. Tivéssemos ficado na casa dos 275 pontos perdidos, seríamos um dos 20 primeiros. Mas deixe estar, que a experiência foi adquirida e será usada na próxima vez.
 
Único Fusca a participar do Rally, ele obviamente chamou a atenção. Era olhado com carinho por aqueles que conhecem e admiram um bom carro, seja ele novo ou antigo. Era assunto nas rodinhas depois da chegada, até porque a segunda metade da prova foi feita de maneira impecável. Passamos nos Postos de Controle quase que no tempo exato determinado pela planilha. E sem dispor do hodômetro, que travou quando a prova tinha apenas 15 km.
 
Ali, em meio a carros quase zero quilômetro, caminhonetes possantes, picapes e jipes, o Canguru se impôs sem esforço. Podia não ter o melhor motor, o ar-condicionado, os pneus largos. Mas era um Fusca e isso basta. Nenhum outro carro conseguiu virar personagem e assunto nas rodas. Nenhum outro carro foi comentado como se fora um ser humano. Só o Canguru.
 
Estava devendo esta homenagem ao meu amigo, que tantas alegrias me deu. Agora, além de ser o carro onde pedi a mulher da minha vida em namoro, o Canguru é o mais novo competidor de rallys. E em breve será o mais novo campeão.
Comentários