Boato: sintoma da falta de comunicação
Diretores de empresa, gerentes e qualquer outro profissional em cargos de chefia em organizações, entidades e partidos políticos tendem a apontar o dedo e sempre achar culpados quando o assunto é boataria que se espalha sem controle pelo universo empresarial.
Sanduíches feitos com carne de minhoca; trabalhadores semi-escravizados; dia a dia de trabalho filmado 24h por câmeras, inclusive nos banheiros; desvio de verbas. Certamente, você já ouviu ou leu sobre alguns desses fatos. Porém, muitos deles nunca acabaram sendo comprovados, mas deixaram rastros (danosos) para trás.
A imagem empresarial, isto é, a forma como a empresa é vista pela sociedade, mídia e público-alvo é o maior patrimônio de uma instituição e está ligada a tudo o que se refere a sucesso: venda de produtos, ações e engajamento dos funcionários (nojentamente chamados por algumas empresas de colaboradores).
Acontece que boatos normalmente atingem diretamente o coração da empresa moderna: sua imagem, janela pela qual ela é vista neste mundo tomado pela multimídia e just in time.
E é imensamente mais fácil criticar profissionais de comunicação pela proliferação de boatos do que evitá-los. E olha que ferramentas não faltam para isso. Aqui vão algumas:
1. Boatos só se multiplicam em locais em que há vácuo de informação. Isto é, eles (boatos) se proliferam porque a empresa, ONG, partido ou pessoa física preferiu se calar, relevar a comunicação, do que oferecer explicações e se mostrar à sociedade.
2. Atualmente, todas as empresas e personalidades estão mais suscetíveis à boataria. A internet e seus aplicativos se tornaram um terreno fértil para a divulgação de notícias positivas e negativas. Uma crítica ou denúncia feita contra uma empresa e postada no twitter, facebook ou blog ganha dimensões estratosféricas. Se a empresa já não possuir uma cultura de comunicação, um plano que preveja essas possíveis crises e ferramentas eficazes de comunicação na rede, acabará sucumbindo facilmente – quando detectar o problema, já será tarde!
3. Pior de tudo é que, mesmo diante de crises geradas pela boataria, a maioria das empresas permanece na inércia. Culpam tudo e todos, menos a opção de não se investir em comunicação. Se sua organização possui um site, blog ou facebook, eles devem ser constantemente vigiados e divulgar informações de forma estratégica e integrada com os projetos da empresa.
4. Quem tem uma boa imagem, tem um patrimônio e “gordura” pra queimar. Dois exemplos: TAM e Ronaldo. Mesmo diante de crises verdadeiras (os acidentes de avião e os travestis/excesso de peso não eram boatos), ainda gozam de muito prestígio. Por quê? Porque construíram uma imagem positiva. Tinham mais pontos positivos do que negativos, o que lhes dava o “direito” de errar. Sem a comunicação, sem a divulgação dos pontos positivos, dificilmente a formação de uma boa imagem acontecerá.
5. Se você quer prevenir boatos, comece agora. Um plano profissional de comunicação servirá como escudo não para omitir informações, mas sim para assegurar que elas cheguem ao público corretamente, e, principalmente, para criar canais de feedback fundamentais para que haja transparência nessa comunicação.
6. Por fim, vale a pena ter a mídia como aliada. Por “aliada”, entenda-se ter uma mídia bem informada e jornalistas tratados com profissionalismo, não jabá. Jornalistas bem munidos de informação, que notam uma comunicação transparente nas empresas, certamente procurarão o setor de comunicação da organização para ouvir o “outro lado” ou conferir se uma informação é verdadeira ou não.