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Publicado: Quarta-feira, 5 de março de 2008

A Força da Mulher

Homens e mulheres. Muitas semelhanças e muitas diferenças...
 
Deus criou o homem e viu que não era bom ele estar só. Então criou a mulher, concebendo-a como sua companheira ideal; para compartilhar e completar a sua vida e, é claro, usufruir também ela dessa relação. Cada metade, diferente no físico, na psicologia, na mente e no coração, veio para somar, formar casal.
 
Mas infelizmente, as coisas não seguiram o projeto de Deus. Uma desigualdade histórica instalou-se entre o homem e a mulher e, vergonhosamente, ela vem sendo tratada sem o devido valor e consideração em muitas culturas e por muito tempo. Resolveu reagir. A luta da mulher pela sua libertação nunca deveria ser entendida como libertação do subjugo masculino mas acabou sendo, até por culpa da sociedade, que por muito tempo discriminou, oprimiu, desvalorizou, diminuiu sua importância e não reconheceu seu importante papel como companheira, esposa, mãe, dona de casa... A mulher quis igualar-se ao homem. Foi buscar seu reconhecimento lá fora... Cansou-se de ser “amélia”.
 
A luta da mulher tem razão de ser, mas transformou-se em revolta, vingança, e não propriamente numa luta pela sua dignidade, pela sua valorização como mulher; essa “luta” foi aproveitada pelo sistema, que empurrou a mulher para o extremo oposto. Ela mudou suas atribuições, seu papel na sociedade, no lar.
 
Disputar os mesmos espaços não parece algo muito inteligente porque, pela própria natureza das coisas, há tarefas mais adaptadas às mulheres e outras mais adaptadas aos homens, se respeitarmos as características orgânicas, físicas, emocionais e sentimentais de ambos.
 
A sociedade cobra que a mulher tenha uma participação ativa, mas está em débito com ela porque não a apoiou no seu papel acumulativo de esposa, de mãe, de educadora dos filhos, de administradora do lar, de dona-de-casa. Trabalho difícil, mas fundamental, gratificante, realizador. Para São Josemaria Escrivá: “Desenvolvimento, maturidade, emancipação da mulher, não devem significar uma pretensão de igualdade - de uniformidade - com o homem, uma imitação do modo de atuar masculino: isso seria um logro, seria uma perda para a mulher; [...] Para cumprir essa missão, a mulher tem de desenvolver sua própria personalidade, sem se deixar levar por um ingênuo espírito de imitação que - em geral - a situaria facilmente num plano de inferioridade, impedindo-lhe a realização das suas possibilidades mais originais.”
 
O mundo capitalista ganhou muita mão-de-obra de qualidade. Em contrapartida os homens, as crianças e o próprio lar perderam uma esposa dedicada, a mãe presente, uma administradora eficiente. E agora a mulher precisa encontrar substitutas para delegar suas tarefas: as babás, as escolinhas, as empregadas... Só não pode delegar as responsabilidades e as preocupações com os resultados...
 
Como fazer: ser só profissional? só dona de casa? ou um pouco de tudo? A última opção, mais complexa e mais difícil, é a única que atenderia “gregos e troianos”. A propósito, São Josemaria alerta: “No plano pessoal, também não se pode afirmar unilateralmente que a mulher só fora do lar alcança sua perfeição, como se o tempo dedicado à família fosse um tempo roubado ao desenvolvimento e à maturidade da sua personalidade.” Ainda segundo ele: “A atenção prestada à família será sempre para a mulher a sua maior dignidade”, e completa seu pensamento: “... isso não se opõe à participação em outros aspectos da vida social e mesmo da política, por exemplo. É claro que tanto a família quanto a sociedade necessitam dessa contribuição especial, que não é de modo algum secundária.” 
 
É preciso que a sociedade crie mecanismos legais e trabalhistas que amparem a mulher como mãe, dona-de-casa e profissional. Novos regimes de trabalho que consigam adequar tudo isso são urgentes. Num raio de esperança, parece que alguns países começam a rever o papel da mulher como um todo. Deus queira!
 
É preciso que a sociedade volte a revalorizar os papéis da mulher dentro do lar: quanto custa a creche ou uma boa babá que esteja à altura de cuidar dos filhos, dons preciosos? Quanto custa cuidar das roupas e da casa? A mulher merece “ganhar” por tudo isso e, sem dúvida, seu melhor salário será sua valorização, que deverá vir do marido e dos filhos. Sem isso, será difícil termos as “amélias” de volta.
 
É preciso que homens e mulheres se entendam e, juntos, se defendam de uma sociedade mal-intencionada. Não podemos ficar à mercê da lógica de mercado, da lei do mais forte; não podemos permitir que a mulher seja depreciada, mas que seja respeitada em sua integridade. Isso é algo que, como bem diz Bosco Aguirre: “interessa não somente às mulheres, mas sim a todos os homens que queremos viver, de igual para igual, com aquelas que junto a nós, e não contra nós, podem construir um mundo mais humano e mais feliz.”
 
É inquestionável que “A mulher está destinada a levar à família, à sociedade civil, à Igreja, algo de característico, que lhe é próprio e que só ela pode dar: sua delicada ternura, sua generosidade incansável, seu amor pelo concreto, sua agudeza de engenho, sua capacidade de intuição, sua piedade profunda e simples, sua tenacidade... A feminilidade não é autêntica se não reconhece a formosura dessa contribuição insubstituível, e se não a insere na própria vida.” (São Josemaria)
 
Parabéns às mulheres e que elas consigam encontrar, todos os dias, força e apoio para desempenhar seu importante papel.
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