A emoção de virar um rallyzeiro
São quase 9h do dia 17 de dezembro. Cerca de 360 pessoas estão reunidas em Itu, a cidade onde tudo é grande. Os carros já estão todos adesivados esperando a largada e os competidores ainda não conhecem o percurso que terão de fazer em poucos minutos. As camisetas verdes se destacam embaixo da maior árvore de Natal do mundo, onde ocorre a largada. A cidade dos exageros sedia pela quinta vez consecutiva, desde 2001, o Rally Mega Cidadão, considerado o maior evento beneficente do Estado de São Paulo.
A emoção é grande, a maioria vai participar de um rally pela primeira vez. Dos 122 carros inscritos, apenas 13 levam são considerados profissionais, o restante é turista querendo diversão e emoção. Embora a prova seja um rally de regularidade e não de velocidade, as equipes estão ansiosas. Cada uma é formada por um piloto, um navegador e um Zequinha, o acompanhante que apenas se diverte durante a prova.
Quem participa pela primeira vez experimenta um misto de receio e euforia. O percurso, feito quase que exclusivamente por estradas de terra e mato, dá um clima de mistério nas equipes. Os carros começam a sair em prestações, cada equipe recebe um guia com as charadas e os desafios, e logo o estacionamento do shopping volta ao normal. A partir desse momento, é nas estradas de Itu, Mairinque e Cabreúva que os carros vão se perder tentando encontrar a chegada.
Corollas, celtas, caminhonetes e fuscas se misturam nas estradas com cautela, pois ninguém quer fugir do tempo previsto pelos realizadores da prova. A vantagem de um rally de regularidade é que ele não valoriza a corrida e sim a capacidade dos participantes em terminar a prova, cometendo o mínimo de erros possíveis. Todos os rallyzeiros Mega Cidadão sabem que tanto os atrasados como os adiantados perdem pontos. A solução é ser pontual.
Ao todo, foram quase cinco horas dentro do carro, passando pela Serra do Japi, por fazendas e estradas onde um carro é coisa rara. Quem se perdeu, demorou mais para chegar ao ponto final, localizado num condomínio em Cabreúva, onde um churrasco esperava os rallyzeiros. As pessoas chegavam rindo de seus atrasos, festejando a chegada e sacudindo a poeira acumulada durante os quase 150 km de prova. Quem visse de fora, não diria que era uma competição e sim uma confraternização de final de ano. E de certa forma era mesmo.
Os que, naquele sábado, viraram rallyzeiros, pretendem voltar. Nem tanto para buscar o primeiro lugar, mas por dois motivos especiais. Primeiro: o Rally Mega Cidadão é o maior evento beneficente do Estado, além da diversão ele ajuda 20 entidades sociais de Itu, Sorocaba, Indaiatuba e Salto. Só nesta 5a edição, o evento arrecadou 30 toneladas de alimentos, um verdadeiro recorde para a solidariedade. Segundo: o fato de completar uma prova cheia de charadas e surpresas já é um troféu que o tempo não consegue apagar. Se for possível ganhar um troféu desse todos os anos, melhor ainda.