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Publicado: Domingo, 4 de outubro de 2009

A batida de Piquet e a decisão do título

A temporada 2009 da F1 entra na fase final, com 3 pilotos decidindo o título nas 2 últimas provas. Foi uma temporada interessante, com vários pilotos vencendo, com boas disputas, equipes diferentes lá na parte de cima da tabela...

Infelizmente, o episódio da batida do Nelsinho Piquet virou o centro das notícias no mês passado.

Primeiro, manchou aquela que considero a temporada mais bacana dos últimos anos, a de 2008. E, de certa forma, foi negativa para esta de 2009, por toda repercussão.

A batida de Piquet

O caso rendeu muitas especulações. Pelo menos, a FIA fez uma investigação séria e colocou as coisas em pratos “limpos” (ou menos sujos).

Após as investigações e uma grande reunião na sede da FIA, as sentenças surgiram, mas a coisa já estava encaminhada para a pizza: Nelsinho contava com a delação premiada! Pat Symonds (chefe de Engenharia) e Flavio Briatore saíram da equipe na hora certinha de diminuir a confusão... Fernando Alonso alegou que não sabia de nada e a Renault já vinha mostrando que não queria briga, dizendo que aceitaria qualquer decisão.

Daí, sobrou só para Briatore e Symonds. Pat Symonds foi impedido de trabalhar com a F1 e em qualquer evento relacionado com a FIA, por 5 anos. No documento emitido pela FIA, as palavras foram praticamente as mesmas direcionadas para Briatore, mas sem a menção dos 5 anos. Ou seja, Briatore está banido do esporte! Embora todo mundo saiba que “palavras definitivas” na Fórmula 1 não existam!!! Deveriam existir.

A Renault pegou 2 anos de suspensão, com a chamada “sursis”, o que significa dizer que só cumprirá a punição caso cometa alguma outra infração. Na prática, a equipe saiu “lisinha”, mas é sempre assim, como no caso da espionagem da McLaren de 2 anos atrás, quando o time inglês pagou uma multa e foi só.

Para os pilotos, nenhum puxão de orelha. Nelsinho ficou imune por que colaborou com as investigações. E Alonso ainda ganhou agradecimentos (!!) por ter comparecido na reunião.

Alonso sempre poderá alegar inocência, embora seria o caso de se questionar por que ele partiu para uma tática de reabastecimento que só daria certo se alguém batesse. Ele tinha uma bola de cristal ou acertou na loteria!! Sorte dele que a F1 perdoa campeões...

Nelsinho Piquet terá sua imagem comprometida para sempre e dificilmente voltará para a categoria. Primeiro, ele não deveria ter entrado nessa, foi uma atitude horrível. Depois, ele e o pai poderiam ter falado do esquema logo depois da corrida, não agora!

Briatore e Symonds perderam? Só se for pelo fato de saírem pela porta dos fundos, por que de resto, duvido que estejam chorando. Estão contando dinheiro e pensando se vão investir em outro negócio ou se vão sair de férias.

E tudo logo, logo será esquecido. Claro que isso não acontece só na F1... qualquer esporte que envolva muito dinheiro está sujeito a maracutaias... futebol, boxe, turfe e outros! O triste é que punições de verdade são raras!

Muita gente anda falando que a punição poderia forte por se tratar de uma batida, um risco grande. Concordo! O lamentável é que o histórico da categoria é péssimo! 

O Schumacher bateu de propósito no Hill em 94, não aprendeu e repetiu a manobra pra cima do Villeneuve em 97. Prost bateu em Senna em 89 e no ano seguinte o brasileiro devolveu a “gentileza” batendo no francês! Bom, pelo menos o Nelsinho bateu sozinho, que maravilha! Em que ponto chegamos?

Para terminar: as batidas acima foram manobras que todos viram. Mas é fácil imaginar que devem ter existido inúmeras outras sacanagens, outros roubos, que só os envolvidos sabem!!!

É por estas e por outras que assisto corridas por que gosto de ver os carros em alta velocidade, gosto das pistas, acho as manobras bonitas. Por que o espírito esportivo, isso eu já sei que não existe faz tempo!

Decisão

Ainda bem que a Fórmula 1 ainda conta com o aspecto desportivo, com os carros nas pistas. Depois do GP do Japão, Vettel manteve suas possibilidades e junto com Barrichello, decidirão o título contra o favorito Button.

A grande chance está com o inglês, claro! Button colhe, com justiça, os frutos de um início de temporada arrasador. Agora vem administrando, cozinhando o galo, e tem tudo para faturar a coroa aqui no GP do Brasil.

Se depender de um ítem estatístico, Button já pode até comemorar. Já são 4 anos que a corrida em nosso país vem sendo a etapa que decide o título. Foi assim com Alonso em 2005 e 2006, com Raikkonen no ano seguinte e com Lewis Hamilton em 2008.

Para que Interlagos novamente seja novamente o “salão de festas”, basta que Jenson Button chegue em 3º lugar. E mesmo que seja de 4º para baixo, são várias combinações que continuam lhe favorecendo. 

O título deve vir mesmo aqui no Brasil. Boa sorte para todos!

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