A “melhor” escola... (?)
Pessoas já muito queridas falam e me ajudam a lembrar-me do que mais quero ser (no crescer de cada dia).
A elas, o texto que segue é oferecido.
Elas não me deixam esquecer do que acredito. Me movem a retornar-me aos mundos mais meus: entre eles, o Mundo da Educação.
De coração e de forma especial: à Déborah, à Paula.
A todos os que comungam de sonhos parecidos e que sentem que a Educação é um espaço de encontro. De homens e mulheres. Em que coisas bonitas acontecem... Ainda de tudo...
Quando me perguntam ou converso sobre a Educação e a Escola, eu sempre tenho muita dificuldade em falar ou definir o que mais quero nestes espaços. Tanta coisa...
Na vida toda a gente fica procurando o nosso mundo, a nossa “Pátria”.
Talvez, seja isso também a procura pela “melhor escola”: ela é o caminho para o maravilhoso mundo novo que mais acreditamos? Que mais fala dentro de nós? Que mais nos torna felizes?
Bom, daí é uma questão de sonho. Ou, em outras palavras: de projeto, de expectativa, de ideal...
Como comparar um sonho com outro?
Uma educação com outra?
É muito difícil. Depende do sonho “mais nosso”.
Mas uma coisa eu tenho que dizer.
Quem quer doce, não quer salgado.
E quem pensa círculo, não pode desenhar quadrado.
Ou seja: os sonhos precisam ser radicais, porque a paixão o é. Escola que faz história é histórica pela sua radicalidade.
Se não, todos saem machucados e se perdem: esquecem o que querem e o que são.
O “caminho” precisa de um mapa bem definido... Ainda que suas trilhas sejam desconhecidas. Mas, lá adiante, é o tesouro (que assim é reconhecido por nós) que alimenta a jornada e faz a história se tecer. Uma história que vira meio sonho, meio realidade. Repleta de várias outras histórias e nomes que vamos conhecendo – qual privilégio!
Enfim, talvez uma pergunta que nos ajude – a nós todos – a encontrar o mundo “mais nosso” dentro das escolas e de suas propostas de Educação, seja esta: “O que este lugar pensa de uma criança?”
Quanto a mim: as crianças são um barato... despertam minha curiosidade intelectual. São capazes de fazer muitas Julianas diferentes aparecerem em um único dia. São puro sentimento. Poço de sinceridade. Explosão de emoções. Imagem de criança: árvore de braços abertos...
VOZES
CRIANÇA:
“Quero um mundo mais bonito.
Sem tanta correria.
Em que eu possa errar e nem ser corrigida.
Só ir tentando, tentando e tentando: ser feliz.
Usando pouco a borracha.
Desenhando um monte.
Rascunhando textos sem fim.
Descobrindo meu nome: quem sou.
Descobrindo as pessoas: o amor.”
TALVEZ SEJA ALGO UM TANTO GRANDE.
TALVEZ QUE NEM CAIBA EM UMA PRIMAVERA.
ADULTO:
“Meu mundo é repleto de relógio.
Coisa que nem sempre – quase nunca! – é bom negócio.
Nele, tanta coisa esquisita:
Que condena a bagunçada arte da alma de artista...
Vou pra França e pro Alasca.
Para Bagdá e a África
Maleta de conhecimento na mão:
Mundo meu, cabeça em riba para o chão...”
CRIANÇA:
“Olha aqui!
Olha! Aqui!
O maior mundo: dentro da gente vive –
travessia do retorno...
Nau a conquistar o território não descoberto do ‘eu’.
Aqui, o sonho mais bonito...
Quero só brincar,
De pés descalços.
E, ao sentir a dúvida diante:
- da chuva que cai,
- do vento que sopra,
- da flor que morre,
- da guerra que mata,
- do choro que entristece,
- do corpo que muda,
- da palavra que pode-me comunicar...
ser levada a conhecer,
a aprender,
a ser,
no meio de tantos outros, diferentes de mim.
Descobrindo que o mundo é feito de erros.
Que ninguém é perfeito.
E que tudo vale a pena, se escolho não ser pequena.
Escuta mais uma vez, mas: olha, aqui!
QUERO SÓ OS MEUS PÉS DESCALÇOS...”