Cultura

Publicado: Sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Entrevista com a intercambista Diana Dubner

Crédito: Arquivo Pessoal Entrevista com a intercambista Diana Dubner
Diana ganhou três novos irmãos e uma intercambista da Alemanha

Itu.com.br - Quando você decidiu que iria fazer intercâmbio e por quê?

Diana Dubner:Acho que a minha vontade de fazer intercâmbio começou quando eu tinha mais ou menos 13 anos. Eu tinha uma certeza muito grande de que essa era uma experiência que eu deveria viver. O motivo principal que me levou a tomar essa decisão foi uma vontade muito grande de ver que eu poderia me virar sozinha. Gostava de pensar que eu estaria indo para um lugar completamente diferente, com pessoas e costumes que eu não conhecia, e o melhor de tudo, eu poderia ser quem eu quisesse ser... Poderia começar do zero. 

Itu.com.br - Como foi a escolha do país, do curso e da data?

D.D.: A escolha do país foi relativamente fácil. Eu fui a uma feira de intercâmbio em São Paulo com uma ideia já formada: Canadá ou Austrália. Chegando lá, no meio daquela multidão, fui entrando em alguns stands. Acabei gostando de uma agência em especial, conversei com um dos vendedores e peguei folhetos. Em casa, pesquisando sobre os países e olhando os panfletos da agência percebi que eu queria algo completamente diferente do Brasil, e como a Austrália possui um clima parecido com o daqui, decidi que queria passar frio, portanto a escolha foi o Canadá. A data estava muito clara para mim também. Queria chegar lá no começo do ano letivo, e não na metade, portanto escolhi que iria em agosto. Além disso, não queria perder o 3º colegial então decidi ir no segundo semestre do 2º colegial. O curso consequentemente foi o de High School.

Itu.com.br - Como foi a preparação da pré-viagem? Arrumação das malas, festa de despedida, contato com a família.

D.D.: Acho que a preparação é o momento que deu mais frio na barriga. Comecei a ter contato com a minha família hospedeira quase 6 meses antes da viagem, o que me deixou ainda mais ansiosa. A arrumação de malas começou quase 1 mês antes e levei duas gigantescas, com muitos presentes e roupas. Tive uma festa de despedida também, e foi muito legal ver o montão de pessoas que estavam lá para se despedir de mim. 

Itu.com.br - Quais eram as suas expectativas em morar em outro país? Elas foram atingidas?

D.D.:Minhas expectativas eram ficar fluente em inglês, fazer amigos e ter uma ótima relação com a minha família hospedeira. E sim, foram completamente atingidas. Estou completamente sem palavras. Eu sempre achei que ia ser bom sabe? Encontrar a família e tudo mais, mas não imaginei que seria TÃO BOM!” (blog: www.eunocanada.com)

Itu.com.br - Quais eram seus medos e receios?

D.D.: Acho que o meu principal medo era não me adaptar. Isso envolveria não me dar bem com a família hospedeira, não fazer amigos e ter dificuldade com o inglês, embora eu não tivesse parado muito para pensar nessas coisas antes de ir.

Itu.com.br - Como foi viver em outra família?

D.D.:Maravilhoso. Essa foi com certeza a melhor parte do meu intercâmbio. Eu vivi em uma casa completamente diferente da minha, com outros costumes e prioridades, o que foi muito bom para eu ver que o nosso jeito de viver não é o único. Além disso, eu tinha quatro irmãos, um de seis anos, outro de quatro, uma menininha linda de dois e uma intercambista da Alemanha de vinte e um. Fiquei próxima de todos. Meus pais hospedeiros me receberam como se eu já fosse da família, e ainda hoje continuo me sentindo parte dela. “A Holley (minha host mom) estava me esperando na saída do avião com uma flor de bexiga feita por ela mesma. Ela sorriu e me abraçou um milhão e meio de vezes e não parava de falar “I’m so glad that you’re here!”” (blog)

Itu.com.br - Você ainda mantém contato com os amigos feitos lá e a família?

D.D.: Sim, mantenho contato frequentemente com eles. Voltei para visitá-los julho passado, e nesse final de ano uma das minhas amigas da Alemanha veio passar o Reveillon aqui. Além disso, ligo para a minha família sempre que possível, e trocamos bastante e-mail.

Itu.com.br - Quais foram os pontos negativos? Por quê?

D.D.: Para mim, o pior ponto negativo é ter que viver sempre com uma metade minha faltando. Quando estava lá sentia falta da minha família e dos meus amigos do Brasil e quando estou aqui sinto falta dos amigos e família de lá.  É difícil conviver diariamente com as saudades, tanto quando eu estava no Canadá, quanto agora que voltei. “Não lembro quando foi a última vez que eu chorei tanto. Fiquei sem ar, parecia que alguém muito próximo tinha morrido. Não consigo nem lembrar que meus olhos enchem de lágrimas de novo. Mil abraços e beijos depois eu entrei no carro e fui embora. Foi como se uma parte de mim tivesse sido arrancada e estou com um vazio enorme no peito.” (blog)

Itu.com.br - Como era o seu dia-a-dia? Escola, viagens, baladas.

D.D.: Durante a semana, acordava, tomava café da manha, encontrava minha vizinha na frente de casa, andávamos juntas até a esquina e pegávamos o ônibus para a escola. Almoçava por lá e tinha aula até 15h10. Duas vezes por semana tinha aula de ioga e treino de cheerleader então eu ficava na escola até as oito horas. Nos finais de semana eu fazia muitos programas familiares, e saia com os amigos. Como eu era menor de idade não podia entrar nas baladas, então fazíamos festas na praia ou na casa de alguém. Me senti num filme americano. A festa era na casa de um menino que eu nem sei o nome. Os pais tinham ido viajar acho e ele deu uma festa lá. Tinha muuuuuuuuita gente e todo mundo da minha escola.”  Além disso os intercambistas participavam de várias viagens ao longo do ano.  Fomos passar o final de semana em uma ilha, esquiamos e tivemos várias atividades para “quebrar a rotina”.

Itu.com.br - Você pensa em fazer outro intercâmbio?

D.D.:Eu pensava sim, cheguei até a combinar com a minha família hospedeira que eu voltaria no ano seguinte para passar um ano inteiro trabalhando por lá. Estava tudo meio acertado, porém a vida tomou outro rumo quando voltei e não cabia mais uma viagem longa desse tipo. Hoje não tenho mais vontade de fazer intercâmbio, mas gostaria sim de visitar o Canadá com frequência. 

Itu.com.br - Quais são seus conselhos para quem está na dúvida em viver esse tipo de experiência?

D.D.:Não tenha dúvida. Não pense no pior, enfatize-se nos aspectos positivos e nos benefícios que essa experiência poderá lhe proporcionar. Vá com a

Leia mais: www.eunocanada.com

Comentários