Opinião

Publicado: Quinta-feira, 26 de março de 2009

Rodrigo Gasparini em "Bola Cheia e Bola Murcha"

Crédito: Arquivo Pessoal Rodrigo Gasparini em "Bola Cheia e Bola Murcha"
"Há quem diga que a vida é cheia de paradoxos. O futebol de Itu vive, neste início do século 21, um deles"
Para quem gosta de futebol e de dar umas boas risadas, o quadro “Bola Cheia x Bola Murcha”, do Fantástico, é um prato cheio. Levada ao ar todos os domingos, sob o comando do impagável Tadeu Schmidt, a atração mostra um lance bisonho e outro incrível proporcionado por algum peladeiro nos campos de futebol do Brasil.
 
Em Itu, o esporte – mais especificamente o futebol – também apresenta seus Bolas Cheias e Bolas Murchas. Mas, além da tradicional mistura de lances de genialidade com outros de pura falta de categoria pelos campos da cidade, temos por aqui exemplos opostos de administração esportiva.
 
Bola Cheia em Itu são as Ligas Ituanas de Futebol e de Futsal. A primeira entra em seu segundo ano sob a presidência de Gilberto Rodrigues de Oliveira, o Giba. Iniciou há poucos dias mais uma edição do Campeonato Amador e conseguiu levar a Seleção da cidade até a semifinal do Campeonato Paulista.
 
A Liga Ituana de Futebol passa por um momento muito delicado financeiramente. Atingida em cheio pelo fechamento de um Bingo na cidade, a entidade corre o risco de ter de arcar com altas despesas trabalhistas (na época, uma lei permitia que parte do dinheiro arrecadado pelo Bingo fosse destinado à Liga e por isso ela também vem sendo acionada).
 
Porém, mesmo com essa dificuldade, seus dirigentes vêm realizando campeonatos que se superam a atraem cada vez mais público, imprensa e patrocinadores. Isso com ajuda dos clubes, que vão na mesma onda e se tornam cada vez mais fortes. Não é exagero dizer que o Campeonato Amador de Itu é, hoje em dia, uma competição semiprofissional.
 
No futsal, as coisas parecem estar indo pelo mesmo caminho. Depois de praticamente uma década de inércia, a Liga Ituana finalmente tem uma diretoria forte e volta a promover campeonatos interessantes (aliás, o descaso de ex-diretores foi tanto que a entidade terá de mudar de nome para voltar a se filiar à Federação Paulista).
 
Na bola pesada, o comando é de Paulo Marcelo de Castro Lima, o popular Curió, eleito presidente há poucos meses. Um campeonato sério, a Taça Cidade de Itu, já está rolando a todo vapor, fenômeno que Itu não via há tempos. E a Seleção Ituana passa a contar, cada vez mais, com atletas da cidade.
 
Já a Bola Murcha fica para a parceria do Ituano FC com a empresa Traffic, que desde o ano passado é a responsável pela administração do futebol no Galo. Desde que entrou no comando, a Traffic não formou nenhum time competitivo, que proporcionasse alegria aos torcedores. Pelo contrário, conseguiu a “proeza” de não manter o rubro-negro na série C do Campeonato Brasileiro, o que o obriga a lutar, no atual Paulistão, por uma vaga na série D, a quarta divisão nacional.
 
Tão pior quanto a má administração é a falta de transparência imposta pela empresa e o distanciamento da cidade. Ninguém nunca viu o contrato que rege a parceria com o clube. Os diretores, verdadeiros executivos do mercado da bola, pouco aparecem em Itu e concedem entrevistas. Quando o fazem, se esquivam de perguntas mais diretas e preferem aqueles que lhes tratam como se fossem os salvadores do Ituano. E não o são.
 
A torcida é desrespeitada com ingressos caros e falta de informações confiáveis. O site oficial demorou mais de um ano para ser implantado e, ainda assim, serve mais para bajular jogadores e comissão técnica do que propriamente para bem informar. O desrespeito à imprensa virou coisa comum. E a tradição de um clube com 62 anos de história é atirada pela janela quando a empresa resolve trocar o uniforme rubro-negro por um vermelho sem graça.
 
Há quem diga que a vida é cheia de paradoxos. O futebol de Itu vive, neste início do século 21, um deles. Os amadores, aqueles a quem todos perdoariam se não fossem exímios administradores, mostram uma capacidade incrível de realizações grandiosas. São os Bolas Cheias. Os profissionais, aqueles de quem todos esperam qualidade e competência, não conseguem administrar decentemente um time de futebol. São os Bolas Murchas.
 
Rodrigo Gasparini é jornalista, cronista esportivo e colunista do itu.com.br. Atualmente, é apresentador e narrador esportivo da Rádio Convenção, além de correspondente do diário esportivo Lance! Foi editor de Esportes do jornal Periscópio e criador do site NotíciasNet, mantido no ar por três anos e premiado como melhor do Brasil produzido em Trabalho de Conclusão de Curso.
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