Publicado: Quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Sérgio Nardi explica o que fazer em meio à crise
Camila Bertolazzi
Apesar dos esforços contínuos do governo em transparecer tranqüilidade perante o conturbado cenário financeiro global, o Brasil como participante ativo da política econômica globalizada começa a sentir o golpe. E a ilha de instabilidade financeira alarmada, afunda em direção as águas profundas, à medida que os desdobramentos e indicadores financeiros internacionais pioram.
Para não deixar o seu 13° salário e suas finanças pessoais afundarem também, alguns cuidados devem ser tomados. Sem dúvida a injeção de capital na economia propiciada pelo 13º salário e inúmeras oportunidades que surgem em virtude desse dinheirinho extra é incontestável, mas a euforia pode ter um preço muito caro para o consumidor neste final de ano.
As taxas de juros para os financiamentos já subiram substancialmente e os prazos de pagamento diminuíram proporcionalmente, tornando o valor final dos produtos mais caros, bem como suas prestações se tornaram mais salgadas. Se a crise persistir, o cenário recessivo mundial levará a uma série de demissões em todos os níveis hierárquicos das empresas. Portanto é hora do trabalhador fazer reservas e ser cauteloso na hora das compras.
O 13º salário do consumidor nesse momento de crise deve ser usado para diminuir ao máximo as dívidas já assumidas, esse dinheiro extra, deve ser usado para pagar a conta do cheque especial, do cartão de crédito, os carnês de financiamento ou qualquer outro tipo de dívida em aberto. Quitada todas as dívidas é hora de poupar, reserve boa parcela do recebimento para futuras emergências, o curto prazo hoje é incerto, quem dirá o rumo no próximo ano.
E as compras, onde entram? Depois de quitada as dívidas e reservada a poupança para emergências, siga então as compras. Mas segure o ímpeto consumista, fuja do crediário, se proteja das altas taxas de juros e em hipótese alguma assuma longas prestações.
Transforme o Natal de 2008 no Natal à vista, seja seu próprio consultor financeiro, nem que para isso você tenha que sacrificar um pouco do glamour da ceia.
Existe dinheiro para socorrer bancos e empresas, mas não existe dinheiro para socorrer você. Se a crise piorar no ano que vem e as dívidas acumularem, no máximo o consumidor escutará um sinto muito e se consolará como sendo, mais uma vítima da turbulência internacional.
Sérgio Nardi é escritor e diretor de marketing e direção empresarial da Outstretch Empreendimentos e Negócios.
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