Opinião

Publicado: Quinta-feira, 26 de junho de 2008

Bia Sioli e os diferentes turistas de Itu

Crédito: Arquivo Pessoal Bia Sioli e os diferentes turistas de Itu
"É o turismo que move nosso município, e diretamente ou não isso também nos diz respeito"
É engraçado imaginar o que move o turismo de uma cidade. Fácil identificar quando há procura por praias, montanhas, acervo cultural ou redutos religiosos. Difícil mesmo é identificar e organizar quando várias dessas procuras encontram-se num só local.
 
O leitor pode se questionar quem sou eu pra falar com tanto empenho sobre o turismo da cidade. Sou da terra, trabalho com turistas há algum tempo e me reservo o direito de dar palpite, sim!
 
Vou traçar um paralelo sobre os vários tipos de turistas que vêm a nossa cidade, e me reservo o direito de limitá-lo à Rua Paula Souza, que a meu ver é a mais imponente e interessante da cidade.
 
Devemos entender que, num curto espaço físico que une as praças da Matriz e do Bom Jesus, circulam desavisados os quatro grupos de turistas que a seguir detalharei, sem que qualquer um deles se dê conta do outro.
 
Não tenho intenção alguma de convencê-lo sobre a veracidade do que escrevo e nem a ambição de achar que tenho as respostas para todas as necessidades da cidade, mas tenho boas idéias, embora saiba que também o inferno anda cheio delas.
 
Comecemos pelo estômago, que é sempre um bom ponto de partida. O cliente amanhece um belo dia, disposto a comer bem e resolve pegar estrada e vir a Itu. Conhecedor ou não da história centenária do restaurante mais famoso da cidade, ao chegar, para a porta do local, desce, entrega a chave ao valet, adentra ao restaurante, se alimenta de comida de boa qualidade - isso é inquestionável - paga a conta, espera pelo carro, volta para São Paulo e no dia seguinte, entre uma reunião e outra, diz aos amigos que esteve em Itu.
 
Esteve em Itu mesmo? Saberia dizer as cores da fachada da igreja que é a maior representante do barroco paulista? Conseguiria identificar de que lado da rua está o Museu da Energia, ou o Secretaria de Cultura?
 
Os únicos a se beneficiarem desse turista são os donos do restaurante, do estacionamento e o pessoal do pedágio. Vejam bem, que fique aqui registrado que nada tenho contra o restaurante, muito pelo contrario, só acho que falta ao local maior empenho para que esse turista dê também atenção ao que a cidade tem a oferecer, além da boa gastronomia.
 
Por outro lado temos o turista pedagógico, com certeza o de maior número e animação. Escolas de todos os lados vêm a nossa cidade: é fácil identificá-los, de longe um aglomerado de gente, uniformizados e com monitores munidos de rádios de comunicação, sempre correndo contra o relógio. Andam com tempo curto pra tudo que se deve ou deveria ver em Itu. Olham de passagem, sem tempo de prestar atenção aos detalhes dos prédios e suas riquezas, sem tempo de aprender, às vezes, o verdadeiro significado da visita a uma cidade com tamanho apelo cultural e histórico como a nossa. Voltam pra casa no final do dia com muitas lembranças da terra do exagero, cotonetes, cigarros gigantes, mas pouca informação.
 
Aqui a fé também impulsiona o turismo. Templos religiosos arrebanham milhares de fiéis de todos os cantos. Procissões, quermesses, tapetes de serragem, rituais solenes, dão o tom das festividades, atraem pessoas e caravanas de longe. Esses fiéis facilmente se encantariam em andar pelas ruas da cidade se fossem incentivados a isso. Tenho certeza que uma voltinha pelas ruelas charmosas, aqui do centro histórico, a aquisição de um doce caseiro ou até um cartão postal, não seriam pecado algum.
 
Por fim, o grupo mais culturalmente engajado, mas não mais importante que os outros. O turista que vem pelo apelo histórico cultural da cidade. Geralmente vem de carro próprio, acompanhado da família. Vem com destino certo, centro histórico na ponta da língua. Sabedor e apreciador das riquezas da cidade, busca por informações junto aos moradores, que dificilmente tem vontade ou sabem dar qualquer tipo de ajuda ao ‘forasteiro’.
 
Busca pelo museu mais importante da cidade, que abriga um pedaço fundamental da história política do país, e o encontra ainda em reforma. Recebe informações em um trailer que, a meu ver, é uma ferramenta de importância ímpar por aqui e que tem por finalidade direcionar ou facilitar sua visita, mas a grande maioria dos lugares apontados está fechada, seja por falta de funcionário, seja por falta de segurança.
 
Esse turista acaba dando volta e meia e tão cedo não pisa mais por aqui. Um turista que tem poder aquisitivo, que sabe apreciar nossas riquezas em todos os aspectos, que tem influência, que pode trazer outras pessoas para conhecer nossa cidade, acaba voltando pra casa decepcionado, frustrado.
 
Itu tem muitas opções para o turista, a zona rural da cidade, com projetos interessantes de hospedagem, diversão, lazer, com cavalgadas, almoços feitos nos fogões a lenha, violeiros, são um convite a nossa memória caipira.
 
Depois reclamamos o quão injusta é a preferência de todos pelo turismo a cidades históricas de Minas Gerais. Aquele povo sim sabe aproveitar cada espaçozinho em branco, cada portinha aberta, cada turista desejoso de informações - jeito mineiro de fazer as coisas, inclusive aproveitar o turismo da melhor forma - enquanto nós vivemos esperando que a administração pública se encarregue disso. Somos uma cidade turística, parece que a maioria das pessoas ainda não se deu conta disso.
 
Os mais antigos não gostam nem entendem essa invasão que ocorre, em sua grande maioria aos fins de semana na nossa cidade. É o turismo que move nosso município, e diretamente ou não isso também nos diz respeito.
 
Ituano, aproveite esse momento de contato com o turista para mostrar seus conhecimentos sobre a cidade, pra dar dicas de melhores compras, incentivar a visita a locais interessantes que nem sempre fazem parte do roteiro tradicional, porque não, praticar tamb&e
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