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Pesqueiro Maeda, em Itu, foi matéria do Estadão

Publicado: Quarta-feira, 27 de abril de 2005 por Deborah Dubner

O Pesqueiro Maeda, em Itu, foi matéria do Estadão do dia 27 de abril, no caderno Agrícola. A reportagem enfoca o uso das rodas d´água para economizar energia. São 26 rodas ao longo de 300 metros, em uma floresta exuberante e cheia de árvores seculares. Leia a matéria na íntegra!

Deborah Dubner
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O Pesqueiro Maeda possui 26 rodas d´água ao longo de 300 metros, em uma floresta repleta de árvores seculares.

O Pesqueiro Maeda, em Itu, é matéria do Estadão do dia 27 de abril, no caderno Agrícola - página G 16. A reportagem enfoca o uso das rodas d´água para economizar energia. São 26 rodas ao longo de 300 metros, em uma floresta exuberante e cheia de árvores seculares. O Pesqueiro Maeda conta com dez lagos, num total de 33 mil metros quadrados, além de jardim japonês, cavalos, piscina, parque aquático, área para arvorismo, trilha na mata, teleférico, passeio de trenzinho, entre outras atrações.

Veja a matéria na íntegra!


Rodas d´água economizam energia

Em pesqueiro em Itu (SP), proprietário instalou 26 rodas para encher açudes

ENERGIA, por Luiz Roberto de Souza Queiroz

Setecentos mil litros de água bombeados diariamente para 11 tanques de pesca, apenas com o uso de rodas d´água, sem gastar nenhuma eletricidade. Esse é o orgulho do piscicultor André Maeda, que acabou transformando as 26 rodas d´água montadas em série na sua fazenda de 636 hectares, em Itu (SP), numa atração especial do pesqueiro, freqüentado a cada fim de semana por até 5 mil pessoas.

As rodas d´água movem-se com a água de uma generosa nascente. Originariamente, a água corria por dentro de uma mata terciária, até hoje conservada. 'Protegi a nascente, cavando valetas que desviassem a água das enxurradas da fazenda e a que sai dos tanques de peixes', conta ele. Um pedreiro construiu a barragem de quatro fileiras de tijolos para formar um pequeno tanque, de onde sai um tubo de PVC de 6 polegadas que leva a água para a primeira roda d´água, acoplada a uma bomba de pistão.

O conjunto, tão simples que não foi preciso nem sequer chamar a assistência técnica para a montagem, completa-se com uma válvula de retenção, para evitar que a água retorne pela mangueira que alimenta os lagos. Cada conjunto de roda e bomba é responsável pelo envio de até 30 mil litros diários, que pode elevar água a 200 metros a uma distância de até 12 quilômetros.

GRANDE NÃO DÁ CERTO

Maeda reconhece, porém, que apanhou bastante até chegar à solução perfeita. 'Quando pensei em roda d´água, me recomendaram uma roda muito grande, aproveitando o fato de que eu tenho bastante água.' Acontece que o rendimento da roda grande não era o ideal e, com o tempo, o agricultor descobriu que podia usar sucessivas rodas menores. A água que movia a primeira era armazenada num pequeno tanque construído logo abaixo, novamente uma paredinha de tijolos, formando um laguinho de 30 metros quadrados. Depois desse pequeno reservatório, ele foi montando uma segunda roda, uma terceira, e assim por diante.

Hoje, Maeda tem 26 rodas ao longo de 300 metros de declive e garante que a manutenção é pequena. Basta colocar graxa e óleo nos pistões a cada 20 dias. O que o preocupa mais é a preservação da mata em todo o morro onde estão as bombas. 'Se cortarem essa mata, se arrancarem as plantas, a primeira enxurrada vai assorear todo o sistema', teme ele, e por isso mantém monitores e vigilantes para impedir que os visitantes prejudiquem a mata. Mas não dá muito certo, reconhece. 'Todo dia há alguém tentando arrancar uma bromélia, puxando uma samambaia incrustada na pedra e até a vulgar maria-semvergonha já foi encontrada com um visitante que a arrancou, sem raízes sequer.'

DO TOMATE AO PACU

A Fazenda Maeda, hoje mais conhecida como Pesqueiro Maeda, foi adquirida pela família há 12 anos, com o objetivo de plantar tomate, legume o qual até hoje a família mantém uma pequena roça.

Como havia muita água, os Maeda fizeram um tanque onde criavam carpas como hobby, e foi para elas que foram montadas as rodas d´água. Com o tempo, as carpas proliferaram tanto, que uns amigos apareciam com suas varinhas de pesca para tentar a sorte. Os amigos trouxeram outros amigos e, depois de um tempo, havia tanta gente circulando pela fazenda que André Maeda deu um basta e acabou com as pescarias. 'A reclamação foi muita', conta Maeda. 'O pessoal disse que não se importava de pagar para pescar e eu descobri, em 1998, que a gente estava sem querer criando um pesqueiro.' Dez anos depois, o Pesqueiro Maeda conta com dez lagos, num total de 33 mil metros quadrados, cheios de pacus, tambaquis, cat-fishs, pintados, curimbatás, piraputantas, carpas-capim, pirararas, tilápias e outros peixes, além de jardim japonês, cavalos, piscina e parque aquático para a criançada que acompanha os pais, mas não quer saber de pescar, área para arborismo, trilha na mata e, é claro, monitores que levam os grupos para conhecer as rodas d´água no meio da mata e para subir por escadas em caracol em árvores seculares, entre elas uma imensa figueira. Mas, como a formação da família é da lavoura, Maeda faz questão de manter um 'projeto cultural-rural', como define, para que principalmente as crianças possam acompanhar o cultivo e a colheita de legumes, frutas, flores e hortaliças.

Manutenção do sistema é simples: basta, a cada 20 dias, lubrificar os pistões.

Maeda explica que, para manter todo o esquema dos tanques, das piscinas e da irrigação, as rodas d´água acabaram não sendo suficientes e ele construiu um lago para acumular a água que sobra da nascente, onde uma bomba elétrica se responsabiliza pela complementação da tarefa das bombas d´água.

Mas elas continuam sendo muito úteis. 'É comum a gente receber visitantes que se encantam com o projeto e querem saber como montar rodas d´água em suas fazendas e sítios', conta Maeda, que já até 'emprestou' seus funcionários para ajudar na montagem em algumas propriedades da região.

Leia mais: www.pesqueiromaeda.com.br

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