Por que Porto Feliz?
Leia artigo sobre a Cidade das Monções!
Jéssica Ferrari
Por Mylton Ottoni da Silveira
Você sabe por que Porto Feliz foi escolhida para ser a cidade das monções?
Como muito bem relata o grande mestre Sergio Buarque de Holanda, a saga da conquista do sertão brasileiro tem início com a epopéia das monções. Aliás, os paulistas desse tempo heróico, já muito afeitos aos grandes trabalhos aliaram a coragem e a sabedoria em usar a estrada líquida chamada Rio Tietê para a penetração do nosso desconhecido sertão.
O curioso desse pormenor é o fato de que as primeiras penetrações partiram do Porto Góes, então território ituano, hoje Salto. Neste ponto, levanta-se grande interrogação: Qual a causa que levou as partidas a saírem de Porto Feliz e não mais do simpático “Porto Goes”? Seriam as corredeiras existentes logo abaixo, entre o hoje Salto e Porto Feliz? Aliás, assim aprendemos nos grupos escolares. Absolutamente que não. Essas corredeiras foram fatores insignificantes para gerar uma consequência tão forte.
Hoje, após longos e minuciosos estudos, concluímos o seguinte: Muito provavelmente o fator importante para o sucesso de uma penetração do porte das monções tenham sido as “embarcações” usadas, os batelões. Assim, feita as primeiras viagens, ficaram evidentes as necessidades de mais e mais batelões, e de Peroba, e das boas. E isso, exatamente isso, as perobeiras já começavam a rarear nos arredores do rio, acima do Salto do Itu-Guassu.
Os experientes bandeirantes passaram a pesquisar a existência das grandes perobeiras, longas, grossas, fortes e retas. Absolutamente próprias para se produzir o desejado batelão. E acabaram achando nas matas existentes onde hoje está Capivari, as margens do rio do mesmo nome. Ficava muito fácil. Era só cortar a enorme árvore, rolar para o leito do pequeno rio. A mesma descia pelo mesmo até o rio Tietê, e por este até o remanço, já a esta altura pré-destinado a ser o grande posto.
Ocorreram algumas insistências em preservar o Porto Góes como local de partida, mas logo perdeu força porque não se dispunha naquela altura (início do século XVII) tração conhecida capaz de arrastar um perobeiro rio acima, portanto contra a correnteza. Tudo colaborou com Porto Feliz.
Juntou-se o belo remanso do local, a margem favorável às instalações “industriais” para o fabrico da embarcação e o caminho por terra que logo se abriu de Itu a “Araritaguaba”. Portanto, nada mais justo que hoje, os estudiosos das monções, reconheçam a fundamental importância dos batelões e sejam eles transformados no grande símbolo desse período histórico de enorme importância para o início do ciclo do desbravamento brasileiro.
Mylton Ottoni da Silveira faz parte do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba, e também da Acadil (Academia Ituana de Letras).