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Publicado: Sábado, 26 de dezembro de 2015

Academia Saltense de Letras perde o poeta Nicodemos Rocha

Advogado, professor, doutor e poeta deixa legado e saudades.

Crédito: Eloy de Oliveira Academia Saltense de Letras perde o poeta Nicodemos Rocha
A produção do acadêmico Nicodemos Rocha ficou registrada em todos os lugares por onde passou, como na ASLe, com sua participação na Coletânea II

O advogado, professor doutor e poeta Nicodemos Rocha, titular da cadeira 26 da Academia Saltense de Letras (ASLe), faleceu na tarde do dia 24 de dezembro, 25 dias após ser internado no Hospital da Unimed, em Salto, para se recuperar de um aneurisma cerebral.

Sexto filho de uma família de oito irmãos formada pelo casal João e Ana Ernesta, Nicodemos Rocha estava com 75 anos. Deixa a esposa Lourdes Calegari Rocha e os filhos Dorotéia e Nicodemos Rocha Filho. Além dos netos Arthur, Michelle e Marina, filhos de Dorotéia.

O acadêmico entrou para a ASLe em 18 de junho de 2011 por indicação de Lázaro José Piunti, cadeira 14, patrono Castro Alves. Escolheu como patrono Sócrates. Em seu discurso de apresentação, Piunti disse que Nicodemos Rocha fazia perenemente o voo da utopia. A alusão era ao fato de que ele sempre fora um sonhador e que jamais se conformara com a situação que a vida lhe impunha. Teve uma infância pobre e difícil. Mas, por sua perspicácia, venceu as dificuldades e se tornou um profissional respeitado e admirado.

O acadêmico Nicodemos Rocha é o quinto integrante da ASLe a falecer desde a fundação da Academia, em 19 de março de 2008. Os outros foram o primeiro presidente: Ettore Liberalesso e os membros: Daniel Gasparini, Antônio Maestrello e Anselmo Duarte.

Vida e realizações

Nascido em Porto Feliz, mudou-se para Itu ainda menino, onde morou a vida toda. Aos dez anos, dividia o tempo entre os estudos e o trabalho. À época, fazia entregas para uma farmácia. Depois, construiu uma caixa de engraxate e passou a exercer o ofício. Com a renda auferida, Nicodemos Rocha comprava material escolar para ele e para dois irmãos menores. A caixa de engraxate foi tão importante que guardou como lembrança. Era o seu troféu para passar aos filhos e netos a dignidade com que conduzia sua vida.

Nicodemos Rocha era um estudioso. Fez contabilidade, estudos sociais e pedagogia e cursos de extensão universitária, além do direito, profissão na qual também fez doutorado. Foi professor no Senac e titular na Faditu de Processo do Trabalho e Processo Civil.

Por seu trabalho na educação, chegou a ser indicado pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) para desenvolver projeto educacional na Guiné Bissau, mas não chegou a ir devido às condições desfavoráveis do momento político vivido por aquele país à época.

Talento literário

Tornou-se conhecido, não só pelo brilhantismo com o qual desempenhou a advocacia, como também pela forma poética com a qual redigia as petições, contestações e outros recursos à Justiça, causando impacto e admiração junto a desembargadores e juízes. Dono de uma versatilidade notória e de uma maestria capaz de combinar conhecimento e verve prodigiosa de que era nato, sua produção ficou registrada em todos os lugares por onde passou, como na ASLe, com sua participação na “Coletânea II”, lançada em 2013. Ele também apresentava sua ampla visão de mundo de forma inteligente nos meios de comunicação, como os portais “Itu Notícias” e “Aconteceu em Itu”, o jornal “Periscópio” e a revista “Campo & Cidade”, e ainda tinha participação nas mídias sociais.

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