Publicado: Domingo, 10 de dezembro de 2006
Jair de Oliveira escreve sobre o calçadão
Leia a opinião do especialista e suas sugestões
Deborah Dubner
por Jair de Oliveira
A Rua Floriano Peixoto
Nos últimos cinqüenta anos os ituanos amargaram, deveras, uma degradação progressiva e contínua com referência ao centro antigo de nossa cidade. Não bastassem a demolição inadvertida de casarões e sobrados históricos; a carência de códigos de postura e de edificação, a se permitir um desequilíbrio dos gabaritos das construções, a descaracterização de elegantes prédios ou mesmo a obliteração dos lagradouros, das fachadas; a tolerância com a ocupação indevida do espaço público, com os decibéis aviltantes dos carros de som a aturdirem a população, com as pichações e todo tipo de veículos e ou de brinquedos a transitarem na contramão das vias ou no interior das praças, não obstante o acúmulo de prejuízos, a reversão se torna lenta evultosa. Exemplo contundente desse descuido, entre outros, poderíamos citar a rua Floriano Peixoto, desde o início do século XX a principal artéria do comércio da cidade de Itu.
Questões locais somadas às vicissitudes da economia do país, mas sobretudo o descaso dos ituanos, mudaram a qualidade da antiga e tradicional rua do Comércio para pior, o que é pior!
A atual Administração Pública se torna agora cautelosa, pelo menos no que se refere a recuperação desta via, ao se promover em caráter de experiência, o fechamento parcial ou total da citada rua.
Há que se considerar os conhecimentos dos profissionais da área de Urbanismo, os depoimentos dos pedestres, dos motoristas, das agências bancárias quanto a segurança, dos comerciantes e moradores do local, e levar em consideração, a questão de mais uma descaracterização do traçado original da malha urbana antiga, e por que não dizer das experiências ocorridas em outras importantes cidades. Por exemplo, a rua 13 de maio no centro de Campinas, considerada outrora o mais elegante ponto comercial da cidade, em pouco tempo se degradou depois de transformada em calçadão; a fina mercadoria das lojas desapareceu, assim como desapareceu a clientela de melhor poder aquisitivo, dando espaço ao ambulantes de plantão, inclusive aromatizado pela fumaça dos “apreciadíssimos” churrasquinhos de gato! São Paulo, após uma febre inovadora de calçadões, teve que proceder a reabertura de várias vias, ao notar os prejuízos causados à vida da cidade!
Pois bem, três seriam as opções:
1ª) a simples repavimentação asfáltica da via pública e das calçadas com pedras portuguesas novas, dentro de rigorosos padrões técnicos de qualidade e estética, sem qualquer alteração do traçado original, que por si só já ofereceria maior conforto.
2ª) o alargamento das duas calçadas, e por conseqüência o estreitamento do leito carroçável, a dar passagem para uma só fila de veículos, sem estacionamento, prevendo-se no entanto paradas de emergência no meio da quadra ( para carros de malotes bancários, ambulância, policiais e ou de uso restrito para idosos, deficientes ou gestantes, etc. ) poderá se apresentar com alguma viabilidade positiva.
3ª) o fechamento total do leito carroçável para veículos, e a conseqüente transformação da via pública em calçadão! O que seria um transtorno para todos, cujos resultados desastrosos influirão de maneira negativa na vida da cidade, principalmente a noite, relegada aos marginais e desocupados, a provocarem toda a sorte de distúrbios.
Em qualquer hipótese, deverá se observar um novo e criterioso código de postura, quanto aos letreiros, bem como se implantar lei de zoneamento adequada. A fiação elétrica uma vez embutida sob os passeios traria um grande conforto visual.
PORTANTO, SIM ÀS CALÇADAS AMPLIADAS!
PORTANTO, NÃO AO FECHAMENTO TOTAL DA RUA!
Jair de Oliveira é ituano, engenheiro e grande ativista na preservação do patrimônio histórico da cidade.
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