Publicado: Quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Conheça a história da Volta Pedestre Cidade de Itu
Gilberto Rodrigues participa desde a primeira corrida.
Deborah DubnerSão 25 anos de corrida. A Volta Pedestre Cidade de Itu tem muitas histórias ara serem contadas. Diversas pessoas que hoje ainda trabalham na organização, também participaram das primeiras edições.
Uma dessas pessoas é Gilberto Rodrigues, o Giba, que participa desde a primeira corrida. "Na 1ª Volta Pedestre Cidade de Itu, além de ajudar na organização, eu também corri", conta. Giba lembra que a corrida era realizada no domingo pela manhã e que, naquela época, a largada era onde hoje funciona a Casa do Barão (antiga Prefeitura).
A corrida desceu a Barão do Itaim e, já na Praça Padre Miguel (Largo da Matriz), ao invés dos atletas contornarem a praça, vários deles cortavam caminho pelo meio. A corrida seguia pela Rua Paula Souza até a Marginal. Naquela época, o trem ainda passava por dentro da cidade, sendo que, quando os atletas chegavam à estação, o trem estava parado lá, no meio da rua. "Como eu estava em primeiro e era da cidade, sabia que dava para pular o trem. Os que vieram logo atrás de mim fizeram a mesma coisa, mas alguns não viram e teve gente que chegou a passar até por dentro do córrego Guaraú", comenta Giba, aos risos.
A 2ª Volta Pedestre foi realizada em um sábado à noite, com largada e chegada na Praça da Independência (Largo do Carmo). "Nós emprestamos o Bar e Restaurante Amigão, onde hoje é uma loja de calçados, e lá era feita toda a apuração da corrida, tudo a mão. Nós fazíamos cartolinas com os números dos atletas para o controle da chegada", conta Giba. Todas as inscrições também eram feitas a mão por Giba e José Roberto Galvão, o Beto, que também organiza a Volta Pedestre até hoje. “Éramos dois loucos em fazer tudo isso praticamente sozinhos”, comenta Giba.
Já na década de 90, quando a Volta Pedestre contava com cerca de 800 participantes e era realizada no domingo pela manhã, um “atleta” quis trapacear, mas seu plano não deu certo. A corrida descia a Rua Floriano Peixoto, subia a Rua Sete de Setembro e a Barão do Itaim, onde estava a chegada. Quando os primeiros atletas chegavam à Rua Floriano Peixoto, uma pessoa que estava escondida no jardim dos Correios saiu correndo na frente de todo mundo. Um fiscal, que estava na mesma esquina, viu o “espertinho” saindo do esconderijo e foi avisar a organização, no local da chegada. Quando o falso ganhador estava perto do final, foi impedido de cruzar a linha de chegada e o verdadeiro primeiro colocado venceu a Volta Pedestre.
Giba também conta que, em uma das corridas, a organização não conseguiu impedir que o trânsito ficasse fechado. “As pessoas tiraram os cavaletes, isso em um sábado à noite, quando ainda não existia shopping na cidade e a diversão da população era passear no Centro da cidade”, relata Giba. “Os atletas, quando chegaram na Rua Floriano Peixoto, tiveram que correr pelo meio dos carros”, completa.
No fim da década de 90 houve uma tentativa de informatizar a corrida. Uma escola de computação que existia na cidade se ofereceu para fazer a listagem computadorizada dos inscritos, assim como a apuração. Quando chegou o dia corrida, a pessoa responsável pelo programa de inscrições disse que não cabiam mais atletas no programa. Todos ficaram desesperados e, mais uma vez, tudo foi feito a mão, e às pressas.
Hoje, Beto faz as inscrições dos atletas de Itu, todas pelo computador, e os atletas de fora podem se inscrever pela internet.
Atletas de elite
Atualmente, muitos atletas estrangeiros participam da Volta Pedestre, mas uma das primeiras, senão a primeira, atleta famosa a participar da Volta Pedestre Cidade de Itu, foi Soraya Vieira Telles, recordista pan-americana. Depois disso, e principalmente nos últimos anos, atletas quenianos de elite também passaram a disputar a prova. Atualmente, Soraya faz parte da equipe ituana de atletismo, representando a cidade em diversas competições pelo estado e pelo país.
Antigamente existiam apenas algumas corridas de rua e a de Itu era uma delas, junto com a São Silvestre e a Corrida do Aniversário de São Paulo, por exemplo. A organização dessa provas era totalmente diferente do que é hoje. Agora, a Federação Paulista de Atletismo faz diversas exigências para o fechamento do trânsito, aferição de percurso, pontos de água, chuveiro, chip para aferição do tempo dos atletas, entre muitas outras coisas.
Hoje, a Volta Pedestre é tida como uma das maiores do estado de São Paulo, graças a toda experiência ganha em todos esses anos e de dois “loucos” que organizavam a corrida. Agora, cerca de 100 pessoas trabalham para que tudo saia de acordo com o previsto, enquanto 2 mil atletas participam da corrida e da caminhada.
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