Publicado: Quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Cláudia Meirelles protesta contra voto obrigatório
Camila Bertolazzi
“Somos ovelhas a parte, esperamos para ver aonde vai o rebanho e então o seguimos. Temos duas opiniões: uma privada, que tememos exprimir; e outra – a que usamos – que somos obrigados a sustentar pra agradar, até que o hábito a torna confortável e que o costume de defendê-la acaba por fazer amá-la, adorá-la e esquecer quão deploravelmente a desenvolvemos” (Mark Twain).
Em uma participação recorde de quase mil pessoas, numa semana de acessos igualmente recordes, a enquete do itu.com.br sobre a obrigatoriedade do voto apontou para uma vitória apertada da preferência aos votos facultativos sobre os obrigatórios (56% x 43%).
Confesso que me surpreendi, sempre vi esse fato ser abordado longe do período eleitoral e em todas as pesquisas, o voto obrigatório era um grande vilão da democracia.
Atrás do voto obrigatório, está uma triste realidade: o que adianta comparecer às urnas e não participar? Analisamos sete cidades da região: 9% de todos os eleitores foram votar e escolheram o voto nulo e branco nesse processo tão importante.
Justificar pode... e 13,8% de todos os eleitores dessas cidades, nem compareceram às urnas, mesmo estando na cidade! Foram 113.838 cidadãos que preferiram estar à margem da política. A soma na região é de quase 185 mil pessoas que querem ficar bem longe da política local!
Em duas das sete cidades, as abstenções ficaram em segundo lugar no ranking de votos; e em Itu, o segundo colocado nas eleições perdeu para os votos nulos, brancos e abstenções (na verdade o 2º é um 5º lugar!).
Sem dúvida, votar é um direito, mas não consegue ser um dever para todos. Temos que melhorar esse processo, dar mais legitimidade.
O código eleitoral de 32 instituiu o voto, e na constituição de 34 ele se tornou obrigatório (hoje representado na constituição de 88, no artigo 14). Desde a sua obrigatoriedade, mais de duas dezenas de projetos de lei ou emendas constitucionais foram apresentadas pedindo o fim da obrigatoriedade, todas evocando que muitas vezes, uma maioria passiva é o ante verso da democracia plena.
E com razão! Apesar da defesa do voto das minorias através da obrigatoriedade (analfabetos, jovens maiores de 16 anos, idosos, pobres), essa população é alvo de manobras eleitoreiras, por ser sempre menos politizada.
O aumento do comparecimento às urnas não significa o aumento da participação efetiva das pessoas, pois a alienação eleitoral aparece nos votos nulos e brancos, em um protesto silencioso que ninguém presta atenção.
O verdadeiro exercício da cidadania e do ato de votar não vem de graça, vem da maturidade política de uma nação, onde facultar o voto é uma operação de risco e transparência, que colocará no poder o mais competente e não só o preferido da maioria.
Obrigar a votar sempre traz na bagagem os votos indicados pelo amigo do amigo (a maioria só decide o voto na última hora, ou seja, não estava mesmo participando de nada), a venda de votos e o desinteresse político. Isso não é evolução democrática, é apenas uma aparente participação cívica, que alimenta sistemas apodrecidos.
Facultar o voto é coisa pra gente grande. Arriscar perder o comparecimento de 30% dos eleitores nas urnas e evocar a transparência como consistência política é ato de coragem.
Enquanto coragem e maturidade não chegam, temos que cuidadosamente construir um novo jeito de pensar e participar. Política não é um bicho de sete cabeças, um monte de “gente do mau”, ladrões oportunistas. Política é a arte de construir o mundo que vivemos através das relações com as pessoas que nos cercam e têm vocação para agir nesse mundo e mudá-lo.
Eu disse isso insistentemente para minha filha, antes do seu primeiro voto. Fotografei pra registrar que a maturidade construída vai fazer do mundo que ela escolher uma boa opção de futuro.
Dos que participam politicamente, a ebulição agora é crescente. Apesar do número de jovens eleitores ter caído, é na mão dos muitos outros jovens que a Internet está vindo e mudando o panorama das informações em tempo real e transparente. Essa eleição foi muito interessante...
Nunca a troca de informações foi tão verdadeira, rápida e também perigosa. Eram dezenas de e-mails, blogs, sites, etc por dia! Só no Orkut, site de relacionamentos, existem mais de 200 comunidades defendendo o fim do voto obrigatório.
O melhor do futuro é hoje! Então vamos despertar sem pressa para o mundo que vivemos e que podemos mudar. Ninguém precisa nos obrigar a isso por conta de um voto!
Para começar, vamos inverter a situação: vamos tornar obrigatória a participação dos vereadores na vida da cidade. O itu.com.br tentou, até agora em vão, uma entrevista com perguntas simples (via Internet) sobre quem eles representam, quais os planos, como enxergam a cidade, os 400 anos de Itu. Ninguém respondeu.... Silencio absoluto!
Para começar, vamos inverter a situação: vamos tornar obrigatória a participação dos vereadores na vida da cidade. O itu.com.br tentou, até agora em vão, uma entrevista com perguntas simples (via Internet) sobre quem eles representam, quais os planos, como enxergam a cidade, os 400 anos de Itu. Ninguém respondeu.... Silencio absoluto!
A nova enquete já indica que a eleição de vereadores deixou mais de 60% dos leitores insatisfeitos...
Onde é que podemos unir informação, participação, obrigatoriedade bilateral, futuro da cidade, políticos de verdade e cidadãos participativos?
Aceito sugestões.... O futuro dessa gestão está só começando! Se aceitarmos as mesmas atitudes, teremos os mesmos resultados. Se o voto é obrigató
Comentários