Publicado: Quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Valdomiro Carezia: "A educação para a vida"
Camila Bertolazzi
Educar é um ato de amor! A mais nobre e complexa missão dos pais!
Parece até contraditório; vivemos numa época de muita comunicação, muita informação, muita orientação, mas de pouca educação. Na verdade, estamos vivendo já há algum tempo uma verdadeira crise educacional: omissão das famílias, notadamente dos pais, das instituições governamentais, das escolas e mesmo da Igreja.
Uma afirmativa, atribuída à escritora Adélia Prado, dizia: “se pudesse pedir alguma coisa a Deus, não pediria pão de queijo; pediria fome, porque sem fome, não adiantaria ter em mãos o pão de queijo”. Desse modo, estaria faltando para a educação “fome de conhecimento, fome de ensino, fome de mudança”. Com o que concordamos e acrescentamos: e a fome de valores?
Será que essa fome não existe mais? Deixou de fazer parte do “cardápio da vida”? Ao que parece, estão sendo servidos “falsos valores”, os quais vêm “enganando” a fome da humanidade de verdadeiros valores humanos. Desse modo, ou “morre-se de fome” ou “morre-se de intoxicação”. O que aconteceu com nossos valores?
A sociedade moderna parece abandonar os “padrões éticos de valores” e deixa-se levar por “critérios imediatistas e pragmáticos”, no desejo de se livrar das “influências da doutrina da Igreja”, algo preocupante, e denunciado em inúmeros documentos da Igreja católica, bem como de leigos. É o caso da Conferência Episcopal Portuguesa e da revista “Hora da Família”, com conteúdos significativos a respeito da Educação fundada na Verdade e no Amor, como a única forma de se evitar uma desordem social generalizada...
Constatam-se, então, sintomas de uma verdadeira “mutação cultural”: o exercício de uma “liberdade sem limites”, sem responsabilidade, beirando, por vezes, a libertinagem; a injustiça, a corrupção; a crescente marginalização social, a violência, a insegurança; as dependências do álcool e demais drogas, a delinqüência juvenil; a globalização, nem sempre bem entendida, bem conduzida; o poder político, fragmentado e enfraquecido; os sintomas graves de perda de confiança nas instituições, dando margem para a ilegalidade e para a informalidade. [1]
Vemos uma sociedade materialista e individualista, que prioriza aspectos econômicos e financeiros; desintegra-se o vínculo familiar; acentuam-se o secularismo, o hedonismo, o relativismo moral e outros contra-valores.
Tenta-se viver sem valores humanos, tenta-se educar sem valores humanos. Mas isso é totalmente impossível, na família ou na escola. Viver exige conviver e viver bem exige conviver bem. Como conviver bem e humanamente sem observar os verdadeiros valores morais e sociais? Como adquirir tais valores sem uma educação que os priorize?
Estamos falando de educação familiar e de educação escolar e, se elas existem, são insuficientes e não cumprem satisfatoriamente o seu papel.
Como nunca, a educação é uma prioridade gritante. O único caminho capaz de restaurar os verdadeiros valores humanos, sociais, políticos e religiosos.
O que hoje se define como qualidade de ensino ignora essa verdade, preocupando-se com uma elevada carga de conteúdos disciplinares que atendem à demanda do mercado e não à plenitude da vida. E o pior é que os pais acabam, por falta de tempo, de interesse ou de consciência do problema, aceitando isso como próprio dos tempos modernos. Estamos esquecendo que educar é preparar para a vida, para que possamos ter em nosso meio cidadãos de verdade, seres humanos integrais e íntegros, plenamente conscientes de seus direitos e deveres, comprometidos com o bem-estar próprio, mas sobretudo voltado para os outros, para uma sociedade mais humana e fraterna.
Bem sabemos que “toda família deveria ser uma escola, onde se aprende a grande arte de amar, de respeitar, onde se brinca, se joga, se chora, se reza e se praticam os relacionamentos pessoais, sociais”, e que “toda escola deveria ser uma família, onde os laços do amor se ampliam, cresce o respeito pelo diferente, adquire-se cultura e sabedoria para viver os princípios da cidadania e da solidariedade fraterna.” [2]
Por diversos motivos, “sabemos que a família não consegue cumprir bem o seu papel. O mesmo acontece com a escola. Existe, na prática, uma preocupação maior de passar informação, do que de colaborar com a família na formação do cidadão. E por que as coisas estão assim? Porque infelizmente a família nem sempre acompanha, avalia, critica e colabora com a escola. A grande maioria dos pais se dá por satisfeita quando consegue matricular e manter os filhos na escola. Os que têm maior poder aquisitivo acham que os filhos estão bem se foram matriculados numa “boa” escola particular. Afinal, o que é uma boa escola? É aquela que prepara para o vestibular? Que profissionaliza? Que dá merenda? Que tem informática, judô, balé, natação, etc.? É aquela que distribui camisinha? As perguntas parecem simples, mas exigem muita reflexão. A escola sendo colaboradora da família na formação de cidadãos tem um papel relevante na continuidade dos valores que foram passados em casa. Para isto a família deve estar atenta e caminhar junto.” [2]
Se não basta que a escola apenas passe instruções, temos que ser atuantes e atentos. Que valores ela cultiva? Quais ela agride? Quem são os professores? Não podemos ignorar que a escola influencia fortemente nossos filhos, para o bem e para o mal. Se escola, família e Igreja trabalharem juntas na formação de cidadãos, certamente os resultados aparecerão...
Nas acertadas palavras de D. Rafael Llano Cifuentes, “educar os filhos hoje é uma tarefa extremamente complexa. [...] Os pais têm que dar aos filhos uma real capacidade para escolher, diante das diferentes opções de vida, qual é o caminho certo. Especialmente hoje, diante de modelos culturais tão diferentes, os
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