Publicado: Quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Salathiel de Souza questiona: Há corrupção em Itu?
Camila Bertolazzi
Estamos acostumados a ligar o termo “corrupção” (do latim corruptus) a “apodrecimento; putridão”. Entretanto, a palavra também pode ter o significado de “quebrado em pedaços”, cujo uso é menos comum. A corrupção é um mal que quebra a sociedade brasileira por dentro.
Há vários tipos de corrupção. Há a corrupção moral e dos costumes, por exemplo. Porém, 99% das pessoas liga o termo imediatamente ao meio político, mesmo sabendo que a corrupção existe também no sistema judiciário, nas empresas privadas ou nos esportes.
De modo geral, corrupção é corrupção. E ponto final. Não existe corrupçãozinha. Pagar uma cerveja para que o guarda de trânsito faça vista grossa, é corrupção. Subornar funcionário público em troca de liberação de taxas, também é. Sonegar imposto maquiando a contabilidade da firma é outra forma de corrupção, mais elaborada.
Infelizmente a corrupção existe em todas as esferas. Em todos os países. Ela anda por toda parte, porém com mais evidência no universo da política. Chego a pensar que a corrupção seja onipresente. Está em todas as partes do planeta. Dentro e fora da consciência humana. Assim sendo, deve estar em também em Itu.
A grande mídia veicula diariamente dezenas de casos de corrupção Brasil afora. Próxima de completar 50 anos de fundação, nossa capital federal deixou de ser símbolo da era dourada de Juscelino Kubistchek. Brasília é hoje um lugar de negociatas e transações, de atos secretos e nomeações arranjadas, de armações políticas e farras de passagens aéreas pagas com o dinheiro público.
Sobre Itu a nossa mídia regional quase nunca destaca esse problema. Particularmente, nunca fiquei sabendo de casos de corrupção entre os políticos que atuam na cidade. Vez em quando a gente ouve algumas histórias, mas sabe como é: o povo tem o costume de falar demais e, provar que é bom, nada.
Confesso que o assunto me deixa confuso. Sei que há corrupção em solo ituano deve existir. Mas nunca a vi de verdade. Ela fica assim como um saci, uma bruxa ou um fantasma. Não sei se existe mesmo, mas que deve haver, deve. Ou seria o nosso município o único ponto do universo agraciado com a inexistência dela?
Os políticos, nossos governantes e legisladores, carregam o fardo da desconfiança geral do povo brasileiro. Já dizia Esopo, o lendário autor grego da Antiguidade: “Nós enforcamos os ladrõezinhos e indicamos os grandes ladrões para cargos públicos”. Ou seja, a coisa toda não vem de hoje...
É certo que não se pode generalizar. Há corruptos também entre médicos, advogados, jornalistas e assistentes sociais. Mas a classe política que me desculpe: merece tal pecha pelo tanto de material que nos fornece diariamente. É como diria o cartunista, escritor e humorista Ziraldo: “No Brasil, homem público é masculino de mulher pública”.
Não vejo problema algum que um político enriqueça durante a carreira. Aliás, é algo quase impossível isso não acontecer. Afinal, o salário de vereadores, prefeitos, governadores, deputados, senadores e presidentes é muitas vezes mais alto do que a média salarial dos brasileiros comuns. Porém, há casos absurdos de enriquecimento.
Citarei alguns nomes de expressão nacional, sem fazer juízos de valor. Baseio-me apenas em dados fornecidos pelos próprios políticos à Justiça Eleitoral. O senador Renan Calheiros, por exemplo. Em 1978, ao ingressar na política, tinha apenas um fusquinha. Hoje seu patrimônio estimado é de 10 milhões de reais. O atual deputado Jader Barbalho tinha um carro e uma casa própria em 1974. Hoje seu patrimônio beira os 30 milhões de reais.
Se você tem idade suficiente, faça um esforço para recordar quais eram suas posses na década de 1970. Em seguida, veja o patrimônio pessoal que tem atualmente. Agora me responda: algo se compara às façanhas descritas acima?
Renan e Jader, para quem não se recorda, têm algo em comum. Ambos ocuparam a presidência do Senado federal e tiveram que renunciar ao posto após denúncias de corrupção feitas pela imprensa nacional. Outra coisa em comum é que, mesmo assim, ambos continuam reinando na política, com mandatos legítimos concedidos pelo sábio (sic!) eleitorado brasileiro.
Pesquisas comprovam que a corrupção faz a economia nacional perder entre 3% e 5% de seu Produto Interno Bruto (PIB) a cada ano, algo em torno de 75 bilhões de reais. Para se ter uma ideia de como o rombo é grande, basta saber que o governo investe atualmente cerca de 4,5% do PIB em Educação. Ou seja, o dinheiro perdido com a corrupção é o meu, o seu, o nosso. Quem participa dos esquemas de corrupção até pode sair ganhando. Mas a nossa sociedade perde sempre.
Seria bom ser tomado de vez pela ingenuidade e imaginar que um dia o Brasil ficará livre da corrupção. Infelizmente, só posso acreditar em sua diminuição caso tenhamos uma imprensa cada vez mais livre e independente dos órgãos governamentais. Uma reforma no sistema político já é necessária há vários anos e isso também influenciaria para melhor. Fora isso, uma real punição para os corruptos também não seria má ideia, só para variar.
Enquanto esses dias gloriosos existem apenas na minha imaginação, comunico aos leitores e leitoras que estou procurando sócios para dois empreendimentos com enorme potencial econ&ocir
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