MUSA CAIPIRA
por Cornélio Pires em "QUEM CONTA UM CONTO...."
“Temos sobre a mesa a original estréia do nosso conterrâneo Cornélio Pires, que, sob o nome de Musa Caipira, fez editar pela conhecida Casa Magalhães, em São Paulo, uma série de belas e espirituosas poesias, escritas em dialeto caipira.
O livro contém noventa e cinco páginas, impressas em bom papel, com uma gravura representando um caboclo, de viola ao peito, na capa, e na primeira página, o retrato do autor em palestra com um caipira, tocando este a sua viola e picando aquele um fumo torres.
Dedica o autor o seu primeiro ensaio a Amadeu Amaral, e sem prefácio, entra em seguida no assunto. Abre o seu livro a Casa Rústica, onde o autor debucha, como em ligeira aquarela, o cenário onde o seu espírito observador de poeta vai crear os tipos de sua imaginação. Ali descreve Cornélio Pires a casa do homem das florestas, com as suas paredes toscas e utensílios caseiros:
Eis a casa de um homem das florestas:
as paredes apenas barreadas,
solo cheio de covas; pelas frestas
entram résteas de sol enfumaçadas
As paredes da sala, para as festas,
são de anúncios e santos enfeitadas;
Mobílias toscas, frágeis e modestas
tripeças pelo uso envernizadas.
Varas-de-anzol, uma espingarda e a viola
com que o caboclo – quando em desafogo –
em alegres descantes se consola.
- Eis a casa do Bino ou do Mendonça,
onde, todas as noites, junto ao fogo,
narram-se lendas e caçadas de onças.
O leitor que conhece o poeta, sente-se tentado logo à leitura desse belo soneto, lendo o livro todo, saboreando a graça toda característica com que ele foi escrito.
|
|
|