Sustentabilidade
Socióloga que se dedica às questões de sustentabilidade - do meio-ambiente, da sociedade e do indivíduo. É empreendedora no ramo de produtos orgânicos.
Sustentabilidade
Publicado: Quinta-feira, 28 de janeiro de 2010Este pretende ser o primeiro de uma série de artigos sobre este tema tão atual quanto abrangente, uma vez que é usado nos mais diversos contextos além do meio-ambiente, onde se originou: empresa sustentável, comunidade sustentável, construção sustentável, praça sustentável, moda sustentável, luxo sustentável, e até mesmo o cidadão ou o governo podem ser sustentáveis.
Detalharei o que se esconde atrás destas idéias nos próximos artigos.
O conteúdo todo pode, também, ser transmitido através de palestra dada em troca de doação (fraldas, leite em pó, cestas básicas, etc.) para instituições filantrópicas da cidade, a combinar.
Hoje começarei definindo o conceito e pincelando a evolução histórica do mesmo.
O termo sustentabilidade é emprestado da engenharia florestal, com base na recomendação de Hans Carl von Carlowitz de 1713: se quiser manter a floresta, só derrube tantas árvores quantas ela consiga repor por si mesma.
Somente em 1987 surgiu o termo “desenvolvimento sustentável” e foi
formulada, no Relatório Brundtland da ONU, sua definição atualmente mais utilizada: Desenvolvimento sustentável é aquele que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de futuras gerações em satisfazer suas próprias necessidades. Ou seja, a sustentabilidade tem a ver essencialmente com o longo prazo.
Até a década de 60 do século passado não eram comuns as preocupações com a sustentabilidade e o meio-ambiente, até que o ano de 1972 traz 2 importantes inovações: a ONU lança o primeiro Programa de Proteção ao Meio-Ambiente em sua Declaração sobre o Ambiente Humano, e na Nova Zelândia é lançado o “Values Party” (em tradução livre: Partido dos Valores), que foi o primeiro partido ambientalista em âmbito nacional, transformado em Partido Verde em 1990. Na mesma época, em 1971, é fundada no Canadá a ONG Greenpeace.
Em 1988 é criado, dentro da mesma ONU, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), do qual participam 130 países, com o objetivo de acompanhar o processo das mudanças climáticas e verificar se a ação humana as estava influenciando ou não. O órgão não executa pesquisas próprias, mas sim avalia as informações de 2.500 cientistas voluntários através de um extenso relatório emitido a cada 5 anos. Em 1995 o IPCC concluiu que a atividade humana estava, sim, provocando mudanças climáticas.
Um dos eventos que projetou definitivamente o tema na mídia foi a Cúpula da Terra, mais conhecida como ECO-92 do Rio de Janeiro. Ali, entre outros, foi formulada a Agenda 21 Global, uma carta de intenções de 359 páginas assinada por 179 países. Propondo um novo padrão de desenvolvimento, seu lema é: “pensar globalmente, agir localmente”, com base no tripé que lhe serve de base: ecologia + social + economia = sustentabilidade
Ou seja, somente atividades ecologicamente corretas, socialmente justas e economicamente viáveis são realmente sustentáveis. No Brasil a bandeira da Agenda 21 foi agitada sobretudo pelo Ministério do Meio Ambiente como um instrumento de planejamento participativo para o desenvolvimento sustentável (veja em http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&idEstrutura=18&idConteudo=575&idMenu=9065).
Após consultar 40.000 pessoas em debates e encontros estaduais e regionais, a fase 1 (1996-2002) foi de construção, seguida da fase 2 de implementação, em que foi elevada a programa dos Planos Plurianuais. Há também diversas Agendas 21 locais, como em Jundiaí, Porto Alegre, Porto Seguro, Vitória, etc. E existe mesmo a Agenda 21 pessoal, que se baseia na definição do cidadão sustentável, que vem a ser aquele que: a) compreende que suas ações repercutem e interferem na qualidade de vida de outras pessoas, na comunidade e no meio ambiente; b) é consciente que, como consumidor, é capaz de influenciar o rumo da economia, buscando opções mais sustentáveis; c) como fabricante ou prestador de serviços, compreende a amplitude do impacto que seu serviço/produto gera na sociedade (clientes, fornecedores, funcionários e suas famílias, entorno, etc.); d) conhece seus direitos e deveres e não espera por mudanças de/em governo e empresas: se mobiliza, se organiza e parte para a ação.
Após consultar 40.000 pessoas em debates e encontros estaduais e regionais, a fase 1 (1996-2002) foi de construção, seguida da fase 2 de implementação, em que foi elevada a programa dos Planos Plurianuais. Há também diversas Agendas 21 locais, como em Jundiaí, Porto Alegre, Porto Seguro, Vitória, etc. E existe mesmo a Agenda 21 pessoal, que se baseia na definição do cidadão sustentável, que vem a ser aquele que: a) compreende que suas ações repercutem e interferem na qualidade de vida de outras pessoas, na comunidade e no meio ambiente; b) é consciente que, como consumidor, é capaz de influenciar o rumo da economia, buscando opções mais sustentáveis; c) como fabricante ou prestador de serviços, compreende a amplitude do impacto que seu serviço/produto gera na sociedade (clientes, fornecedores, funcionários e suas famílias, entorno, etc.); d) conhece seus direitos e deveres e não espera por mudanças de/em governo e empresas: se mobiliza, se organiza e parte para a ação.
Em 2000 foi lançada, por iniciativa da ONU, a Carta da Terra, um belíssimo documento, uma espécie de Declaração dos Direitos Humanos, só que mais abrangente, pois é voltada para a sustentabilidade do meio-ambiente e da natureza, do qual fazem parte os seres humanos. A carta contém 16 princípios básicos agrupados em quatro grandes tópicos: respeitar e cuidar da comunidade de vida; integridade ecológica; justiça social e econômica; democracia, violência e paz. Veja o texto completo em http://www.cartadaterrabrasil.org/prt/text.html.
Outro marco importante na evolução do tema foi o Protocolo de Kyoto, um tratado internacional de 1997 para a diminuição de emissões de gases de efeito estufa (GEE), considerados os maiores responsáveis pelo aquecimento global. Ele entrou em vigor somente em 2005, após 55 países o ratificarem, e prevê, por parte dos países desenvolvidos, a redução em 5,2% de CO2 (com base nos valores de 1990) entre os anos de 2008 e 2012.
A recente (dezembro de 2009) 15° Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, conhecida como COP (Conferência das Partes) 15, foi considerada uma decepção por ter resultado somente num vago compromisso, o Acordo de Copenhagen, de limitar o aquecimento global a 2°C. De positivo, elacolocou em evidência um grupo de países composto por África do Sul, Brasil, India e China, que tomaram a dianteira na estipulação de metas concretas de combate à mudanças climáticas. Mas, acima de tudo, a COP-15 trouxe a ameaça representada pelo aquecimento global para o centro das atenções, lembrando-nos que ele não será resolvido apenas pelos governos, pois a tarefa é grande demais. Todos nós - empresas, mídia, indivíduos e governo - precisamos contribuir, e muito, se não quisermos que nossos filhos e netos paguem a conta pela exploração irresponsável dos recursos naturais do nosso planeta.
Copyright 2013 Itu.com.br. Todos os direitos reservados.

