M. Elizabeth Mota
M. Elizabeth Mota

Cuidando dos seus olhos

Oftalmologista pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP. Membro Titular do Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Atende em seu consultório, em Itu.

Déficit de Lágrimas

Publicado: Quinta-feira, 6 de março de 2008
Pequenas medidas que ajudam na lubrificação dos olhos e melhoram a qualidade de vida
 
Todo mundo já passou pela situação: depois de horas a fio diante da tela do computador; a visão começa a ficar embaçada, e os olhos, vermelhos. A sensação de ardor e areia nos olhos incomoda tanto que você não vê saída a não ser fechá-los por alguns minutos.
 
Se esse quadro descreve o que você sente com uma certa freqüência, é grande a possibilidade de você ter olho seco. Sintomas como ardor, ressecamento, fotofobia, corpo estranho e até lacrimejamento apontam para a condição multifatorial que tem se tornado cada vez mais comum nos consultórios de oftalmologia. Cerca de 15 % dos pacientes se queixam de alguns sintomas pelo menos em parte do dia ou em determinadas situações. Além da predisposição individual, fatores externos como problemas nutricionais, ar-condicionado, uso de diurético, anti-histamínicos, lentes de contato, cirurgias prévias no olho e terapia hormonal também contam.
 
Um aspecto que tem chamado a atenção dos pesquisadores é a importância da freqüência de piscar do paciente. A maioria dos estudos indica uma taxa de oito piscadas por minuto, o que faz com que o intervalo entre cada piscada seja de 7,5 segundos. A idéia é a seguinte: se o paciente pisca a cada 7 segundos, mas seu filme lacrimal demora 4 segundos para se romper, ele tem um déficit de 3 segundos em que a sua superfície ocular está totalmente desprotegida. E é nesses 3 segundos que o paciente sentirá desconforto ocular. Muitos fatores afetam a freqüência de piscar. O paciente que pisca mal certamente terá sintomas de olho seco.
 
Tratamento pró-lágrima
Por ser multifatorial, o tratamento varia de acordo com o paciente. Ele pode atuar na preservação da já escassa lágrima ou estimular sua produção, e nessa briga vale tudo: colírios, géis, pomadas, soro autólogo, plugs lacrimais e até intervenção cirúrgica. Algumas medidas simples podem aliviar o desconforto causado pelo olho seco, como evitar coçar os olhos; usar óculos escuros que cubram bem os olhos ao andar na rua ou na praia; colocar plantas ou um aquário para aumentar a umidade do ambiente; controlar o ar-condicionado; ingerir ômega-3 encontrados em alimentos como sardinha ou semente de linhaça, pois ajuda na lubrificação do olho.
 
Apesar de a maioria dos casos que chegam ao oftalmologista ser de olho seco suave, existem os casos graves da doença, geralmente relacionados a uma doença sistêmica, como a síndrome de Sjögren ou Stevens-Johnsons. Um estudo conduzido em 2003 pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com portadores de olho seco grave mostrou que a qualidade de vida desses pacientes se equiparava à de pacientes terminais de aids. Esses pacientes não enxergam bem, têm desconforto ocular o dia inteiro, têm que pingar a medicação corretamente.
 
Portadores de olho seco, uni-vos
Criada pela iniciativa de portadores de olho seco, familiares, médicos e com o apoio da indústria farmacêutica, a Associação Brasileira de Portadores de Olho Seco (APÓS) tem o objetivo de conscientizar a população brasileira sobre a existência da doença, seu diagnostico e tratamento, além da busca da melhora da qualidade de vida dos portadores de olho seco por meio de informação e educação. Para mais informações, acesse www.apos.org.br.

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