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Publicado: Quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Futebol de botão: passatempo que virou esporte é levado a sério em Itu

Futebol de botão: passatempo que virou esporte é levado a sério em Itu
O futebol de botão evoluiu, ganhou regras e novos materiais e se tornou esporte de alto rendimento

Por André Roedel

O que é apenas um passatempo para muita gente é tratado com seriedade por alguns ituanos. O futebol de botão, que faz a diversão de crianças e adultos há décadas, é praticado por um grupo fiel de botonistas no tradicional Bloco do R, em Itu. Mas para eles o correto é futebol de mesa (ou futmesa para os mais íntimos), um esporte de alto rendimento reconhecido pelo Ministério dos Esportes desde 1988.

O início do futebol de mesa é incerto. O esporte pode ter sido originado de algumas brincadeiras infantis populares nos séculos 19 e 20. Mas foi o futebol convencional que inspirou o jogo que conhecemos hoje. Botões de camisas e casacos eram usados para representar os jogadores, por isso o nome “futebol de botão”. Um dos pioneiros do jogo foi o brasileiro Geraldo Cardoso Décourt.

Por volta de 1929, Décourt começou a praticar o esporte, que chamou de “Celotex”, nome do material usado para a confecção das mesas. Em 1930, ele lançou o primeiro livro de regras, o “Regras Officiaes do Foot-ball Celotex”. Décourt conquistou o reconhecimento por seus esforços em popularizar o esporte e, na data de seu nascimento, 14 de fevereiro, hoje é comemorado o “Dia do Botonista”.

Com o passar do tempo o esporte foi se aprimorando, novas regras foram surgindo e federações começaram a ser organizadas para a realização de campeonatos oficiais. Os botões de camisas foram substituídos inicialmente por tampas de relógios e, mais recentemente, por peças modernas, feitas de acrílico, e todas decoradas com emblemas de times e nomes de grandes craques do futebol mundial.

Em Itu

Um dos adeptos do futebol de mesa em Itu é o funcionário público Robson Candiani, que joga desde o começo da década de 1990. “Comecei a jogar em 1993, lá no Ituano, onde hoje é o alojamento dos atletas”, conta. Mas o contato com o esporte começou antes, na infância. “Tinha um grupinho de amigos do bairro que se reunia nos finais de semana e fazíamos os campeonatos nossos”, relembra.

Nesses mais de 20 anos praticando o esporte, Robson participou de diversos torneios, conquistou alguns títulos, e, principalmente, fez várias amizades. “O futebol de mesa é o esporte que realmente faz amigos”, afirma. “Acabou o jogo a conversa continua, a amizade continua. Não é aquela rivalidade que a gente vê no futebol normal”, explica.

Outro atleta de Itu que joga há muito tempo é o serralheiro José Mário Pierrone, mais conhecido como Zé Mário. “Desde criança eu já brincava com o botãozinho normal. Depois, na década de 1980, mais precisamente em 1988, o seu Gildo Guarnieri começou a montar o departamento de futebol de mesa do Ituano, daí a gente começou a jogar lá. Foi aí que eu comecei a conhecer a regra oficial”, relembra.

Pioneiros

O Gildo Guarnieri citado por Zé Mário é o fundador da Indústria Gráfica Itu Ltda., a IGIL. Apaixonado pelo Ituano Futebol Clube e pelo futebol de mesa, ele foi um dos pioneiros e grandes incentivadores do esporte na cidade até sua morte, no início da década de 1990. “Todas as pessoas que jogam ou jogaram futebol de mesa em Itu, com raras exceções, começaram com ele”, conta o administrador de empresas Alexandre Augusto Bussaglia, sobrinho de Gildo e também adepto do esporte.

“Sei, pelos relatos familiares, que ele jogava, junto com os irmãos e amigos desde moleque, quando o futebol de mesa ainda era futebol de botão literalmente, jogado com botões de paletó, isso lá pelos idos dos anos 50/60”, relata o botonista, que tem uma coleção de mais de 30 times de futebol de botão do Palmeiras.

Alexandre diz que, obviamente, o futebol de mesa ituano não nasceu com Gildo, mas que não estaria no patamar de hoje, ou teria acabado se não fosse o empenho e o amor dele pelo esporte. “Ele comprava mesas, times, levava os botonistas para fora disputar campeonatos e organizava campeonatos em Itu numa época em que só havia esse tipo de competição na capital”, relembra.

Além de Gildo Guarnieri, vale destacar Daniel Roldan, uma lenda viva do futebol de mesa ituano. Ele também foi um dos pioneiros do esporte e ajudou a incentivar e disseminar a prática pela cidade. Roldan jogava com os irmãos Gildo e Antonio, Amgartem e também Dito Roque, ex-vereador e atual chefe de gabinete do prefeito Tuíze.

Nova geração

A nova geração do futebol de mesa ituano começou a aparecer nas décadas de 1980 e 1990. Nomes como os já citados Zé Mário e Robson Candiani, Ivan Valini e Sandro de Lima começaram a jogar nessa época, em campeonatos organizados por Gildo no Clube de Campo de Itu e, mais tarde, no departamento do Ituano. Em 1997 a equipe se transferiu para o Bloco do R, onde permanece até hoje.

De lá pra cá, porém, o futebol de mesa em Itu não vem ganhando novos adeptos. E como fazer pra mudar esse cenário? “É uma boa pergunta”, responde Zé Mário. “O jogador mais novo que a gente tem aqui é o João Pedro (Januário), e olha a idade que ele já tem, perto dos 30”, conta. Para ele, é necessária uma renovação no esporte.

Em 2014, por ocasião da Copa do Mundo, Zé Mário fez em parceria com o Colégio Forte Castelo um evento de futebol de mesa. “Eu conversei com a garotada pra tentar implantar o futebol de mesa. Deixei à disposição eu e o Bloco pra gente fazer uma clínica, mas infelizmente ficou só na conversa”, diz.

Zé Mário também se recorda do evento de troca de figurinhas do Mundial, que aconteceu no Bar e Restaurante Colombo, e contou com apresentações de futebol de mesa – mas que também não resultou em novos adeptos. “Eu acho que o videogame e o computador afastaram bastante. E precisa dos pais também para incentivar. A gente está à disposição aqui!”

Mas ainda há quem se interesse em começar a praticar o esporte. O protético Álvaro Garcia é um deles. Morando agora em Itu, o paulistano vem acompanhando os treinos do Bloco do R e se interessando cada vez mais pelo futebol de mesa. “Pra mim é uma novidade muito grande. Isso começou como uma brincadeira que meu pai me ensinou, eu estou passando para meus filhos, mas esse lado profissional é muito novo”, conta.

Uma das coisas que atraiu Álvaro ao futebol de mesa foi o clima de amizade. “O legal é o clima de amizade em volta da mesa, acho super legal isso”, diz. Agora, ele tenta passar o gosto pelo esporte também para o filho ad

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