Mesmo informatizadas, escolas públicas usam pouco a tecnologia em aula
Números são do Comitê Gestor da Internet no Brasil.
Renan PereiraRecente pesquisa aponta que, apesar de os computadores já terem chegado à maioria das escolas públicas brasileiras, eles ainda são pouco usados pelos professores em sala de aula. Esse é o resultado de um levantamento feito pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, responsável pela pesquisa Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) Educação 2010.
Realizada em 497 instituições de ensino municipais e estaduais de todas as regiões urbanas do país, a pesquisa identifica usos e apropriações das TIC’s nas escolas públicas brasileiras e aponta que falta capacitação para os professores saberem usar as máquinas e a Internet no ensino pedagógico. Apesar de todas as escolas pesquisadas terem computadores, 92% delas também terem acesso à Internet e 87% delas contando com banda larga, as atividades que os educadores mais realizam com os alunos – como exercícios para o treino e a fixação de conteúdo, interpretação de textos e aulas expositivas – são as menos praticadas com os computadores.
“É verdade que a tecnologia ainda pouco mudou a escola, mas isso não acontece por questões técnicas ou pela resistência do professor. O ponto de viragem do uso da tecnologia vale tanto para um PC quanto para a aurora anunciada dos livros digitais: chama-se projeto pedagógico”, afirma Antônio Sérgio Martins de Castro, coordenador pedagógico e gerente de mídias digitais do Ético Sistema de Ensino e do Agora Sistema de Ensino, ambos da Editora Saraiva.
Para Castro, as experiências mais bem-sucedidas da assimilação dos recursos tecnológicos são aquelas em que a escola se organizou de uma forma diferente para atender às demandas do mundo contemporâneo. “Nelas, são menos importantes as discussões sobre o que fazer com este ou aquele recurso (sejam lousas eletrônicas, celulares, tablets etc). Entram em jogo outros fatores muito mais desestabilizadores para a escola de hoje: elas tratam do tempo escolar, da organização da aprendizagem, do currículo e do papel do professor”, explica.
De acordo com o educador, nessas escolas, a tecnologia foi naturalmente incorporada em um projeto de ensino que não se conforma mais com as estruturas seculares que herdamos. “Elas foram assimiladas como aquilo que são: ferramentas. Assim como um dia o foram o livro, a lousa e o giz, por exemplo. A boa notícia é que não são necessárias revoluções, trata-se mais de uma tomada de consciência, da qual o projeto político-pedagógico é a plena expressão. Precisamos rever coletivamente o projeto pedagógico a fim de alinhar a escola com um tempo que não aceita mais as mesmas respostas – porque vive de novas perguntas”, finaliza o gerente de mídias digitais dos sistemas de ensino da Editora Saraiva.