Intercâmbio, um investimento para toda vida
Publicado: Sábado, 3 de dezembro de 2011 por Camila Bertolazzi
Em 2010, 160.000 brasileiros experimentaram esse desafio.
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| Durante a Copa do Mundo de 2010, intercambistas do Brasil, Colômbia, Kuwait e Chile torcem juntos |
Por Camila Bertolazzi
Muitas pessoas crescem com o sonho de morar fora do país, aprender uma nova língua e diferentes culturas. Eu não tinha essa vontade, mas decidi que essa era uma experiência que eu deveria viver, e fui. Mas eu não fui sozinha! De acordo com um relatório da Association of Language Travel Organizations de 2009, o Brasil ocupa a sétima posição no ranking dos maiores exportadores de intercambistas do mundo. Só em 2010 cerca de 160.000 brasileiros – 70.000 de São Paulo – experimentaram esse desafio. Esses números são reflexos de um mercado que tem crescido 20% por ano no país e movimentado 8 bilhões de dólares no mundo.
Apesar da atual valorização do real – um dos motivos que colaborou para o aumento desse número -, o intercâmbio ainda é um sonho para muitos brasileiros, que são “barrados” quando o assunto é dinheiro. Segundo a gerente da Just Intercâmbios de Itu, Isis Saker, os preços variam de acordo com o tipo de acomodação, companhia aérea e carga horária do curso. Outro fator determinante é a escolha do país.
Se você está à procura de um intercâmbio de curta duração (um mês), a opção mais barata é a África do Sul (R$6.000). Mas se você tem mais tempo e dinheiro, a Irlanda, afetada pela atual crise da Europa, é a opção mais em conta para uma temporada de seis meses. Independente da duração, a Austrália é o país mais caro – R$ 8.500 (1 mês) e R$ 25.000 (6 meses), valor encarecido principalmente por causa das passagens aéreas.
Mesmo sendo mais cara, muitos brasileiros optam pela Austrália que dá ao estudante a vantagem de poder trabalhar 20 horas semanais. Além disso, a população é mais receptiva e o clima é similar ao do Brasil, o que torna a adaptação dos estudantes mais fácil. “Todos voltam fãs dos países que moraram, mas eu percebo que quem estava na Austrália se identifica mais, devido às características parecidas com o Brasil”, afirma Isis.
Eu sou um exemplo vivo dessa paixão. Durante os quase nove meses que morei no país dos cangurus, me vi num misto de responsabilidade, diversão, descoberta, beleza, amadurecimento e muito aprendizado. Encontrei na música Smile, de Uncle Kracker, as palavras que sempre me faltaram para descrever o quão grande e essencial foi essa experiência para mim.
“You make me smile like the sun
Fall out of bed
Sing like bird
Dizzy in my head
Spin like a record crazy on a Sunday night
You make me dance like a fool
Forget how to breathe
Shine like gold
Buzz like a bee
Just the thought of you can drive me wild”
Veja a letra completa e assista ao vídeo da música!
Mas nem tudo são flores. Em meio às dificuldades, o sentimento de homesick se instala e tudo se transforma em saudades. “De repente me bateu uma saudade de casa e uma vontade que chegue logo o dia de voltar para minha vida real, para as minhas responsabilidades, para perto das pessoas que eu amo. Saudades de pegar o carro e dirigir sem destino, de comer um rodízio de carne, de sair com meus amigos para uma rodada de suco de acerola. Muita saudade! Essa vida é mesmo muito louca: ao mesmo tempo em que estou vivendo um dos períodos mais maravilhosos e exclusivos da minha vida, também sinto falta do que ficou para trás. Ao mesmo tempo em que eu desejo que isso nunca acabe, desejo que passe logo para voltar a ser como era antes. Eu sei, é estranho, mas é o que eu sinto!”, desabafei no meu blog em algum dia de setembro.
80% das pessoas que procuram a Just Intercâmbios buscam a fluência no idioma – 90% delas no inglês – mas, quando chegam ao país, “o inglês passa a ser apenas o primeiro passo que traz como consequência a descoberta de um novo mundo”, revela Isis.
High School
Outra experiência enriquecedora e inesquecível é o programa de High School, realizado obrigatoriamente por adolescentes entre 15 e 18 anos de idade. Apesar dos custos serem mais baixos, as exigências são maiores. O estudante deve comprovar que estudou a língua inglesa por no mínimo cinco anos e, através de um teste, que está preparado. “Flexibilidade e mente aberta também são exigidas para se adaptar no exterior, assim como o desejo de aprender novas coisas e fazer novos amigos”, salienta Isis.
Foi exatamente assim que a jovem Diana Dubner (www.eunocanada.com), na época com 16 anos, viajou para o Canadá, onde morou por cinco meses em uma casa de família. “Essa foi, com certeza, a melhor parte do meu intercâmbio. Eu vivi em uma casa completamente diferente da minha, com outros costumes e prioridades, o que foi muito bom para eu ver que o nosso jeito de viver não é o único. Além disso, eu tinha quatro irmãos – com 6, 4 e 2 anos, e uma intercambista alemã. Eles me receberam como se eu já fosse da família, e até hoje me sinto parte dela”, conta. Mas Diana também passou pelo problema “saudade” e, baseando-se nesse sentimento, fala o que, para ela, é a única parte negativa do intercâmbio: “é viver sempre com uma metade faltando”.
Os programas de High School são divididos em Público (escola pública e família voluntária), cujo valor é inferior, mas com exigências maiores; e Particulares (escola pública e famílias pagas), que tem como vantagem a escolha da cidade.
Os países mais procurados são, em ordem do mais caro ao mais barato, Nova Zelândia, Canadá, Austrália e Estados Unidos. Segundo valores fornecidos pela Just Intercâmbios, o programa semestral varia entre R$ 11.500 (EUA) e R$ 18.000 (NZ); e R$ 13.400 (EUA) e R$ 36.000 (NZ) anual. “A maioria dos adolescentes prefere os EUA, mas muitos não atendem às rigorosas exigências. A opção é pagar mais e estudar em outro país”, afirma Isis.
A preparação
A partir do momento em que alguém começa a pensar em fazer um intercâmbio até o dia em que o projeto finalmente sai do papel, muito planejamento precisa ser realizado. Alguns jovens chegam a ficar meses pesquisando até estarem certos da decisão tomada. É o caso do professor de Química Rodolfo Cardoso, que se programou um semestre antes, tempo que, para ele, foi suficiente para correr atrás de toda a documentação necessária.
O processo de visto varia de acordo com o país. Alguns deles – Nova Zelândia, África do Sul e países da Europa como Inglaterra e Irlanda - não exigem visto num período de 90 dias. Mas, independente disso, todos os consulados exigem que o estudante/responsável tenha estabilidade financeira e demonstre vinculo com o país de origem, o que provaria que o mesmo não tem planos de viver mais do que o tempo determinado em outro país.
Além de se preparar com antecedência, Isis Saker também recomenda um cuidado especial na hora de escolher a escola. “Além da qualidade de ensino, é importante verificar se a escola dá assistência ao aluno nas áreas de saúde, emprego e moradia, e se a instituição está bem financeiramente, para que não feche as portas no meio do curso”, aconselha.
Depois de tudo feito, é só esperar o grande dia. Na Irlanda, o ituano Rodolfo, de 26 anos, estudará inglês por seis meses e, em seguida, fará uma pós-graduação na sua área. “Minhas expectativas são as melhores possíveis, quero explorar ao máximo o país e sua cultura, e aproveitar para viajar pela Europa, visto que as passagens áreas são baratas”, conta.
Tem que aproveitar muito mesmo Rodolfo, porque um dia acaba e a ansiedade toma conta de novo. “Sabe aquele frio na barriga antes de ir na montanha-russa?! Estou sentindo exatamente isso... E tenho certeza que, com o passar das horas, essa sensação tende a piorar... Finalmente depois de exatos 9 meses eu poderei abraçar e beijar minha mãe, meu pai e meu irmão, e dizer pessoalmente o quanto eu os amos e como eles são essenciais na minha vida”, assim eu terminei minha saga diária no meu blog.
Leia as entrevistas completas dos intercambistas Diana Dubner e Rodolfo Cardoso!
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