Educação

Publicado: Terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Especialistas debatem relação entre criança e Internet

Aspectos positivos e negativos da web foram discutidos.

Mais de uma em cada oito crianças de 9 a 16 anos já passaram por situações constrangedoras na Internet. É o que afirma um estudo da EU Kids Online, projeto da London School de Ciências Econômicas e Políticas, na Inglaterra. A pesquisa foi publicada em outubro desse ano e apresentada no seminário “Criança e Internet: Desafios e oportunidades na sociedade da informação”, realizado no Itamaraty, em Brasília, no dia 16 de novembro.

O evento debateu diversos aspectos positivos e negativos do uso da web por crianças e adolescentes e contou com a participação de especialistas de diferentes áreas. Além de representantes do governo, outros convidados falaram sobre o assunto, como Guilherme Canela, coordenador de Comunicação da UNESCO no Brasil, Rosely Sayão, psicóloga e colunista da Folha de S.Paulo, e Thiago Tavares, presidente da ONG Safernet. O Projeto Criança e Consumo também estava presente, representado por Isabella Henriques, coordenadora geral do Projeto.

Mas afinal, a web é companheira ou vilã? A conclusão tirada do evento é de que a Internet já faz parte da vida da nova geração e de que é necessário orientar as crianças e jovens sobre como utilizar a rede de forma segura e saudável. “Apesar da televisão ainda ser a campeã na vida dos pequenos, a migração da TV para o computador tende a aumentar cada vez mais, principalmente com planos de democratização da banda larga no país”, diz Isabella Henriques. A criança brasileira é uma das maiores usuárias da rede no mundo – no País, 14% dos internautas são crianças de 2 a 11 anos, segundo pesquisa do Ibope Nielsen Online-NetView.

Para Thiago Tavares, da SaferNet, são três as prioridades nesse momento para criar uma política pública eficiente na defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes na rede: educação, adequação da Justiça e atendimento a vítimas e agressores nos casos de violência. “O processo de massificação do acesso à Internet, que pretende dobrar o número de internautas no Brasil em 4 anos, exige uma resposta imediata do Estado. A Justiça ainda usa métodos inadequados e incompatíveis com a dinâmica dos crimes cometidos na Internet”, comenta Thiago. Para ele, o assunto deve estar nas salas de aula e o governo precisa qualificar e capacitar os professores para lidar com o tema.

Em conjunto com secretarias estaduais e municipais de Educação, a SaferNet já capacitou mais de 3.500 professores, em mais de 350 escolas de 12 estados.”Estamos iniciando um trabalho junto com o Ministério da Educação, que disponibilizou o nosso material didático para a rede de ensino. É um começo”, diz. A ONG recebe aproximadamente uma denúncia de crime na internet por hora. De 2006 a 2010, foram mais de 400 mil páginas denunciadas, a maioria relacionadas a crimes sexuais.

Guilherme Canela, da UNESCO, concorda com a importância da educação no contexto da internet. Para ele, a escola brasileira não está preparando as crianças para as novas mídias, apesar de o Brasil promover as maiores eleições eletrônicas do mundo. Pesquisa realizada pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação, em 2009, evidencia a posição secundária da escola como local de uso de internet, já que somente 14% das crianças entrevistadas citaram a escola como o lugar onde mais a utiliza.

 Publicidade na rede

Durante sua apresentação, Isabella Henriques, do Criança e Consumo, lembrou que as crianças iniciam o uso da internet mesmo antes de serem alfabetizadas. Segundo dados da pesquisa do Alana feita pelo Datafolha, acessar a web e brincar no computador é uma das atividades de lazer preferidas por crianças de 3 a 7 anos, citada por 35% dos pais entrevistados. “Muitas das preocupações passam pela pedofilia, pelo bullying e por outros tipos de violência que precisam ser considerados numa política pública que garanta a proteção das crianças na rede. Mas também existe uma questão que é a comercial e que não deve ser ignorada nesse contexto”, explica Isabella. Ela lembrou da quantidade de publicidade dirigida ao público infantil na rede.

O excesso de mensagens comerciais direcionadas ao público infanto-juvenil pode acarretar uma série de problemas, já que crianças de até 12 anos são mais vulneráveis aos apelos mercadológicos. Pesquisa da Nielsen Norman Group, de setembro desse ano, constatou que as crianças não conseguem fazer a distinção entre propaganda e conteúdo na internet.

> Veja os resultados da pesquisa da EUKids Online

> Confira dicas e pesquisas sobre o assunto no site da ONG Safernet

Fonte: fonte: Criança & Consumo

Comentários