Bullying: você não está fora disso!

Publicado: Quarta-feira, 2 de dezembro de 2009 por Deborah Dubner

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Entenda o que é o Bullying e o que você pode fazer.

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Perseguir, amedrontar, dominar, bater, empurrar são algumas das formas de praticar Bullying
Por Deborah Dubner

É comum guardarmos lembranças de criança, nas quais somos maltratados e humilhados por crianças maiores ou mais "fortes" do que nós. Isso ocorre constantemente, e na maioria das vezes, os pais não são capazes de perceber o impacto dessas atitudes no emocional infantil. Um dos ambientes mais propícios para ocorrer o bullying é a escola. Infelizmente, em um dia a dia permeado pelo corre-corre, tarefas infinitas e obrigações a cumprir, o olhar para o sentir da criança torna-se anestesiado e muitas vezes omisso, não apenas dentro da escola, como também dentro da própria família.
 
O que fazer? Como educar o olhar atento? Como ter coragem de se posicionar diante de uma situação de humilhação? Como dar um passo para trás antes de rotular e humilhar uma criança? Como proteger nossos filhos de uma situação de bullying?
 
A psicóloga Milene Ferrazza Thomas desenvolve uma coluna no itu.com.br que trata especificamente do bullying em todos os seus aspectos. Milene, que é também coordenadora do programa “Seja a Mudança" no Brasil alerta em um de seus artigos: “Temos que estar vigilantes. Temos que estar conscientes principalmente se formos nós as pessoas com o poder e cada um de nós tem um certo poder em algum momento da sua vida. Ficamos tão perdidos com a sedução do poder que nem percebemos em quem estamos pisando."
 
Afinal, o que significa esse termo?
 
A palavra bullying tem origem no verbo de língua inglesa to bully, que significa maltratar. O substantivo bully pode ser traduzido também como "valentão". A Associação Brasileira de Proteção da Infância e Adolescência (Abrapia) define o bullying da seguinte forma: “É quando se usa do poder ou da força para intimidar ou perseguir os outros. As vítimas de intimidação normalmente são indefesas e incapazes de motivar outras pessoas para agirem em sua defesa.
 
O Bullying compreende todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente, adotadas contra outra pessoa, causando dor e angústia, e executadas dentro de uma relação desigual de poder. Portanto, os atos repetidos entre iguais e o desequilíbrio de poder são as características essenciais, que tornam possível a intimidação da pessoa. Em português não existe uma palavra capaz de expressar todas as situações de BULLYING. Mas algumas palavras podem passar a real dimensão do que significa: colocar apelidos, ofender, zoar, humilhar, discriminar, excluir, isolar, ignorar, intimidar, perseguir, assediar, amedrontar, dominar, bater, chutar, empurrar, quebrar pertences, etc. Tudo isso faz parte do grande caldeirão nomeado de Bullyng.
 
Os motivos das agressões, embora insignificantes para justificar ações dessa natureza, podem relacionar-se a aspectos culturais, étnicos, religiosos, sociais, financeiros, físicos ou comportamentais, como obesidade, estatura, timidez e outras características psicológicas absolutamente normais para um olhar generoso. No entanto, quem pratica Bullying – e não são poucos – parece estar em busca de motivos para exercer o seu poder.
 
Lar doce ou amargo?
 
A terapeuta familiar Claudia Pocci desenvolve um trabalho de equitação terapêutica com jovens e crianças em Itu. Sobre a questão do bullying, ela explica: “A criança que sofre esse tipo de coisa já carrega isso da família. De alguma forma ela traz essa herança do ambiente familiar, ou porque ela é a mais quieta, mais gorda, a única que usa óculos, etc. Se ela não se sente diferenciada dentro da família, ela dificilmente vai se colocar nessa posição. Olhando de forma sistêmica, a família é hiper importante, não acredito que é só a escola que faz isso. Uma família saudável não vai rotular uma criança. Do contrário, ela já vai para a escola com o rótulo embaixo do braço. O que faz eco dentro de uma criança ou jovem é o que ele vive dentro da sua família, dentro do seu lar.
 
E o que a familia pode fazer diante de uma situação de violência? “A família pode ajudar, acolher, amparar, durante o período escolar, e nesse caso, mesmo a experiência negativa vai fortalecer a criança e o jovem. Se a família ignora ou reforça, isso tudo vai ficar muito mais complicado para a criança elaborar”, afirma Claudia. No entanto - ela conclui - infelizmente as famílias estão pouco atentas a isso e as escolas têm cada vez menos condição de lidar com esse desafio.
 
Portanto, a atenção aos detalhes é fundamental. Sintomas como depressão, baixa-estima, ansiedade, abandono dos estudos podem dar o alerta de que algo não anda bem. O Bullying certamente pode não ser o único vilão, mas é primordial ter abertura e sensibilidade para perceber o entorno e o interno do seu filho.
 
Cyberbullying
 
Com os rápidos avanços tecnológicos, tudo o que se manifesta no mundo real é também transportado para o universo virtual. Assim como a Internet une pessoas em ações coletivas e proativas, o outro lado é igualmente verdadeiro. A violência pode se espalhar na Net com força e rapidez assustadora.
 
Cyberbullying é o termo que se usa para essa forma de intimidação que transpõe as barreiras das escolas e chega ao meio virtual. Uma das diferenças do cyberbullying é a suposta vantagem que o agressor possui pelo anonimato que a Internet pode oferecer. A preocupação de professores e famílias reside no fato de que os insultos virtuais podem se espalhar rapidamente, contaminando todas as pessoas que conhecem a vítima. Na Internet, as calúnias circulam através de redes sociais, emails, vídeos, blogs, mensagens instantâneos, entre outros, com uma velocidade muito maior do que teriam fora do mundo real. Os insultos podem assumir a forma de calúnias, ofensas, perseguições, rumores, boatos maldosos e imagens forjadas sobre a vítima.
 
De acordo com o especialista em comunidades virtuais e mídias sociais, Alan Dubner, não adianta os pais fazerem de conta que esse universo não existe. “Ignorar ou proibir não adianta nada”, afirma. “Pelo contrário, os pais precisam aprender a entrar nesse mundo com seus filhos, pois só assim poderão educá-los e ensiná-los sobre os perigos e as virtudes do mundo virtual. O Cyberbullying é de fato um perigo que deve ser levado em conta, tanto para aprender a se proteger quanto para que seu filho não seja – ele mesmo - um propagador dessa prática.”, alerta.
 
Por onde eu começo?
 
Quando nos deparamos com temas carregados de violência e desalento, é comum brotar um sentimento de medo misturado com impotência e desesperança. Mas entre o “nada posso fazer” e o “tudo posso controlar” existe um caminho possível. Na realidade, temos acesso a uma pequena parte do nosso cérebro e mesmo assim esse pouco é ainda maior do que o acesso que temos à vida que mora dentro de nossos filhos, parentes, amigos ou alunos. No entanto, não podemos nos esquecer que somos referência. Para os filhos, somos certamente a principal referência. Ensinamos através de nossos exemplos, gestos e atitudes. Ensinamos com a nossa própria vida.
 
Portanto, pode parecer pouco, mas existem inúmeras ações que estão ao nosso alcance. Impedir que a violência entre dentro de casa através de noticiários, novelas e filmes impróprios para crianças é apenas uma das possibilidades. Evitar rótulos aos filhos para não cristalizar imperfeições e inseguranças é outro desafio. Semear um olhar generoso e uma escuta atenciosa para os sentimentos de nossas crianças e jovens é um enorme convite. Abrir a porta para os sonhos e não apenas para obrigações estéreis não deixa de ser um gesto nobre e extremamente eficaz. Colocar-se na posição de aprendiz, pedir desculpas e aceitar erros é igualmente essencial e potencializador. Apertar o botão de “pause” antes de estourar e agredir pode ser uma forte intenção de vida.
 
Como você pode ver, amigo leitor, estamos diante de uma prateleira lotada de sugestões que estão diretamente relacionadas com a nossa atitude. O desejo de trilhar esse caminho e a coragem para corrigir rumos equivocados depende única e exclusivamente de cada um de nós. Que outros exemplos você incluiria nesta lista?
 
O Bullying existe sim e não está longe, nem fora. Quanto mais tomamos consciência de que somos propagadores diretos de paz ou de violência, mais ele se afasta ou se aproxima de nossas vidas. Para quais mudanças estamos prontos? O que estamos dispostos a abrir mão em nome da paz?
 
Fica aí nossa pergunta, para reflexão e transformação. A Nova Era convida para uma nova consciência que se manifesta pela ação. Todo dia é um convite para que cada um de nós exerça atitudes diárias de amor, compaixão e comprometimento. Estamos prontos? Estamos dispostos?
 

Dicas de sites
 
www.observatoriodainfancia.com.br
www.diganaoaobullying.com.br
www.stopcyberbullying.org
www.cyberbullying.us
www.bullyingnoway.com.au
www.criancaeconsumo.org.br
 
Dicas de livros
 
Brincadeiras que Fazem Chorar! Introdução ao Fenômeno Bullying
Autor: Camargo, Carolina Giannoni
 
Bullying: Estratégias de sobrevivência para crianças e adultos
Autores: Jane Middelton-Moz e Mary Lee Zawadski
 
Bullying: mais sério do que se imagina
Organizadores: Pedrinho Guareschi e Michele Reis da Silva
 
Bullying e Desrespeito - Como Acabar Com Essa Cultura na Escola
Autor: Marie Hathalie Beaudoin
 
Bullying Escolar - Perguntas e Respostas
Autor: Cleo Fante e José Augusto Pedra
 
Fenômeno Bullying: Como Prevenir a Violência nas Escolas e Educar para a Paz.
Autor: Cleo Fante
 
Garota Fora do Jogo
Autor: Rachel Simon
 
Honrar a Criança
Organizadores: Raffi Cavoukian e Sharna Olfman
 
Pedagogia da Amizade - Bullying - O Sofrimento as Vítimas e dos Agressores
Autor: Gabriel Chalita

Tags: bullying, comportamendo, educação, violência, escolas