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Publicado: Quarta-feira, 19 de abril de 2017

Projeto do ator Ricardo Vandré ajuda pessoas a superarem desafios

Confira entrevista sobre a ideia e os resultados alcançados!

Projeto do ator Ricardo Vandré ajuda pessoas a superarem desafios
Ricardo Vandré

Ele já participou de produções nas principais emissoras de TV aberta do país (Globo, Record e SBT), já escreveu, dirigiu e atuou em diversos espetáculos teatrais por todo o Estado de São Paulo e também em outras regiões do país, e agora está com um projeto inusitado, que tem como objetivo principal ajudar as pessoas. Um workshop de treinamento para as pessoas se autoconhecerem, por meio de jogos, dinâmicas e exercícios teatrais.

Num primeiro momento, o projeto é desenvolvido apenas em empresas. E, em todas nas quais já passou, o resultado tem sido extraordinário. Nesta entrevista concedida ao Itu.com.br, Ricardo Vandré fala um pouco desse projeto, desde a origem aos resultados que vem alcançando. “É gratificante e me deixa muito feliz ver os depoimentos das pessoas após o workshop”, afirma.

Itu.com.br - Depois de ter participado nos últimos anos de diversas produções nas três principais emissoras abertas de TV do país (Globo, Record e SBT), agora você está realizando um projeto bem inusitado que é esse Workshop de Treinamento. Como surgiu esse projeto?

Ricardo Vandré - A escolha da profissão de ator sempre foi alicerçada no meu sonho de emocionar e, de certa maneira, transformar as pessoas. A arte faz as pessoas pensarem sobre elas mesmas, sobre a sociedade, e se questionarem o que podem fazer de concreto para entender e melhorar o mundo em que vivemos. Quando desenvolvi e comecei a realizar o Workshop, tive a mesma intenção, de fazer com que as pessoas que passassem pelo treinamento tivessem também a bússola da vida mexida. Esse pequeno e sutil (às vezes não tão sutil... rs) chacoalhão causa pequenas modificações e melhorias psicológicas e comportamentais. Essas minúsculas mudanças na rota, com o tempo, e de maneira quase imperceptível, tem o potencial de gerar grandes transformações. Portanto, esse meu projeto está em perfeita harmonia com o meu propósito de vida. No Workshop eu utilizo o lúdico dos jogos, dinâmicas e exercícios teatrais para alcançar esse objetivo.

Itu.com.br – Hoje, é muito comum cursos de imersão que visam provocar essa mesma transformação. Por que usar o teatro como pano de fundo para esse treinamento?

Ricardo Vandré - Aqui entra uma história pessoal que me levou a escolher o caminho do teatro para provocar essa transformação. Fui uma criança extremamente tímida, com sérias dificuldades de relacionamento, e me sentia aprisionado em mim mesmo. Tinha um enorme mundo de pensamentos que não se exteriorizava, eu não conseguia agir em harmonia com aquilo que eu era por causa da timidez, do medo da reprovação alheia ou por conta de um autojulgamento muito cruel. Eu me lembro das incontáveis vezes que tinha uma vontade enorme de falar, propor algo ou responder a uma pergunta feita por um professor para a turma, mas não conseguia, tinha vergonha, medo de estar errado e, talvez, até de estar certo e chamar demais a atenção. Cheguei a desenvolver um problema de postura, eu andava o tempo todo olhando pra baixo e conforme fui crescendo, acabei ficando meio envergado (rs). Hoje, tenho certeza de que a minha postura física de me curvar era uma vontade inconsciente de ficar tão pequeno a ponto de desaparecer. Foi exatamente nesse momento mais cruel de prisão psicológica que o teatro surgiu como um desafio. Tinha que tentar algo pra mudar. O teatro, seus jogos, suas dinâmicas e exercícios, tudo isso me ofereceu, ao longo do tempo, todas as ferramentas que eu precisava para vencer a timidez e o medo, para me libertar e ser eu mesmo, estando certo ou errado, sem julgamentos; apenas ser mais presente. E não há nada mais importante do que estar presente.

Itu.com - Você quer dizer que essas experiências mudaram a sua vida?

Ricardo Vandré - Sei que funciona. Pode não funcionar para todos, pois temos nossas particularidades e nada pode ser entendido de maneira absoluta, mas o que vivi me dá a total integridade de realizar o Workshop com a leveza e a certeza de algo que passou por uma prova real: a minha.

Itu.com.br - Pelo que entendi seu problema não era apenas a timidez...

Ricardo Vandré - Como disse, antes a timidez era a parte externa do meu problema, era o que as pessoas viam em mim, um jovem fechado e calado. Dentro existiam problemas tão ou mais sérios, eu me julgava muito e me punia demais, tinha medo de sobra e de quase tudo, sentia-me inferior em muitos sentidos. Enfim, uma verdadeira cartilha para a infelicidade. Quando, hoje, olho para a minha história de vida... a faculdade de Direito, advogar por cinco anos e ter a coragem de deixar a advocacia com o forte argumento de que almejava ser feliz e não encontrava isso na advocacia, os trabalhos em teatro e TV, toda essa história de vida não parece nem em mil anos com aquele garoto que eu era na infância. Daí, vieram algumas perguntas: como andei mais de mil anos em tão pouco tempo? O que me fez ter força, coragem, determinação, foco e tudo mais que precisei para chegar até aqui? Quando descobri a resposta, percebi também duas coisas muito importantes. Primeiro, a clareza de que poderia ensinar o caminho. E, segundo, a certeza de que tenho o dever de ajudar os que possuem algumas daquelas características tão limitantes que eu tinha. Quando digo que posso ensinar não há nisso nenhuma pretensa arrogância, pois somos todos, hora alunos e noutros momentos professores. O que sei, tenho o dever de ensinar e o que preciso aprender alguém tem a obrigação de compartilhar. Essa é a força da informação que leva à evolução.

Itu.com.br - Seu Workshop nasceu então dessa sua história pessoal?

Ricardo Vandré - Quando fiz meu curso profissionalizante no Teatro Escola Macunaíma, lembro que pelo menos uns 30% dos alunos matriculados não estavam lá com a intenção de se formarem atores para fazer dessa arte a sua profissão. Eles estavam lá por diversas razões muito pessoais: diminuir a timidez, falar em público com mais desenvoltura, se comunicar com mais clareza, saber lidar com os imprevistos do dia a dia, ser mais proativo... enfim, eram advogados, arquitetos, publicitários, vendedores, pessoas que buscavam no curso de teatro ferramentas de auxílio para suas limitações (o mesmo que aconteceu comigo na infância). Acontece que num curso profissionalizante, num curso mais extenso, o aluno precisa passar pela teoria, pelo estudo dos grandes pensadores do teatro, de autores e suas obras, tudo ligado ao imprescindível conhecimento de quem vai fazer dessa arte sua maneira de viver. Isso, muitas vezes fazia com que aqueles 30% que buscavam aquelas soluções particulares deixassem o curso antes de vivenciar as mudanças que a arte pode realizar. Quando sistematizei o workshop levei em consideração tudo aquilo que os jogos e dinâmicas podem oferecer para quem não deseja ser ator e, claro, potencializei com ações e exercícios que toquem diretamente na ferida que precisa ser curada. Através do lúdico dessa arte, auxilio para que os participantes descubram dentro si mesmos as ferramentas que precisam para que, de forma mais rápida e direta, encontrem o que vai ajudar nas suas necessidades.

Itu.com.br - Por você ser ator e o Workshop usar o teatro como processo, as pessoas não ficam pensando que vão ter que representar durante o treinamento?

Ricardo Vandré - Já desmistifico isso de pronto. Não tenho essa intenção, e também nem proponho que os participantes passem a teatralizar suas funções ou ações, nem durante o treinamento e muito menos fora dele. O Workshop se utiliza das dinâmicas para ajudar o participante a descobrir ou reencontrar suas qualidades, virtudes, talentos e valores para que, depois desse reconhecimento ou reencontro, possa fazer o ideal uso desse seu ‘eu’ verdadeiro. Assim como no teatro, nossa vida é feita de desafios (no teatro dizemos conflitos) e durante o treinamento também funciona assim: eu estabeleço os desafios, entrego uma ferramenta (que pode ser um objeto, uma história ou um gatilho mental) e cada indivíduo, tendo em vista suas qualidades, virtudes e valores, apresenta a sua resolução. Sem julgamento, sem certo ou errado, pois o que interessa é a ação que levou àquela resolução. Não esquecendo que o importante é que essa ação esteja em harmonia com o seu ‘eu’. Isso acontece de forma natural, pois, durante o treinamento, as pessoas se desprendem do ego, das convenções sociais e podem ser quem realmente são.

Itu.com.br - Esse treinamento tem a ação como foco? É isso mesmo?

Ricardo Vandré – Sim. Ao invés de uma palestra, que tem seu grande valor, mas que trabalha muito mais a memória emotiva da audiência, o Workshop usa duas memórias: a emotiva (ativada pelas histórias que contamos, lembramos e que nos conectam) e a memória física, pois, ao realizar as dinâmicas (solucionar conflitos segundo suas virtudes) a ação física que o seu corpo realizou não será esquecida pela sua mente, nem tampouco pelo seu corpo. Já é muito estudado e comprovado por psicólogos e neurocientistas o fato de que a relação corpo-mente é uma grande influenciadora dos nossos resultados. Ter o conhecimento de que o seu corpo não comunica apenas para os outros o que você sente, mas também é capaz de comunicar ao seu cérebro aquilo que você precisa, é uma chave que utilizo muito durante o Workshop.

Itu.com.br - Explique um pouco mais sobre essa relação corpo-mente.

Ricardo Vandré - Vou simplificar aqui o resultado de uma centena de pesquisas feitas pelos mais renomados cientistas da nossa época. Já é provado que nossas ações físicas são capazes de causar mudanças psicológicas, comportamentais e fisiológicas. Estou dizendo com isso que através de ações físicas podemos: 1- nos SENTIR mais confiantes, eficientes e otimistas, 2 – PENSAR em nós mesmos de forma mais positiva e abrir caminho para a criatividade e persistência, 3- mudar nosso COMPORTAMENTO para nos tornarmos mais afirmativos e dispostos a aproveitar as oportunidades 4 – alterar FISIOLOGICAMENTE nossos níveis hormonais, podendo, por exemplo, diminuir o cortisol (hormônio do stress) e elevar a testosterona (hormônio da assertividade). A ansiedade diminui. Tudo isso, enfim, nos dá acesso a uma verdadeira farmácia desencadeada por ações físicas. Sei que tudo isso mereceria uma longa conversa para uma compreensão mais clara dessa relação corpo-mente. Para quem quiser aprofundar esse conhecimento, indico assistir ao vídeo do TED da Amy Cuddy (está no Youtube) ou ler seu livro intitulado “O Poder da Presença”. De fato, o que fazemos durante o Workshop é acionar, em diversos momentos, essas ações físicas para que os participantes colham seus benefícios e resolvam os conflitos em harmonia com os seus mais autênticos “eus”. A lembrança dessa conquista será recordada, facilitando um melhor desempenho sempre que formos chamados a agir com coragem e confiança. Dessa forma, deixaremos de atribuir nosso bom desempenho a causas externas, como a sorte, e passaremos a entender tais conquistas à luz de nossas virtudes, valores e talentos.

Itu.com.br - Como tem sido o resultado prático desse Workshop?

Ricardo Vandré - Por uma questão estratégica, esse treinamento está sendo realizado apenas em empresas. Fiz essa escolha porque, na minha experiência como ator e depois de participar de uma dezena de eventos empresariais de final de ano, percebi que as empresas, em regra geral, se preocupam muito em treinar seus funcionários nas funções que realizam, ou nos treinamentos obrigatórios e, quando se voltam para o ser humano por trás daquela função, tudo se resume quase que exclusivamente a essas ações de final de ano. Sei que essas ações integram e divertem, mas esses colaboradores precisam de “mais”. Quando começam sua jornada de trabalho não deixam do lado de fora todos os seus conflitos; continuam sendo pais, filhos, maridos e se somam a esses conflitos pessoais os da função que exercem. Então, o Workshop tem como foco trabalhar dentro das empresas esse colaborador que, assim como traz seus conflitos pessoais, traz também suas virtudes, talentos e valores. Todos ganham, a pessoa que fica mais ciente das suas capacidades de solucionar conflitos e a empresa que terá um colaborador mais proativo e focado.

Itu.com.br - Para empresas de que segmento você tem realizado o treinamento?

Ricardo Vandré - O Workshop tem sido realizado em diversas empresas de ramos muito diferentes: empresas de tecnologia, alimentícia, indústria, comércio, agropecuária. O resultado? Os depoimentos, que são minha grande alegria e podem ser vistos na apresentação do nosso projeto. Mas, em resumo, digo sem medo que estamos mexendo de forma íntegra e responsável para melhorar vidas.

Itu.com.br - Então, se eu quiser fazer o Workshop preciso que a empresa na qual trabalho te contrate?

Ricardo Vandré - Por enquanto, sim. O Workshop está ganhando um formato para atender mesmo quem não está numa empresa. Mas isso só deve acontecer mais pra frente. Isso acontece porque durante o treinamento toco de forma direta em questões e problemas estratégicos de cada empresa. Na reunião de briefing, a empresa elenca seus principais desafios com aquele grupo ou setor e no Workshop os colaboradores são chamados a encontrar as soluções para aquelas demandas. Quero ressaltar que já tivemos num mesmo grupo diretoria, produção, atendimento e vendas, cada um trazendo para as dinâmicas sua ‘expertise’ e juntos solucionando problemas diversos. Somos todos ensináveis. Por exemplo, na área de produção, o professor é o encarregado e o diretor é o aprendiz.

Itu.com.br - Se alguém ou alguma empresa quiser conhecer mais sobre seu Workshop de treinamento, como deve fazer?

Ricardo Vandré - Vou deixar aqui um telefone para quem quiser receber a apresentação do Projeto de Treinamento e conhecer mais sobre o Workshop. O telefone é (11) 4023-1558 e celular (11) 97623-2193. Nas próximas semanas o site do treinamento estará no ar, assim como uma série de vídeos sobre todo o processo.

Itu.com.br - Pra encerrar, fique à vontade, o espaço é seu...

Ricardo Vandré - Quero agradecer ao Itu.com.br por essa oportunidade e afirmar que todos temos em nós a solução para grande parte dos problemas que nos afligem. Precisamos de mais autoconhecimento. Precisamos compartilhar informação e, principalmente, precisamos agir. A ação é a chave para todas as mudanças que procuramos. Como diz uma frase atribuída a Confúcio: “O que eu ouço, eu esqueço. O que eu vejo, eu lembro. O que eu faço, eu entendo”.

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