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Schola Cantorum: proporcionando o Ensino da Música Sacra em Itu

Publicado: Quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016 por Vitória Caleffo


Em 20 de fevereiro, o projeto estará completando um ano.

Vitória Caleffo/Itu.com.br
Foto
Integrantes da Schola Cantorum de Itu

Por Vitória Caleffo

Itu é uma cidade com uma rica e forte tradição ligada ao canto coral e seus grupos. São vozes de jovens e adultos que encantam por onde passam, trazendo a beleza e a emoção que a música pode proporcionar. Valorizar essa prática está se tornando cada vez mais importante para a cultura da cidade e do país, uma vez que tais características musicais vêm se perdendo pelo tempo. Pensando nisso, nasceu no dia 20 de fevereiro de 2015 um novo projeto cultural: a Schola Cantorum de Itu.

Com a iniciativa vinda da parceria entre o Instituto Cultural de Itu, mantenedora do Museu da Música e a Paróquia de Nossa Senhora da Candelária, o projeto foi criado para formar grandes cantores dentro das paróquias, estimulando assim o Canto Gregoriano (Música Sacra). "Pensamos em por que não criar uma Schola Cantorum em Itu, que tem toda uma tradição religiosa, e com tanta gente boa na questão musical", comenta Fátima Oliveira, Preparadora Vocal do Grupo.

Além disso, ele visa à valorização do repertório mantido pelo Museu da Música de Itu que está ligado a Música Sacra Tradicional. "A Schola Cantorum nasceu de um sonho antigo ligado ao desejo de divulgar o acervo do Museu, e também para melhorar ainda mais a qualificação dos cantores que já atuam nas igrejas e também os que ainda pretendem", afirma Luís Roberto de Francisco, Diretor Musical da Schola.

Em apenas um ano proporcionando esse ensino musical em Itu, o grupo já pode comemorar o interesse e a aceitação do público, que vem acolhendo o trabalho com carinho e saudosismo. Motivos para acreditar que o trabalho dessa escola está e fará ainda mais bem para os ouvidos dos ituanos.

A Valorização do Canto Gregoriano

Muitos dizem que o Canto Gregoriano é um canto do passado, porém, o que muitos não sabem é da extrema valorização que ele possui para o Conselho Vaticano II, tornando-se o canto oficial da igreja católica. Contudo, ao longo do tempo, sobre tudo no Brasil, ele foi perdendo espaço.

Retomar a lembrança desse canto, principalmente pela beleza de detalhes que possui, foi o que fez com que a Schola Cantorum desse início a esse projeto inovador. "A fé leva a pessoa a beleza, e a beleza leva a pessoa a fé. O Canto Gregoriano é uma expressão muito bonita de arte, sendo assim algo que valia a pena valorizá-lo", comenta Francisco.

O Canto Gregoriano possui uma linguagem diferente da música "tradicional" que estamos acostumados a ouvir, ele carrega consigo uma estrutura medieval, possuindo apenas uma melodia. "O Canto Gregoriano não necessita de um instrumento musical. Ele é um canto que permanece por séculos e não se extingui, justamente pela sua beleza de levar as pessoas ao encontro de Deus", Maestro Paulo Zeppini, Regente da Schola Cantorum.

Assim, fazer com que as pessoas conheçam a "riqueza" desse canto, é algo que a Schola Cantorum também está buscando trabalhar com esse projeto.

Núcleo de Formação em Música e Liturgia

A primeira parte da proposta teve início no dia 4 de março de 2015, com a parceria da Schola Cantorum com o Núcleo de Formação em Música e Liturgia da Igreja Nossa Senhora da Candelária, que visa oferecer a formação musical e litúrgica para os alunos da cidade.

Dentro desse núcleo de formação, diversas atividades são executadas, dentre elas: a prática do canto coral, técnica vocal, teoria musical, aulas de liturgia, violão e teclado.

Com encontros realizados uma vez por semana, de lá pra cá o coro veio se aprimorando cada vez mais através da dedicação dos profissionais: Maestro Paulo Zeppini, que comanda a regência do grupo, Luís Roberto de Franscisco (canto coral), Fátima Oliveira (técnica vocal), Felipe Boni (teoria musical e canto coral infantil), Ari Mendes (violão), Ricardo Oliveira (teclado), Luís Roberto de Francisco (harmônio) e Padre Paulo Eduardo Ferreira de Souza e Gustavo Boni (liturgia).

"Ser regente de um coral é uma missão grande, pra mim que sou tão pequeno. Isso também tem sido uma escola, uma vez que faço aulas de canto lírico", relata Zeppini.

A função de cada profissional que agrega para a formação desses alunos é de extrema importância. Zeppini conta que seu trabalho como regente é justamente, a todo instante, colocar para os alunos essa proposta e esse desafio de observar o desenvolvimento de cada um dentro das aulas de técnica vocal, preparadas pela professora Fátima Oliveira. "Estou sempre corrigindo e ao mesmo tempo elevando os alunos, tentando sempre mostrar o potencial que cada um tem dentro de si. Eu costumo até dizer que cada aluno carrega consigo uma riqueza, um timbre de voz", declara o Maestro.

Evolução dos alunos da Schola

Dentre esse um ano de projeto, muitas evoluções ocorreram tanto para a Schola quanto para os alunos. Muitos dos que entraram no grupo, inicialmente tinham muito pouco ou quase nenhuma relação com a música. E hoje já demonstram bons frutos do aprendizado. "Começamos bem do início, para que eles pudessem entender como é o coro, como é a voz falada, a voz cantada, como se produz o som, como é controlar a respiração. Com isso, eles tiveram uma evolução fantástica", destaca Fátima.

Fora as novidades que a Schola proporcionou aos alunos nessa curta caminhada, também surgiram os desafios, mas nada que o empenho e a dedicação, tanto dos professores como dos alunos não fizesse com que o grupo, hoje com 16 cantores, não mostrasse o melhor de cada um. "Trabalhar dentro desse projeto se tornou um desafio, algo que estou me empenhado. Ainda tenho muito que aprender e aprendo muito com os alunos. Eles são muito bons e por isso merecem uma pessoa que possa tirar o melhor deles", conta a preparado vocal com o orgulho estampado no rosto pelos alunos que tem.

O resultado de todo esse empenho acabou resultando na participação do grupo em vários eventos de destaque da cidade, como por exemplo, a abertura da Porta Santa da Misericórdia, realizada no dia 6 de janeiro deste ano, que reuniu cerca de 20 mil pessoas. "O grupo acabou ficando bastante valorizado pela cidade pela oportunidade que tivemos em cantar o hino que veio da Itália, o hino oficial do ano da Misericórdia, onde cantamos a versão original com o grupo. Foi um momento em que todos puderam ver a Schola Cantorum", relembra Francisco.

Sem dúvida alguma a Schola Cantorum veio para fazer um resgate desse "estilo de música" tão importante e também, acima de tudo descobrir ainda mais as grandes vozes (cada uma com a sua beleza) que a nossa cidade tem a nos oferecer. "É todo um conjunto de fatores que somados, fazem com que o canto possa sair do coração e, sobretudo da alma", finaliza Zeppini.  

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