Cultura

Publicado: Terça-feira, 1 de agosto de 2017

Exposição "Trama e Veio" une obras de estudantes da UNESP no Galpão IV

Obras poderão ser vistas de 4 de agosto a 8 de setembro.

Exposição "Trama e Veio" une obras de estudantes da UNESP no Galpão IV
A pintura de Sandra Mazzini cria um desafio à fruição

A Fundação Marcos Amaro (FMA) incentiva a produção artística contemporânea através de iniciativas como o Programa de Residência, que permite a experimentação por meio da imersão, pesquisa e criação. Em 2016, em uma ação conjunta com a Residência Artística L.O.T.E (Lugar, Ocupação, Tempo, Espaço), criada pelos artistas Agnus Valente, José Spaniol e Sérgio Romagnolo, a FMA recebeu 40 estudantes da Universidade Estadual Paulista (Unesp) para uma imersão de oito dias, que resultou em trabalhos multidisciplinares - pautados em diversas linguagens possíveis em um laboratório experimental e sensorial.

O resultado deste processo é a exposição "Trama e Veio", com curadoria de Agnus Valente e obras dos artistas André Schütz, Gabriel Marcondes Egestos, Luísa Almeirda e Sandra Mazzini. A mostra poderá ser vista no Espaço Cultural Galpão IV, em Itu, de 4 de agosto a 8 de setembro. A entrada é gratuita.
 
As obras

Luisa Almeida apresenta a instalação Tropa, com suas mulheres guerreiras. São representações de mulheres trazidas à luz à força de um trabalho dedicado da artista em xilogravura de grandes formatos. Ao talhar a madeira, numa atitude procedimental simbólica, Luisa imprime a força e cólera dessas mulheres-luz a partir de cortes enérgicos e intensos contra a obscuridade das matrizes xilográficas e as dispõe, nesta exposição, em “displays” – prisma vertical de base triangular – numa espécie de presentificação emblemática no espaço expositivo. Com tais procedimentos, coloca-nos, espectadores, face a face, corpo a corpo, com toda a cólera e potência dessas mulheres ferozes em meio a iconografias conflitantes de cultura de massa, armas, adereços, fotografias de casamento e guerrilha – problematizando as visões preconcebidas e cordiais sobre o universo feminino.

André Schutz, em sua obra, articula construções plásticas na imagem em movimento, utilizando a fotografia e o vídeo para alcançar camadas de realidade – ou ilusão de realidade – por meio de atravessamentos significativos em imagens aparentemente cotidianas, afetando o espectador com slowmotions e compressões surpreendentes. Um aspecto marcante dessa produção é que sua obra se constrói em diálogo com os espaços e com os meios e pode ser fruída num cinema, numa galeria ou numa carcaça de avião em um complexo de fábricas desativadas. O artista explora, a cada caso, a materialidade do próprio meio de produção, suas estruturas, escala, equipamentos e aparatos, como também parece instar a ressignificação da obra em função dos ambientes onde é exibida.

A obra Nome, de Gabriel Marcondes Egestos, situa-se no interstício do poema e da imagem fotográfica. No aparente vazio desse hiato entre o som das palavras e o silêncio das imagens, a obra busca completar-se na mente e no tempo de seu fruidor/leitor. Instaura-se um tempo e espaço entre os corpos: corpo do espectador presente que transita, vê/lê a obra; e corpo fotografado do próprio artista, paradoxalmente presente e ausente, capturado e transitório, que se integra na quietude das paisagens duplamente capturadas, pela fotografia e espelhos d’água. O corpo como linguagem tem sido uma tônica em sua obra –– o corpo em movimento, em contorções, em performances, vídeos, pintura. Nesta reconfiguração do tema, constitui-se uma linguagem em que a medida é o corpo. O corpo no espaço expositivo e esse corpo do artista na fotografia, estático, concentrado, que surge como elemento da paisagem, repertório da paisagem como cada palavra compõe o repertório dos poemas.

A pintura de Sandra Mazzini cria um desafio à fruição: a obra se articula em diferentes camadas, visíveis umas através das outras, num jogo de entrelaçamentos, de alternâncias, oposições e complementaridades cromáticas que vão para além do reconhecimento da figuração – esta parece ser um motivo para o empreendimento pictórico. Além da precisão do trabalho, perceptível em cada pintura, e a dedicação nos grandes formatos, que amplia o tempo da produção, o efeito visual afeta a noção temporal na medida em que a visada da obra surge como uma somatória de tempos distintos de captura do objeto representado. Na recepção, o procedimento artístico empregado nessas pinturas amplia o tempo de percepção da obra, cria no ambiente um estado de contemplação.

Serviço:
Espaço Cultural Galpão IV
De 4 de agosto a 8 de setembro
Entrada gratuita
Endereço: Rua Padre Bartolomeu Tadei, 09 - Vila São Francisco, Itu/SP.
Terça, quarta e sexta-feira, de 10h às 18h

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