André Roedel: lições de Londres ao Rio de Janeiro

Publicado: Quinta-feira, 9 de agosto de 2012 por Camila Bertolazzi

O que a atual sede das Olimpíadas pode ensinar aos cariocas?

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Como sede das próximas Olimpíadas, o Brasil não pode fazer feio

De quatro em quatro anos, o mundo esquece um pouco dos demais acontecimentos para acompanhar o maior de todos os eventos esportivos: os Jogos Olímpicos. Sediada em Londres (como você bem deve saber), a competição de 2012 serve como um ensinamento para os cariocas não cometerem certos erros em 2016, quando receberão as Olimpíadas.

A capital de um país de 1º mundo enfrenta problemas de infraestrutura durante esta edição dos Jogos. É verdade! O trânsito na cidade britânica está pior do que a Marginal Tietê na hora do rush, conforme os próprios londrinos relatam. Além disso, o sistema público de transporte sofreu diversas interrupções que deixaram torcedores “na mão” enquanto as competições rolam. Se isso ocorre em Londres, imagina no Brasil!

O Rio de Janeiro - que há pouco tempo sofreu com a falta de estrutura viária durante a reunião da ONU sobre desenvolvimento sustentável (a Rio+20) - precisa correr contra o tempo. Desafogar o trânsito, melhorar o transporte coletivo e reformar aeroportos são alguns desafios da cidade e quatro anos para realizar todas essas obras (com uma Copa do Mundo de Futebol no meio) é pouco tempo.

As Olimpíadas também devem deixar um legado na cidade fluminense. A última vez que o Rio de Janeiro recebeu um evento similar aos Jogos, o Pan-Americano de 2007, isso não ocorreu. Um dos exemplos é o estádio de remo. Construído às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, o complexo esportivo foi destruído (sim, destruído!) para dar lugar a um cinema.

Outras instalações construídas para o Pan-Americano, como o Parque Aquático Maria Lenk, a Arena Multiuso e o Velódromo, seguem fazendo jus ao apelido de “elefantes brancos”, recebendo esporadicamente algumas competições. E olha que tudo isso custou mais de R$ 1 bilhão aos cofres públicos (somando investimento municipal, estadual e federal)! As obras têm que ser pensadas e planejadas para que, após o término das Olimpíadas, sejam utilizadas em benefício do cidadão.

Mas não é só em infraestrutura que o governo deve investir. Também é necessário apoiar quem mais precisa: nossos atletas olímpicos. Em 2016, o Brasil (por ser o anfitrião) terá representantes em todos os esportes presentes nas Olimpíadas. Modalidades que muitas vezes nem sabemos que existe e que nunca nem tivemos índice olímpico necessário para disputá-las.

Como sede das próximas Olimpíadas, o Brasil não pode fazer feio. Precisa conquistar, pelo menos, o dobro de medalhas que o de costume. Não, isso não é cobrança excessiva e sim o reflexo caso um forte investimento por parte do Governo Federal seja aplicado desde já.

Nosso país tem potencial para conquistar mais do que medalhas esporádicas. No futebol e vôlei somos fortíssimos, já passou da hora de sermos fortes na esgrima, polo aquático e badminton também. Cabe agora o preparo, o investimento e a percepção de que sem apoio não conseguimos nos impor no esporte olímpico.

Londres errou em alguns pontos, mas, no geral, vem fazendo uma boa Olimpíada. A capital inglesa tem muito que ensinar à capital carioca. O Brasil está preparado para receber um evento desse porte. Resta saber se o Rio de Janeiro terá capacidade para resolver os problemas de estrutura (ao mesmo tempo em que o Governo Federal promove o esporte olímpico no país) e conseguir organizar toda a burocracia em torno dos Jogos Olímpicos nesses próximos quatro anos. Tomara que consiga.

André Roedel estuda Jornalismo e mantém uma coluna sobre esporte no Itu.com.br. Curte mídias sociais, tecnologia, quadrinhos e tudo mais do universo do entretenimento. E também é corintiano doente.

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