Economia & Negócios

Publicado: Terça-feira, 1 de junho de 2010

Mídias sociais e o futuro do jornalismo é tema de entrevista

Alan Dubner fala sobre o fenômeno que está mudando o mundo.

Mídias sociais e o futuro do jornalismo é tema de entrevista
"Não haverá possibilidade para a sobrevivência dos novos jornalistas sem um profundo conhecimento em mídias sociais", diz Alan Dubner, idealizador do portal Itu.com.br

O idealizador do portal Itu.com.br, Alan Dubner, que assina também uma coluna sobre mídias sociais, participou recentemente de uma entrevista que integrará o trabalho de Conclusão de Curso “Mídias sociais e o futuro do jornalismo” do estudante de comunicação social, Felipe Ribeiro.

Segundo o estudante, ele chegou até o nome de Alan Dubner depois de várias pesquisas sobre o tema. Vale lembrar que Alan Dubner também é Consultor de Marketing Digital e proprietário da Cybermind Comunicação Interativa.

Confira a entrevista completa:

Felipe Ribeiro - Como o jornalismo pode ser influenciado pelas mídias sociais nos próximos anos?

Alan Dubner - Não haverá possibilidade para a sobrevivência dos novos jornalistas sem um profundo conhecimento em mídias sociais. Hoje a mídia social já pauta o jornalismo e o fará cada vez mais.

O terremoto no Chile, em fevereiro, exemplifica bem essa questão. Logo de manhã cedo a CNN deu cobertura total, mas divulgava pouquíssimas informações, enquanto nas mídias sociais se fazia um gigantesco esforço de agrupar o máximo de informações e ajudar os chilenos. A impressão que dava é que a CNN não tinha a menor ideia do que estava acontecendo enquanto na Internet centenas, milhares e depois milhões de pessoas se mobilizavam para ajudar. Quando ela divulgava algum número ou alguma informação da tragédia ela estava velha, às vezes com mais de 1 hora de atraso. Por volta das 10h da manhã a CNN resolveu divulgar o que aparecia nas mídias sociais e com isso também participou do esforço conjunto de ajudar as vítimas da tragédia e avisar os que receberiam o tsunami.

Enquanto um jornalista tradicional procura entrar em contato com todos os participantes para confirmar a informação antes de publicar, um jornalista 2.0 publica a informação e vai completando conforme consegue mais informações. Claro que o cuidado com o que se divulga continua sendo muito importante e talvez até mais pela vulnerabilidade do "em construção". No século XX o jornalista captava a informação diretamente do "fato gerador" e a transmitia para uma agência de notícias que tratava e distribuía a informação para os jornalistas que a retransmitiam para seu público através de seus veículos. Agora, o "fato gerador" transmite a informação diretamente para o público através das mídias sociais, o público retransmite a informação com algum "pitaco" pessoal. O jornalista escolhe as informações que lhe parecem mais relevantes, agrega valor e as publica em uma ou mais etapas. O público que segue essa mídia/jornalista responde com acessos, comentários e divulgação para sua rede. O jornalista recebe mais alguns "pitacos" do público e pode "retocar" a informação para ficar mais precisa e/ou com mais qualidade.

No mês passado a mídia social divulgou que o Lula foi escolhido o líder mais influente do mundo pela revista Time. A notícia se espalhou rapidamente por toda mídia e só foi descoberto que não era bem isso muitas horas depois, mas como a informação "boca a boca" se alastra independente do "reparo". Até o Serra deu os parabéns pelo seu Twitter. O jornalista 2.0 precisa estar bem atento para divulgar informações corretas. Esse será um dos talentos requeridos, juntamente com colaboração e ética. Portanto, o Jornalismo não tem mais como ficar fora das mídias sociais. Requisito importante e obrigatório!

Felipe Ribeiro - Corremos o risco de ter essas ferramentas banalizadas?

Alan Dubner - As ferramentas em si não, porque estão sempre mudando. A banalização da informação ocorre quando ela deixa de ser relevante. Seja pela enorme quantidade ou pela qualidade duvidosa, o valor que lhe atribuímos diminui. Veja, por exemplo, esse e-mail. Recebi durante uma semana bem atribulada, o que me fez ver as centenas de e-mails na diagonal e não cheguei a perceber o seu. Foi no Wordpress que vi sua mensagem alguns dias depois e fui procurar seu e-mail. A chance dele não ter sido lido era muito grande, apesar da minha disposição para atender quem se interessa pelas mídias sociais. O e-mail deve ficar obsoleto em muito pouco tempo. As mídias sociais serão o principal "terreno" de comunicação.

Veja o poder desse meio: não nos conhecemos pessoalmente, mas já estamos fazendo alguma coisa juntos que requer tempo de ambas as partes.

Felipe Ribeiro - Qual o perfil do usuário que utiliza as mídias sociais para fins jornalísticos?

Alan Dubner - Na palestra do Clay Shirky (na CICI 2010 em Curitiba), ele afirmou que não lê mais o jornal por causa da eficácia do Twitter em entregar informações e notícias relevantes. A velocidade com que todo mundo do mundo das mídias está entrando nas mídias sociais faz com que não consigamos mais traçar um perfil do usuário para fins jornalísticos... porque será TODO mundo!

Felipe Ribeiro - Como as mídias sociais podem ser úteis em empresas de grande porte, principalmente na comunicação interna?

Alan Dubner - A comunicação e o marketing deixaram de ser um departamento e passaram a ser uma atitude de responsabilidade da empresa como um todo. A mídia social é hoje o melhor caminho de promover uma experiência de relacionamento gerativo (que gera) interna e externamente falando. O chamado "customer experience" pode ser facilmente mensurado por essas ferramentas. Estamos na era da interatividade e, portanto, as empresas de grande porte deveriam fortalecer a cultura do uso de mídias sociais. Muitas ainda têm medo dela. Outra grande utilidade é quanto a gestão da marca (branding). Temos tido, cada vez mais, casos de prejuízos enormes à marca iniciados por um simples vídeo captado pelo celular e postado nas redes sociais. Acredito que, hoje, a grande maioria das empresas está olhando para isso, mas lamentavelmente a maior parte está sendo mal orientada. Basta ver os resultados desastrosos de muitas "campanhas" nas mídias sociais.

Felipe Ribeiro - Em sua opinião, qual das mídias sociais é a mais eficiente para o jornalismo? E para a comunicação corporativa?

Alan Dubner - Mídia Social é a "conversa" entre as pessoas e redes sociais são as ferramentas de mídia social. Portanto no sentido de "conversa" a mais eficiente para o jornalismo é aquela que chega na hora certa, no

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