Opinião

Publicado: Quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Bernardo Campos festeja o "ITU 400 ANOS!"

Crédito: Arquivo pessoal Bernardo Campos festeja o "ITU 400 ANOS!"
"Salve a Itu de filhos tão ilustres e de personagens que se ligaram profundamente à sua história"
Já vai quase esquecida a manhã de 5 de junho de 2008, em que na avenida Francisco Ernesto Fávero, deu-se o lançamento da campanha para comemorar os quatro séculos de fundação da cidade de Itu.
 
Erigiu-se ali, na praça Rotary, uma placa singela. Na mesma data e simultaneamente foram plantadas 400 palmeiras imperais em diversos pontos da cidade.
 
Era o começo, de certo modo até tardio. Resultado por sinal de iniciativa anterior, suscitada em meados de 2007, numa reunião ordinária da Academia Ituana de Letras, em que se indagava do que estaria a ser feito para o aniversário magno de Itu. O Executivo acolheu o lembrete e só aí decidiu-se criar o Conselho Organizador dos Festejos, sob a nomeação dos seus membros, este ato já em 2008.
 
Agora, em pleno 2010, é este o melhor momento para Itu redimir-se e se posicionar com altivez no cenário nacional, não só pelo seu passado, mas também por aquilo que venha a ser o seu presente e o seu futuro. Esse arrojo é legítimo e necessário para que Itu volte a se destacar no mapa do Brasil e seja, portanto, recolocada no patamar de outrora, de cidade ímpar.
 
Salve a Itu de tão gloriosas tradições de civismo, história e religiosidade.
 
Ergam-se bem alto os estandartes do seu passado, a Itu cognominada Fidelíssima num primeiro contexto e, noutro, de Berço da República, sem nenhuma contradição, portanto. Já o nobre epíteto de Roma Brasileira, fez por merecer ante a profunda convicção religiosa de seu povo.
 
Salve Itu da magnífica Matriz de Nossa Senhora da Candelária, do Convento dos Carmelitas, da Comunidade do Bom Jesus, da Igreja de São Luís contígua ao imponente conjunto da unidade militar local; salve Itu do Museu Republicano, do Colégio do Patrocínio.
 
Salve a Itu de filhos tão ilustres e de personagens que se ligaram profundamente à sua história, os nomes de primeira linha de Prudente de Moraes, Regente Feijó, Bento Dias de Almeida Prado, João Tibiriçá Piratininga, Adolpho Pinto, Padre Antonio Pacheco da Silva, Dom Antonio Joaquim de Mello, Almeida Júnior. Bem como de nomes outros mais recentes e tão dignos também com um Dr. Graciano de Souza Geribello, Waldomiro Correa de Camargo e Dr. Felippe Nagib Chebel.
 
E o que não dizer do insigne fundador desta terra abençoada, o intrépido capitão Domingos Fernandes, a quem, em reclamada homenagem, ergue-se finalmente uma estátua no centro de Itu. Um marco esplendoroso por todos os aspectos. Dívida que se paga.
 
Tenha-se na devida conta que esse breve rol de personalidades obviamente não é exaustivo na sua menção e sim composto de nomes que afloraram de momento, aleatoriamente. Todos vão se lembrar de quanta gente mais, no passado, teve influencia efetiva e meritória no elenco imenso de passos cívico-religiosos de que Itu é pródiga.
 
Salve a Itu que de seus personagens, três têm seu nome e sua vida junto ao Vaticano em processos de beatificação: Padre Bento Dias Pacheco, Madre Maria Theodora Voiron e Dom Gabriel Paulino Bueno Couto. Sabe-se que existem pouco mais de trinta processos de brasileiros falecidos em odor de santidade, a se constatar assim que cerca de dez por cento desse contingente é daqui.
 
Ituanos natos e de opção!
 
Levantem-se, mão no peito, fronte erguida, corpo ereto. Permitam-se impregnar de quanta emoção surja, sem pejo nem acanhamento. Saiam às ruas e aplaudam juntos – toda população – o bimbalhar uníssono dos sinos das igrejas de Itu, neste dois de fevereiro de dois mil e dez.
 
Ao dobre alegre e ruidoso dos sinos das centenárias igrejas se misturem a vibração e o entusiasmo da gente ituana, privilegiada, filha de uma comuna secular por quatro vezes! O toque animado e difundido vai ocorrer em três momentos no dia dois: às 6, às 12 e às 18 horas.
 
Sejam momentos da mais profunda emoção da população ituana! O extenso programa de festas, que até já começou, entre inaugurações que se perpetuam e marcarão a data aos pósteros e visitantes, como outras de ação passageira, seguem até o último dia de fevereiro. É consenso já que todo o ano de 2010 será consagrado por muitos outros eventos.
 
Não aconteça, porém de que só de ufanismo brilhe Itu.
 
Hora e vez de encarar e agilizar mil e uma providências.
 
Há conjuntos arquitetônicos imensos, felizmente aproveitados em outras ações e uso. Casos como a Fábrica São Luiz e seus anexos, a Maria Cândida e a Fabril Redenção. No entanto, ainda à espera de uma demonstração de apreço, o complexo enorme da Cia. Fiação e Tecelagem São Pedro e do Clube do mesmo nome e anexo.
 
Aprenderem as pessoas também a se unir em questões momentosas, sem discórdia nem egoísmo, em recuperações tantas. Outra, evidente e central, a do Ituano Clube.
 
Problema de ordem eminentemente social, a despropositada inflação do mercado imobiliário em Itu.
 
Conquanto em tom jocoso, fala-se de que ainda paira no ar uma espécie de ranço da rivalidade histórica entre jagunços e maragatos, tamanha a dificuldade de congregar cidadãos numa causa boa.
 
Haja uma ideia acolá, antes de que ao menos se faça dela análise em profundidade, de imediato brotam ponderações desanimadoras e os projetos fenecem. Tem-se visto muito se perder e diluir-se num nada melancólico pela diversidade de opiniões. Pois não corre entre a sabedoria popular a máxima providencial de que ninguém é dono da verdade?
 
Não se fala ainda da arraigada paixão política, desmedida, de que resulta há mais
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