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Internet: companheira ou vilã?

Publicado: Domingo, 10 de maio de 2009 por Guilherme Martins

Atualmente cerca de 1 bilhão de pessoas tem acesso.

Guilherme Martins / www.itu.com.br
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A estudante Ana Laura possui mais de trezentos amigos em sua página do Orkut
Por Guilherme Martins

Você tem Orkut ou MSN?”. Estas são as novas perguntas inseridas no meio social em que vivemos. Foi-se o tempo em que perguntavam o número do telefone ou do celular. A febre agora é a internet e a vida on-line.
A empresa eMarketer divulgou uma pesquisa informando que o número de pessoas no mundo com acesso a internet chegou a um bilhão, sendo que 25% delas operam através de banda larga ou conexões de alta velocidade.
Uma outra pesquisa realizada em outubro de 2008 pelo IBOPE/NetRatings revelou que a média de horas de navegação - em tempo individual - do brasileiro no referido mês foi líder mundial com a marca de 24 horas e 40 minutos.
Os países que mais se aproximaram do Brasil em tempo individual de navegação foram a França, que chegou a 23 horas e 10 minutos, e o Reino Unido, que ficou com 23 horas e 4 minutos.
Os sites de relacionamentos lideram a lista dos mais acessados. O estudo revela que 34,5% do tempo de navegação dos computadores domésticos é gasto em páginas como Orkut, MySpace e Facebook, além de blogs e fóruns.
A pesquisa revelou também que o total de pessoas de 16 anos ou menos com acesso em todos os ambientes (residências, trabalho, escolas, lan-houses, bibliotecas, telecentros), subiu para 43,1 milhões no terceiro trimestre de 2008.
O jovem Gabriel Rodrigues, de apenas 07 anos, já possui uma página no Orkut e não deixa de visitá-la diariamente. Seus pais apóiam a iniciativa, porém sob vigilância constante. “A internet é uma ferramenta que abre um leque de possibilidades se for usada corretamente, com supervisão adequada e de forma saudável e segura”, afirma Gislaine Rodrigues, mãe de Gabriel.
Ana Laura Alves é outro exemplo. Com 10 anos, a estudante possui mais de trezentos amigos em sua página do Orkut. “Adoro mexer no Buddy Poke (personagens em desenhos criados a partir do perfil de cada usuário), ver meus amigos e fuçar o Orkut dos outros principalmente”, brinca.
Liberdade com segurança
Todo este avanço, liberdade e acessibilidade trazem alguns contras. Vários casos de abusos, fraudes econômicas ou uso indevido destes referidos sites já foram documentados no Brasil e no mundo.
Numa tentativa de evitar este tipo de ação, no dia 10 de fevereiro é celebrado o Dia Mundial da Internet Segura. O movimento foi criado em 2003 pela Comissão Européia e teve neste ano a participação de 65 países, dentre eles o Brasil.
O principal objetivo é a conscientização dos internautas para o uso seguro e responsável da rede mundial de comunicações, e foram realizadas diversas atividades em parceria com uma série de instituições como Google Brasil e Comitê Gestor da Internet. O site oficial do evento apresentou links com materiais relacionados à segurança e um canal específico sobre o tema foi criado no YouTube.
 
A jornalista Patrícia Ribeiro, com mestrado em comunicação digital, afirma que os usuários têm que se conscientizar em relação à liberdade que a Internet propõe. “Falta domínio da tecnologia presente no dia-a-dia. Nunca estivemos tão expostos como agora, com as informações que passamos pelos diversos sites de relacionamento. A tecnologia representa a falta de privacidade e a rede permitiu uma vida mais aberta”, analisa.
Recentemente a Microsoft liberou para a Polícia Federal brasileira o acesso a um banco de dados a fim de rastrear casos de pedofilia pela internet. O acordo permitiu o uso do Sistema de Rastreio de Exploração Infantil (Cets, em inglês), para cruzar dados sobre esse tipo de crime.
 
No Reino Unido 138 crianças foram identificadas e resgatadas de situações de abusos e 240 pessoas foram presas graças à participação do Cets, segundo o mentor do programa, o canadense Paul Gillespie, presidente da Aliança para a Segurança de Crianças na Internet.
Quando questionada a respeito do uso desta ferramenta pelas crianças, Patrícia é metódica. “Não há como proibir uma criança de ter acesso porque assim ela estaria fora do contexto social em que vive, mas é necessário extremo cuidado e vigilância dos pais”.
Por fim, Patrícia salienta que, por se tratar de um meio onde todos podem colaborar fornecendo informações ou alterando o produto, o filtro da internet é a ideologia e ética de cada usuário. “Não há regras na internet, logo, seus valores fazem o controle deste meio de comunicação”, finaliza.
Tags: internet, orkut, msn