Publicado: Sábado, 10 de janeiro de 2009
Reforma Ortográfica não agrada leitores do Itu.com
Acompanhe o resultado da enquete e opiniões no fórum.
Deborah Dubner
Uma semana rendeu 319 votos na enquete sobre Reforma Ortográfica realizada no itu.com.br. A opinião maciça dos nossos leitores é contra a reforma, representando 66,46%. Do restante, 23,20% é a favor e 10,34 é indiferente.
Na Opinião da semana, Deborah Dubner abordou o tema em um artigo, que gerou grande participação dos leitores e muita polêmica.
Para a educadora Giselle Castro Fernandes, a Reforma Ortográfica gera um grande problema na alfabetização: “Crianças que começaram a ser alfabetizadas dentro de determinadas regras, agora se vêem obrigadas a desaprender! Os professores, com tanto conteúdo importante para se preocuparem, necessitam agora se preocupar com acentos e hífens... Isto é o Brasil, infelizmente...”. Giselle aponta que aeducação no Brasil está em 52º. lugar - entre 57 países - no exame PISA, que é um exame MUNDIAL! “O maior problema do Brasil é em matemática e interpretação de texto! Portanto, será que a reforma ortográfica ajudará o Brasil a sair dessa colocação vergonhosa?”, questiona.
Sobre o conteúdo da reforma, Giselle traz à discussão opiniões de outros especialistas: “O professor de português Pasquale Cipro Neto afirma que é uma reforma meia-sola, que não unifica a escrita de fato, enquanto que o escritor João Ubaldo Ribeiro afirma que é uma reforma tímida, que não faz grandes inovações.” E finaliza com o aspecto financeiro que esta decisão implica: “Outros críticos apontam para os custos da unificação, que incluem adaptação do corpo literário já existente pelas editoras.O custo médio de preparação e revisão de um único livro é, no Brasil, de cinco mil reais. Súbita obsolescência de dicionários, gramáticas e livros escolares, que terão que ser substituídos.”.
O leitor Roberto Angelo dos Santos salienta que o mais importante nesta questão da reforma ortográfica é justamente a barafunda que ela vai criar na cabeça das crianças e adolescentes das gerações seguintes. E polemiza: “Agora temos de engolir essa idiotice da reforma ortográfica. Nenhum país na história do mundo foi tão dócil a mudanças radicais e profundas assim. A ficção está se tornando realidade no Brasil; Esta "evolução" está sendo impingida de cima para baixo; não foi o povo que começou a escrever assim para, depois de um longo uso que se firmou em costume, consolidar-se em normas gramaticais. Foi um ato burocrático apenas.
Na opinião de Bruno Aranha, que está morando fora do país, o Brasil vai ter que "recuar", indo na contramão de alguns teóricos que defendiam até mesmo a criação de um idioma "brasileiro" a longo prazo. O leitor comenta também: “Voos? o circunflexo foi limado também? Putz, que coisa, tenho que re-aprender tudo isso quando voltar pro Brasil”.
Gilberto Catran alerta para o fato da pouca informação: “A ausência de informação massiva relativa ao porquê da reforma abre espaço para os questionamentos de sua utilidade”.
O leitor Sidarta da Silva Martins faz uma análise sobre os diferentes pontos de vista que podem existir de acordo com cada visão de mundo: “Um economista diria (sobre a reforma): " qual o custo disso?"; Um professor de português veria de outra forma; Um matemático iria fazer contas com números; Um poeta faria novas poesias; Um educador pensaria na cabeça da criançada; Um cantor pensaria na rima; Um filósofo, em como isso se encaixa na evolução do pensamento humano... e assim por diante.
Claudia Meirelles se mostra mais disposta a aceitar as mudanças: “Analisando bem, essa reforma não é assim tão difícil de entender, ela vai de encontro com a lógica da evolução da fala e da união da língua portuguesa pelo mundo. Acho particularmente, uma chatice, mas defendo que desaprender e sair da zona do conforto é necessário e estimulante.”
Seja como for, a mudança está aí, portanto, é bom se informar! Para ajudar, incluímos um Guia Prático, elaborado por Douglas Tufano, Professor e autor de livros didáticos de língua portuguesa.
A enquete desta semana quer saber sua opinião sobre qual o meio de comunicação que terá maior crescimento em 2009. Participe!
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