Cultura

Publicado: Quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Padre Bento, o Apóstolo da Caridade

Crédito: Arquivo Pessoal Padre Bento, o Apóstolo da Caridade
Durante 42 anos, pobres parias tiveram nele um pai, amigo e médico que cuidava de suas feridas
Vida e Obra do Servo de Deus
 
Por Francisco Nardy Filho
 
Padre Bento Dias Pacheco nasceu em Itu, na Fazenda da Ponte, em 17 de setembro de 1819, filho de Inácio Dias Ferraz e de dona Ana Antônia Camargo. De família rica, bem dotado intelectualmente, fácil lhe teria sido galgar posição invejável no cenário político e social de sua terra.
 
O velho Capitão Bento Dias Pacheco, seu avô, de quem trazia o nome, aspirava vê-lo doutor. Deus, no entanto, tinha outros desígnios. Desde toda eternidade, o escolhera para seu ministro. O “Bentinho” da Fazenda da Ponte seria Padre.
 
Ordenado sacerdote, pouco trabalhou em paróquias. Acontecimentos familiares exigiram sua presença à testa da propriedade agrícola de sua mãe, viúva. Ali, a convivência mais direta com os escravos deu-lhe bem a medida do amor ao próximo, e preparou-lhe o caminho para novas escaladas em busca do irmão necessitado.
 
Convidado duas vezes, pela Câmara, para Capelão do Hospital dos Lázaros, recusou, tal era o temor que, desde criança, sentia pela terrível moléstia. Um dia, porém, depois de muito orar, encheu-se de coragem. Vendeu tudo o que tinha, distribuiu o dinheiro aos pobres, despediu-se de parentes e amigos. Fez uma última visita a sua padroeira e madrinha, Nossa Senhora da Candelária, e rumou para a Chácara da Piedade, a fim de viver definitivamente junto àqueles que não tinham ninguém por si, despojados até mesmo do direito de viver entre os seus semelhantes.
 
Ali, durante 42 anos, aqueles pobres parias tiveram nele pai, o amigo, o médico que cuidava de suas feridas, o Cireneu que os ajudava a carregar a pesada cruz de sua temida doença. Indiferente ao cansaço, ao perigo de contágio, procurava acender, em cada coração sofredor, a lâmpada da esperança num mundo melhor, sem as vicissitudes deste vale de lágrimas.
 
Apesar de seu contato permanente com os enfermos, nesse longo espaço de tempo, morreu sem contrair moléstia. Faleceu em 6 de março de 1911. A cidade tributou-lhe as últimas homenagens. Seus conterrâneos, porém, respeitaram-lhe a vontade de ser enterrado entre os que tanto amara na vida.
 
Seu túmulo, em Itu, dentro da Igreja do Senhor do Horto, é muito visitado devido à fama de graças e favores alcançados por sua intercessão.
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