Cultura

Publicado: Quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Conheça Simplício

Crédito: Coleção da Família Conheça Simplício
Com um carregado sotaque interiorano, Simplício divulgava a cidade
Obra

Seu interesse pela carreira artística surgiu quando ele assistiu ao espetáculo de circo que passava por Itu. Simplício impressionou-se a ponto de deixar sua cidade natal e ir embora junto com os artistas do circo, tornando-se um deles.
 
Com a companhia circense rodou o interior do estado e grande parte do país, acabando por conhecer o ator Manuel da Nóbrega, que o convidou para trabalhar. Já morando na cidade de São Paulo, passou a trabalhar em programas humorísticos nas rádios Cultura (com o programa O Clube dos Mentirosos) e Pirapitininga (com o programa Torre de Babel). Itu também teve a honra de estar com ele no primeiro programa de humor transmitido pela televisão brasileira, A Praça da Alegria, veiculado pela extinta TV Tupi.
 
Simplício ainda passou pela Rede Record, Rede Bandeirantes e SBT, mas foi na Rede Globo, em 1967, onde ele começou a fazer o personagem que divulgava Itu como "a cidade onde tudo é grande" – que começou como piada mas acabou virando marca da cidade, tornando Simplício muito querido entre seus conterrâneos.
 
Numa das clássicas cenas de seu personagem que entrava em cena com a mulher Ofélia, e dizia o texto (com um carregado sotaque interiorano): "Vai, Ofélia, diga para o homem de que tamanho é a abóbora lá de Itu!" – e a mulher respondia, abrindo os braços: "É deste tamanho!" – e ele retrucava, bravo: "Não Ofélia, não é a pitanga, é a abóbora!".
 
Seu último trabalho na televisão foi no programa A Praça é Nossa do SBT.
 
Vida

Antes da carreira artística, Simplício trabalhou como vendedor em um armazém e numa fábrica de tecidos em Itu, além de ter sido pipoqueiro, engraxate, jornaleiro e vendedor de lanche nos trens. Ele gostava muito de música e tocava bateria; O humorista chegou a ser Secretário Municipal da Cultura e Turismo em Itu.
 
Simplício casou-se em 1959 com Helena Maria de Almeida com quem teve cinco filhos - Carmem, Péricles, Luiz Maria, Francisco Alberto e Luiz Eduardo - e vários netos.
 
Em uma de suas últimas entrevistas, Simplício contou que passou a ser chamado por esse apelido em sua estréia no circo, na cidade de Amparo, quando alguém o lembrou que ele precisava de um nome artístico. "Eu sempre fui um cara muito simples, quase simplório, aí começaram a me chamar de Simplício", disse ele.
 
Simplício morreu aos 87 anos na noite do dia 14 de fevereiro de 2004, no Hospital Sanatorinhos de Itu, vítima de uma hemorragia interna, decorrente da falência múltipla dos órgãos. O então prefeito de Itu, Lázaro Piunti, decretou luto oficial por três dias, e o orelhão e o semáforo gigantes da praça central da cidade - objetos inspirados pelo comediante e símbolos de Itu - amanheceram envolvidos por laços pretos.
 
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