Colunistas

Publicado: Domingo, 2 de novembro de 2014

A importância das competências não-cognitivas

 Durante muito tempo, e ainda hoje, usamos somente escalas de habilidades cognitivas para medir inteligência e competência de crianças e jovens. Mas essa teoria está caindo por terra. Muito, e já há bastante tempo, tem se falado e discutido (Que bom!) sobre inteligência emocional, habilidades socioemocionais, ou simplesmente resiliência. Resiliência é a palavra de ordem. E pode ser aprendida! Ela pode ser desenvolvida em crianças a partir de quatro anos de idade, e em adultos também.

 Pesquisas científicas na área da psicologia e da educação mostram que as habilidades socioemocionais são tão importantes quanto às cognitivas (avaliadas por testes de inteligência e conhecimento acadêmico) para a obtenção de bons resultados na escola, e tão ou mais importantes que elas para o sucesso no trabalho e na vida.

“Educação de qualidade” são palavras que escorregam com facilidade do discurso de gestores, mas estão longe da realidade.  O Brasil está, segundo o Piza 2012, em 58º lugar em um total de 65 participantes. Isso significa que estamos há anos luz de uma educação realmente de qualidade.

Temos uma cultura educacional antiga, um modelo jesuítico de transmissão de conhecimento. E com raríssimas exceções, mesmo quem fala que faz diferente não faz. Ou não consegue. É um árduo caminho, equilibrando-se entre a grande maioria dos pais e o andar pra frente.

As competências cognitivas são muito importantes, desenvolvem habilidades, ampliam as redes neuronais... Mas de nada adiantam se não existir competência socioemocional (ou competência não cognitiva), que nada mais é do que um conjunto de habilidades que nos permitem lidar com a diversidade de situações e exigências que nos são colocadas, impostas diariamente. Exigências que sobrecarregam nosso lado emocional, por vezes despreparado para lidar com adversidades. Nosso cérebro, por mais espetacular e cheio de potencialidades que seja, também precisa de cuidados, também adoece.

 Somos o equilíbrio entre razão e emoção. É preciso conhecer e se conhecer, evidenciando as nossas possibilidades e virtudes, e contribuindo para a construção de um mundo melhor, mais feliz!

Comentários