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Publicado: Sexta-feira, 31 de março de 2006

A sétima arte na educação

Considerando que a educação tem como uma de suas bases a relação entre os seres humanos e, considerando também que somos seres repletos de sentidos e relações, fica nítida a função do cinema como elemento importante na educação.

Não é por acaso que o cinema seja reconhecido como a sétima arte, não só por ser um entretenimento capaz de nos fazer viajar, mas também porque hoje, mais do que nunca, aliado aos artigos científicos, livros, jornais e Internet, o cinema incentiva a profundidade da análise, comparação, argumentação perante a vida.

A comunicação nos chama atenção de maneira diferenciada. Com os livros somos capazes de enveredarmos pelo enredo apresentado, na descrição das personagens, do tempo escolhido, do cenário desenhado por palavras e nos sentidos, que algumas situações relatadas nos mobilizam. Nos filmes, a comunicação ocorre de maneira mais ampliada; com o auxílio da tecnologia o roteiro desvenda tramas, mostra a aparência do personagem, mas cabe ao expectador perceber seu psicológico. Os filmes elaboram romances, mistérios e aventuras tendo sempre como elemento de fundo a música certa que nos permite sentir a emoção desejada e, como se não bastasse, o cenário fala através das luzes e fenômenos naturais facilitando a compreensão da história.

Toda cultura tem como objetivo a informação, aquisição do conhecimento e, dentre todas suas formas, a sétima arte vem nos brindar com a possibilidade de enxergarmos com mais clareza valores, ética, história, ciência, religião ou até mesmo compreender o mundo a nossa volta. A imagem seduz os seres humanos, despertando seus mais primitivos sentimentos como a dor, fome, amor, ciúme entre outros. Assim, quando podemos associá-la com a leitura, mesmo tendo visões distintas em relação ao contato entre leitores e expectadores, percebemos como enriquecemos nas descobertas de personagens, contextos, explicações, narrativas, emoções e conceitos, sejam eles históricos, literários ou científicos.

A magia da tela nos permite vivenciar todo tipo de acontecimentos: hediondos ou magnânimos. Visitamos os lugares mais misteriosos e fantásticos, ouvimos as vozes da natureza, as cores iluminam os sentidos e também os sentimentos de quem vê e de quem interpreta.

Inserir o filme como metodologia educacional é perceber a nítida diferença entre ver e olhar. Quando assistimos a um filme sem prévios conhecimentos, em geral o vemos superficialmente, quase como um ato mecânico, nos divertimos. Porém, quando olhamos as imagens, reconhecemos muito do que aprendemos. Dessa maneira, a diversão é só o começo, porque vamos além, chegando às nuances que diretor e autor colocaram; além do simples entretenimento e da informação, a paixão por esta arte nos é despertada.

O expectador que olha o filme é capaz de debater, aprender, defender idéias ali apresentadas, questionar sobre o ponto de vista analisado, apontar as transformações da linguagem escrita para a linguagem cinematográfica, enfim este indivíduo movimenta o conteúdo aprendido, fazendo com que esta experiência projete uma incrível continuação para o outro e para si mesmo, uma vez que nosso olhar muda a cada vez que assistimos ao mesmo filme.

A educação não é apenas feita de papéis, lousa e “giz”. A formação das pessoas tem como trunfo o cinema que, em conjunto com a literatura, música, fotografia, linguagens específicas, obras de arte, dança ou qualquer outra forma de expressão inventada pelo homem, firmam nosso grande propósito: o homem como algo único, integral.

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