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Publicado: Terça-feira, 24 de outubro de 2006

Decisão do vestibular

Muitos jovens, indecisos com a escolha de uma profissão, deixam para pensar no assunto apenas na 3ª. Série do Ensino Médio, às portas do vestibular. Resultado: prestam exame para Exatas e descobrem que sua vocação é para Humanas. Para que isto não ocorra é necessário coletar o máximo de informações sobre si mesmo e sobre as várias carreiras desde o Ensino Fundamental. É necessário ter em mente que, para escolher uma profissão, deve-se levar em conta muitos fatores, tais como: suas aptidões, suas habilidades, seus traços de personalidade, seus valores, estilo de vida que deseja ter, o prazer que a atividade proporciona, as possibilidades de formação que se tem, o tipo de ensino (universitário, tecnológico), o mercado de trabalho, o retorno financeiro e a contribuição que a profissão dá para a sociedade. Da mesma forma, sabemos que esta escolha sofre influência da família, dos amigos, da sua própria história de vida, da mídia e também do mercado de trabalho e o momento econômico do país. Porém, não se pode deixar que pese na escolha apenas um destes fatores. Como se pode ver, há um enorme trabalho de pesquisa a ser feito. Atualmente, temos inúmeras profissões e outras tantas surgindo a cada ano. É preciso se informar e se conhecer para não deixar passar nada.

Não é incomum o jovem chegar ao serviço de orientação profissional atolado em dúvidas. Menos raro ainda é constatar durante o processo de autoconhecimento que estava fazendo a opção errada, a partir de fantasias que criou a respeito da área.
Recordo de um garoto que estava optando pela carreira de Esporte porque identificava essa atividade com aquela que ele praticava como hobby. Depois ele se decepcionou com as matérias que constavam no curso, com as áreas de aplicação desta atividade e com as perspectivas profissionais. Assim, através da busca de um maior conhecimento este garoto pôde descobrir traços importantes de sua personalidade - que assumiram um papel fundamental na escolha da carreira. Ao longo do processo de orientação profissional, ele foi percebendo que era uma pessoa de senso crítico aguçado, que gostava de participar de debates envolvendo questões políticas e econômicas além de ter muita habilidade para lidar com números. Diante de algumas carreiras que preenchiam estes requisitos, o garoto optou por Ciências Econômicas.

Nem sempre o apoio da escola e dos pais são suficientes para ajudar o jovem na escolha da graduação. Nestes casos eles podem ser encaminhados para os profissionais formados em Psicologia e que realizam o trabalho de orientação profissional. O ideal é buscar ajuda no 2º ano do Ensino Médio. O trabalho, em geral, é baseado em 10 sessões, uma vez por semana, com duração aproximada de dois meses e meio. A Orientação Profissional não acena com propostas mágicas que acabam com as más escolhas profissionais (seria muita pretensão), mas propõe um meio de facilitar esta escolha através de uma reflexão pessoal quanto aos seus interesses, valores, habilidades e características pessoais, através de testes psicológicos, questionários, redações, entrevistas. A devolução é feita ao jovem e a sua família (no caso destes serem menores de 18 anos de idade), onde serão apresentadas as atividades profissionais que são compatíveis com suas potencialidades bem como as informações das diferentes profissões, seus respectivos campos de trabalho, remuneração entre outras. E para finalizar oriento para que participem de feiras de profissões buscando mais informações tanto sobre a atuação do profissional quanto sobre o curso conversando com profissionais e acadêmicos e conhecendo o cotidiano dos que estão no mercado de trabalho.

Como se pode constatar, é o jovem que assume as rédeas do seu processo de escolha porque, na verdade, quem escolhe é ele mesmo: mesmo que sua decisão seja determinada por pressões familiares, limitadas por condições econômicas, levadas pelo embalo de uma moda atual, restrita a poucas informações, dificultadas pelo seu reduzido grau de autoconhecimento entre outros fatores.

As conseqüências futuras estarão diretamente relacionadas ao grau de consciência ou envolvimento empregados no tempo presente, no momento da decisão. Pois sabemos que uma pessoa que exerce sua profissão com motivação está se realizando pessoalmente como também prestando um serviço de melhor qualidade à sociedade.

Para quem costuma dizer que sucesso profissional depende de sorte, só um lembrete: a palavra sorte, em hebraico, é formada pela raiz de três outras palavras, que significam tempo, espaço e oportunidade. Ou seja, ter sorte é estar no lugar certo, na hora certa, perceber isso e aproveitar a chance. É ser um elemento crítico e ativo nas escolhas. É escolher, e não ser escolhido.
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