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Publicado: Sexta-feira, 1 de setembro de 2006

Ética ecológica: uma alternativa para a sustentabilidade

O estudo e a preocupação com o meio ambiente e a natureza vêm tomando enorme proporção nas últimas décadas no Brasil e no mundo. Os desastres e as catástrofes ambientais parecem ter colocado o tema no centro das atenções da mídia nacional e internacional. Sabemos que o modelo antropocêntrico contribuiu muito para o atual estado de crise ecológica, a visão de que o homem é "o ser supremo do planeta" sempre desencadeou comportamentos contrários à idéia de convivência harmônica entre homem e natureza. Na visão antropocêntrica, os seres da natureza não têm valor intrínseco e são propriedade e domínio do homem.

Atualmente, o sistema capitalista domina as sociedades, o lucro e o acúmulo de capital assumem uma importância inigualável, valores morais e éticos são invertidos, lógicas são questionadas e a racionalidade humana passa a dar lugar a práticas insanas. A busca de alguns pela riqueza e por um melhor status provoca um desequilíbrio social; o lucro, o prestígio e o poder substituem valores mais importantes como o sentimento de enraizamento, o equilíbrio e a solidariedade; tudo passa a ter um valor de acordo com sua importância dentro desse sistema. O próprio ser humano é visto como recurso e acaba ficando refém das "novidades" que lhes são impostas por uma voracidade técnica inerente a esta racionalidade cruel e perversa.

Não bastasse isso, os cidadãos que concentram o capital e, conseqüentemente o poder, querem possuir, além dos valores materiais individuais, os valores coletivos e de bem comum dentre os quais a natureza. Esses valores vêm na forma de recursos naturais e têm como finalidade suprir a base material da espécie humana.

A humanidade sempre se utilizou da natureza no seu cotidiano, sempre a observou como uma fonte de recursos, apossando-se deles de forma avassaladora e com a idéia errônea de que são infinitos. Um exemplo clássico são os chamados "países desenvolvidos", a maioria deles começou a explorar seus recursos naturais sem nenhum planejamento fazendo com que boa parte destes se esgotassem rapidamente. A solução então foi apossar-se também dos recursos naturais de outros países, no caso suas colônias, levando a destruição ambiental muito além dos limites de onde ela começou.

Com o passar do tempo os resultados desta agressão foram surgindo e atingindo diretamente a humanidade, provocando conseqüências graves e mudando os rumos dos estudos sobre meio ambiente no mundo. Fica cada vez mais evidente a importância de se abordar assuntos com esta temática; é de extrema importância criar políticas corretas de manejo ambiental visando proteger ao máximo a natureza. Isso deve ser discutido constantemente e não somente na hora dos problemas que nos causam as mutações do clima, dos ecossistemas e de todos os aspectos físicos do planeta.

Surge então um modelo importante, a ética ecológica, que vem ganhando espaço no mundo todo, sendo debatida nas mais diversas esferas de pensamento. Ética vem do termo grego ethos e significa modo de agir e de ser, é a sabedoria de colocar a lei a serviço da vida, é como criar uma relação de convivência e cuidado consigo mesmo, uns com os outros e com a natureza, a terra, a água e todo ser vivo, a partir de uma consciência de interdependência. Deve-se discutir formas de contornar os problemas gerados pelo sistema capitalista sobre a natureza. Isso se dá através da elaboração de conceitos, discussão dos problemas que atingem a humanidade nesta questão e elaboração de medidas mitigadoras que possam ser aplicadas na prática não ficando apenas na discussão.

Existe uma ética ecológica quando superamos a relação de dono e proprietário da terra, dos animais e das plantas para a relação de que somos gerentes e zeladores da comunidade da vida da qual pertencemos como membros. É um padrão de comportamento que flui através da percepção de que todos pertencemos à comunidade global da biosfera. A humanidade deve compreender que a vida não surgiu no planeta pela competição, mas através da cooperação, de parcerias e formação de redes interdependentes. Os sentimentos de disputa e de individualismo têm que ser substituídos pelos sentimentos de cooperatividade e coletividade. A continuidade da vida, a coexistência pacífica entre as espécies e o bem estar coletivo são mais importantes do que o poder e a acumulação de capital a qualquer custo. Oxalá que isso ocorra em breve, enquanto a situação é reversível, e não somente no momento em que o homem perceber que não pode nem comer, nem beber nem respirar dinheiro.

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