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Publicado: Sábado, 21 de julho de 2007

A Juventude é a integração para Sociedades

Vivemos numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. As mudanças nas relações e comportamentos da espécie humana tornam-se obrigatórias nos vários sistemas complexos em Gaia, que estando em constante desequilíbrio desconecta as inter-relações entre os ciclos causando inúmeros danos a superfície terrestre. Gaia representa todo o sistema dinâmico capaz de regular e suportar a vida.
 
O nível de produção e consumo nas últimas décadas aumentou consideravelmente a intervenção humana nos ciclos vitais da Gaia, agregando valores insustentáveis reforçados pelos apelos da mídia e mantendo o sistema de produção capitalista onde há a busca incessante de lucro a qualquer custo social, ético ou ambiental. O crescimento indefinido e não suportável da população humana, amparado na globalização mono cultural vertente da América do Norte, constrói um cenário precedente a um colapso sócio-ambiental global.
 
O período pós-bomba atômica serve como estopim para a mudança das concepções dos cientistas e estudiosos em relação a todo modelo de desenvolvimento mecanicista, para uma visão mais sistêmica, ecológica e global.
 
Por que a juventude vem se mobilizando de forma acanhada nesse processo, mesmo percebendo que, no futuro, não terá as mesmas condições básicas para sua sobrevivência? Quais são as mudanças necessárias que possibilitam o envolvimento do jovem na construção de sociedades sustentáveis?
 
A pós-ditadura no Brasil trouxe certo afrouxamento ideológico na juventude das últimas décadas, o efeito da “conquista” de uma sociedade democrática foi entorpecente e o declínio na formação educacional também serviu de apoio a formação de jovens impossibilitados a identificar, analisar e agir de forma coesa nas relações sócio-ambientais.
 
Precisamente no evento “Cúpula da Terra”, que ocorreu em 1992 na cidade do Rio de Janeiro, Chefes de Estado e Organizações da Sociedade Civil assinaram documentos que propõem uma nova forma de visão e atitudes, para uma sociedade mais sustentável. Dentre estes documentos foram assinados o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global e (Dentre estes documentos foi assinada) uma agenda para o século XXI, a Agenda 21, com propostas para a construção de novos padrões de consumo e atividades que levem ao desenvolvimento sustentável. Com isso 179 países assumiram o compromisso de tomarem decisões nas áreas política, social e econômica de forma mais integrada com os sistemas complexos, respeitando o equilíbrio das inter-relações dos processos existentes, visando garantir assim a preservação das macro-estruturas ambientais e continuidade da espécie humana na Terra. A emergência de um movimento ambientalista baseado em valores coletivos, plurais e solidários vem abrir um campo de atuação aos jovens interessados em intervenções sócio-ambientais desde a infância.
 
A evidência da necessidade do envolvimento dos jovens nesta questão torna-se fundamental para facilitar o entendimento de todos quanto à necessidade da mudança de percepções e valores e para uma continuidade de ações eficazes, pois estas mudanças podem se tornar estranhas e incômodas aos adeptos do antigo paradigma utilitarista, ou melhor, destruidor do ambiente.
 
Uma dificuldade inerente da juventude na intervenção em questões sócio-ambientais é a inexperiência em processos de larga escala, ou seja, a falta de efetiva e gerencial participação em processos que necessitam de um grande intervalo de tempo e relações e que é descrito no meio empresarial como know how. Porém para o jovem, faz-se aprendendo ou aprende fazendo.
 
Em uma época de grande importância da informação, as sociedades civis (ou comunidades sociais, de cunho coletivo) vêm se desenvolvendo em inúmeras arestas, ampliando a participação do cidadão e em nível exorbitante do jovem em situações sociais onde é latente a falta de organização social e intelectual para melhor envolvimento, participação e controle das conseqüências de qualquer tomada de decisão. O padrão preferencial e que melhor responde às necessidades de atuação multidimensional, coletiva e descentralizada da sociedade civil é o padrão de rede.
 
Nestas sociedades hipervelozes na troca de informação por meio dos vários instrumentos de comunicação e principalmente com o adensamento do uso da Internet (“INTERaction or INTERconnection between computer NETworks”), a capacidade de aprender se torna o principal instrumento de mobilização e interferência em processos danosos ao nosso sócio-ambiente. Quanto maior for esta capacidade, maior será o potencial de execução de façanhas e alcance de alternativas rumo ao desenvolvimento sustentável.
 
Coletivos de jovens ativos encerram em si um potencial enorme de aprendizagem, permitem que ações locais possam se desenvolver em níveis regionais e nacionais, amparadas em entrelaces globais de reconhecimento mútuo e troca de informação capaz de transformar a prática da realidade direta. Cada qual tem com sua estrutura e foco de atuação, que num processo contínuo de transferência de informações, conhecimentos e força da atuação em massa e coletiva são capazes de incentivar e mobilizar inúmeras ações pró-ambiente, independentemente da capacidade estrutural adquirida, da quantidade de recursos ou dificuldades operacionais para levar a cabo suas demandas locais.
 
Os princípios orientadores deste processo, conhecido como Information Overload, são: descentralização da estrutura de responsabilidade de atuação, minimização de processos burocráticos e entraves na tomada de decisão e necessidade de autonomia aos integrantes da linha de frente: jovens educadores que tem pela frente operosíssimas iniciativas de transformação de um paradigma ainda em atuação.Parafraseando Marshall Berman, este é "um processo de crescimento contínuo, incansável, aberto, ilimitado".
 
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