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Publicado: Terça-feira, 20 de março de 2007

Nasceu a imagem, é uma menina!

Ao contrário do que todo mundo pensa, no princípio era a imagem e não o verbo. A linguagem escrita é apenas uma forma muito sofisticada do uso de pequenos ícones, pequeninas imagens. Mesmo a criação da linguagem oral teve de ser acompanhada por imagens, pois para entender que a palavra “árvore” se referia àquela planta enorme, verde, com flores ou frutos era necessário apontar para a própria. Isso acontece até hoje quando estamos ensinando um idioma aos bebês: apontamos para nós e dizemos “pa-pai”, “ma-mãe” (não no meu caso que não tenho filhos, graças a Deus!).
 
Com o aprimoramento da comunicação humana, as pessoas começaram a filosofar mais profundamente e a registrar isso de alguma forma (nas cavernas, em papiros, depois livros...). Com o tempo, (res)surgiu a necessidade de se pensar com imagens e por isso nasceu a pintura.
 
Como todo ser humano é inquieto por natureza, na década de 1830 inventaram a fotografia. Sem dúvida alguma, ela potencializou a imagem, facilitou infinitamente o acesso e trouxe novas formas de arte e registro histórico. Depois veio a cor, o filme ISSO 400, as câmeras digitais e hoje até celular faz imagens (e em boa resolução, vale lembrar).
 
As máquinas fotográficas são masculinas, não adianta argumentar. Tanto pelo formato fálico quanto pela agressividade que agrega ao ser fotografador (experimenta chegar numa festa portando uma Nikon D50 para ver o que acontece: todo mundo fica de olho em você, com receio de que você atire o flash em direção a elas). A imagem, por outro lado, é uma menina e sempre é uma recém-nascida. Pequena, frágil, bela e atrai a atenção de todos.
 
O fotógrafo Denis Roche disse uma vez que “a fotografia é o advento de mim mesmo como outro”. Quando eu faço uma imagem, estou me projetando naquele objeto fotográfico, ainda que seja algo estranho, tipo um animal ou a Dercy Gonçalves. Me identifico com alguma característica dele (força, agilidade, tranqüilidade) e me renasço, quase reencarno, naquela imagem.
 
Adoro fotografar. É mais que um hobby, profissão ou trabalho acadêmico: é uma paixão, me mantém vivo, em comunicação com o mundo. O ato fotográfico é uma tentativa de transformar o mundo pela linguagem da imagem. Já que os jornais usam tão poucas (e às vezes ruins) imagens no Brasil, então sejamos nós, reles mortais, em nossos blogs e fotologs, os produtores das fotos que questionarão a sociedade.
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