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Publicado: Segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

A importância do sofisma

Vamos concordar que sem sofisma nenhum de nós estaria aqui. Ele gerou guerras, brigas e desencontros que, de certa forma, contribuíram para que a sociedade fosse como é e nossos pais se conhecessem. Biblicamente falando. Sim, porque o sexo não é nada mais a segunda fuga mais violenta da realidade. O primeiro é o suicídio. Para quem se esqueceu, sofisma é aquela frase fora de contexto que, por isso, tem um sentido contrário àquele que seu criador tinha intenção ao criá-la.
 
Por exemplo. Imagina que você passe em frente à porta do quarto de seus pais. Sua mãe fala “mas esta bosta está mole outra vez!”. Você, na ingenuidade de filho que sempre acha que seus pais não transam, imagina que seu velho está com diarréia. Mas o coitado está apenas sofrendo a potência do tempo.
 
Ou se você passa em frente a uma fábrica em que um padre e uma freira criam brinquedos para crianças carentes. Você ouve a frase do padre para a freira: “Irmã, quer que eu ponha a cabecinha?”. E a freira: “Mas o senhor nunca fez isso!”. E o padre ri e diz para a freira relaxar que todo homem pode fazer isso, ele só não faz com mais freqüência porque a sociedade tem preconceito e tudo e tal. Você, mente poluída que é, pensa bobagem. Sendo que o padre apenas queria ajudar a freira a encaixar a cabeça das bonecas que eles dariam para crianças pobrezinhas. Isso é sofisma.
 
Imagine quantas guerras não começaram por causa de um sofisma? Eu diria até que todas elas. Acho até que as frases de Jesus muito provavelmente foram distorcidas aqui e ali. Imagine a cena: Jesus fala alguma frase de efeito, como só Ele mesmo sabia fazer; um homem ouve e conta para um evangelista; o evangelista escreve conforme lembra e escreve como pode; na hora de traduzir, imagine a dificuldade, pois antigamente não se usava impressoras, muito menos Ctrl+C, Ctrl+V. Um monte de frases de Cristo foram comidas e muitas outras foram acrescentadas. Daí um editor resolveu colocar muito sabiamente: “Ai daquele que tirar ou acrescentar alguma de Minhas palavras”. Sacada. Palmas para ele.
 
No caso de Jesus, porém, as frases mantiveram o objetivo-mor – pelo menos a maioria delas – que era falar do Amor de Deus.
 
E assim nossa sociedade continua. E o que é a liberdade de expressão senão a possibilidade de interpretar erroneamente o que o outro diz? A imprensa faz isso todos os dias. Nós também fazemos isso com nossas fofocas e babados. “Eu ouvi dizer...”. Ou pior: “a tia da prima do vizinho do meu irmão disse que...”. O jeito é tirar toda intenção maldosa dessas fofocas e sofismas e liberar de vez. Viva a socialização da notícia! Viva a crônica, o maior dos sofismas da minha vida.
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