Carlos Diego
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Juventude e Meio Ambiente

Cientista Social pela USP, membro da Rede Nacional de Juventude pelo Meio Ambiente, REPEA, Agenda 21, Global Youth Action Network. Professor de EA para crianças, integra a secretaria executiva do programa Vamos Cuidar do Brasil com as Escolas.

Construção da Juventude

Publicado: Segunda-feira, 3 de julho de 2006

Assumir novas propostas, com o coração aberto a bons sentimentos que podem recriar toda a realidade atual de nossas cidades: uma ação de juventudes.

A juventude representa o amplo conjunto social de seres humanos recém englobados pela parcela dominante nas tomadas de decisões sociais, pelo mundo adulto.

O jovem, unidade da juventude, tem seu futuro traçado desde o momento em que nasce: é dependente da quantidade de recursos financeiros de seus pais situando-o no panteão da desigualdade da distribuição de renda.

Depende da preservação de seus essenciais 45L de água por dia como cota mínima do elemento vital. Está à mercê de quantas relações de influência e afinidade necessita para conquistar o primeiro emprego, a definição de sua posição no vestibular, etc.

Situação, momento da vida repleto de ambivalências, é cobrado por emancipação enquanto vivência a subordinação, faz o caminho contrário quando descobre que, revivendo valores que estão na base das construções sociais atuais, recria os atos mais revolucionários e eficazes rumo a uma condição sustentável de vida.

Tais valores não são exemplificados por épocas, séculos ou dados históricos recentes numa reflexão de/para/com juventude. Refletem aspectos da natureza humana, ainda perceptíveis em cada ser. Cooperação, responsabilidade, reflexão e recriação da realidade são atitudes latentes de coletivos, grupos ou movimentos de jovens, de juventude.

Jovem significa ser novo, estar apto a aprender as coisas da vida, aquelas que já estão estabelecidas e as que ainda devem ser reveladas. Inúmeros são os verbos empregados nas descrições do termo juventude, nenhum deles é capaz de conceber em si o ideal de jovem.

Jovem expande, muda o rumo, atina para a realização do impossível. Pensa, repensa, discute e contesta hipóteses, busca provas. Tomadas as devidas precauções, tudo é motivo para levantar a cabeça e seguir em frente, experimentar.

Quando se participa de forma ativa das instituições sociais formais e estruturadas pelo status quo, caracterizado pela garantia plena de direitos e justiça, comemora-se a cidadania, a plenitude do ser social.

A juventude, longe de alcançar esse potencial em sua excelência, representa atualmente aproximadamente 20% da população brasileira. Em 2000 , 67,8% dos jovens vivia em famílias que tinham uma renda per capita menor do que 1 salário mínimo (dentre esses encontramos 12,2% em famílias com renda per capita de até ¼ do salário mínimo).

Vivendo em sua grande maioria no ambiente urbano, deparam-se prioritariamente com problemas como o acesso restrito à educação de qualidade e frágeis condições para a permanência nos sistemas escolares, a inadequação da qualificação para o mundo do trabalho, os envolvimentos com drogas, gravidez precoce, mortes por causas externas (homicídio, trânsito e suicídio) e baixo acesso às atividades de esporte, lazer e cultura.

Apresentam-se assim como a parcela da população mais frágil e sensível a tutela da sociedade, de seus princípios, sonhos e futuro.

Vive em si o paradoxo de ser o olhar do futuro e o reflexo do passado.

O primeiro passo para a caminhada rumo a Sociedades Sustentáveis deve ser dado com jovens ao lado, na frente, por todos os lugares. Somente a juventude é capaz de tornar firme e sustentável qualquer método, prática ou modelo de organização. É a juventude a fonte de maior energia, generosidade e potencial para o engajamento.

A juventude é capaz de escolher seus caminhos, desde que possa escolher livre de cercos e restrições. Jovem quando escolhe jovem sabe o que faz, garante o seu palpite, acredita nas suas bases.

O jovem também ensina, principalmente quando aprende. Na troca de conhecimento se faz a solução completa, complexa. O princípio é simples: jovem educa jovem. Educação permanente e indissociável da relação entre jovens, a todo momento se contam fatos, noticias e informação.

Equilibrada dinamicamente no interior de grupos, coletivos responsáveis e essencialmente na natureza, o olhar atento às percepções e propostas do novo integrado a ciclos naturais de desenvolvimento tem de ultrapassar a fronteira da consulta, da terapia. Deve alcançar ares de fazer junto, deixar fazer sua parte, deixar escolher o que quer fazer.

O processo educacional de construção de novas sociedades requer compreensão da amplitude alcançada pela globalização, o novo, e fortalecimento de estruturas e saberes tácitos, tradicionais, formando assim um complexo sistema de relações justas e igualitárias, conscientes de sua realidade e possibilidades de influenciar o futuro.

É atribuição e responsabilidade de todos os grupos sociais a ampliação de espaços de participação direta e autônoma da juventude. Estes grupos são representados por inúmeras instituições sociais, tais como: a família, a igreja, a empresa, o sindicato, a associação profissional e, é claro, a escola como representação direta do Estado.

Uma proposta de construção de movimentos de juventude deve estar amparada em princípios que respeitem a sustentabilidade dos recursos naturais e a garantia de direitos plenos, para que a juventude possa organizar-se em rede, no respeito aos fluxos e ciclos do convívio coletivo na busca do equilíbrio dinâmico como realidade humana na construção de nossas Sociedades Sustentáveis, integrando a pluralidade humana ao descobrimento que a visão sistêmica nos proporciona ao revelar a teia da vida, buscamos trabalhar e enfrentar diversidades na interdependência e desenvolvimento entre os seres humanos.

Os objetivos primevos das atuações de grupos juvenis garantem a implantação de Políticas Públicas de/para/com a juventude, o fortalecimento da articulação de grupos locais, proporcionando o incentivo, o resgate e a valorização da cultura local educando para a Sustentabilidade Socioambiental.

Coletivos Jovens de todo o mundo, uni-vos!

¹ Censo IBGE 2000.