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Publicado: Domingo, 8 de março de 2015

Sou mulher, não quero migalhas!

Crédito: Álbum de família Sou mulher, não quero migalhas!
Eduque seus filhos para terem companheiras, não serviçais...

Eu sou mulher!

Não quero mais as migalhas que me são oferecidas

Quero tudo que, por direito, desde o princípio, me pertence

Quero minha liberdade de volta! Quero andar pelas ruas pela manhã

À tarde, à noite, ou de madrugada, a qualquer hora, e em qualquer dia

Em todos os dias do ano, e em todos os anos de minha vida

Quero ir e vir, sem ser agredida, sem ser molestada

Sou mulher! Quero respeito! Exijo respeito!

Não quero saber de gracinhas, piadinhas de mal gosto, nem sobre loiras, nem sobre morenas

Nem sobre negras ou mulatas, e muito menos sobre altura, peso, ou forma de ser...

Não quero ser usada como objeto de piadas em facebook, instagram, youtube, ou quetais

Sou mulher! Quero ser respeitada!

Não quero mais migalhas!

Não me fale mais de programas que não funcionam

De proteção que não existe, de atendimento que não atende

Quero ser atendida em meus direitos milenares, a qualquer hora do dia ou da noite

Quero ser mãe, ou não ser...Quero ser esposa, ou não ser...Quero dar ou recusar...

Quero ser livre! Livre para escolher, escolher ir ou ficar, estudar ou não estudar

Quero escolher o tipo de trabalho que vou fazer, quero escolher minha profissão

Quero cair e quero levantar...Não importa!

Não quero ser tratada como idiota, não sou idiota! E muito menos  dondoca

Não quero ser serviçal, e muito menos ser servida.

Faça-me o favor, não me trate como criança. Não sou criança, sou mulher!

Sou mulher menina, mas mulher, mulher mocinha, mas mulher!

O dar e o receber precisam, sempre e sempre, fazer parte da mesma moeda

Que não se tolham meus movimentos, saco!

Sei dirigir, sei cozinhar, sei cuidar de meu espaço, de minha empresa, de minha vida, enfim

E sei, muito bem, cuidar de meus filhos

Cada um cuidou do seu do jeito que quis, eu quero cuidar dos meus, e do meu jeito

Quer ajudar? Deixa que eu te peça!

“Não me dês nada que ao fim, eu não mereça”

Quero errar e acertar, mas, e fundamentalmente, quero ser livre

Livre para tentar, livre para experimentar, para cair e levantar

Quero ter minhas próprias experiências, minhas próprias descobertas

Meus erros e meus acertos, mas quero saber que eu sonhei, eu fiz, e eu conquistei

Não quero deixar dúvidas sobre minhas conquistas

Lembre-se sempre, eu sou mulher! E sou consciente! 

Que não se amarre minhas mãos, que não se sacaneie minhas iniciativas

Não sou inútil! Sou mulher, e sou útil!

Não me sirva sem que te peça, não me dê comida na boca, não sou incapaz...

Sou muito capaz! Sou mulher! Sou mais eu.

Por favor, não me venha com flores em março e agressões em abril

Não me venha com paparico em maio e desrespeito em junho

Conheço meus direitos, e quero respeito. Sou mulher!

Não me venha com férias em julho e serviço triplicado o ano todo

Não me fale de primavera em setembro, de direitos da mulher em outubro

Para depois me tratar como idiota em novembro e dezembro...

A cada janeiro quero um ano novo, novinho em folha

Quero sonhar meus sonhos, meus próprios sonhos, não os de outrem

Quero fazer meus planos e realizar meus sonhos

Caindo, levantando...Mas por minha conta, não apoiada em alguém

Não preciso de muleta!  Não preciso!

Sei andar por minhas pernas, sei usar meus braços e sei usar minha inteligência

Não sou incapaz! Sou mulher!

Quero alguém para andar ao lado, não para me carregar no colo...

E não quero carregar ninguém! O fardo é muito pesado...

Quero dividir as conquistas, falar das flores que encontrei pelo caminho

Do perfume da manhã, das inúmeras auroras que conheci, do raiar do sol na praia

Que, sim, falar de mim, mas só ser ouvida...Não preciso de direção, sei para onde vou

Preciso da mão amiga, do ouvido amigo, do colo sereno, não do colo que amarra, que tolhe

Sou mulher! E sou capaz!

Quero dar e receber na mesma intensidade, nem mais, nem menos, e intensamente...

Quero dançar no mesmo passo, e no mesmo compasso, senão a dança é de um passo só

Não sou serviçal de marido, de filhos, de amigo, namorado ou amante, sou mulher!

Estarei sempre para dividir, não para servir à sacanagem machista...

Não eduque seus filhos para ter uma serviçal, mas uma companheira

E não os eduque para ter uma dondoca, mas uma amiga, uma mulher ao seu lado

E, por favor, por favor, não me eduque para ser serviçal, muito menos para ser servida...

Sou mulher! Sou mais eu!

Deu para entender, ou quer que desenhe?

 

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