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Publicado: Segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O empréstimo do nome

Quem ainda não viu currículos de importantes profissionais, agora regiamente aposentados uns e outros não, a comporem-se esses extensos documentos de inúmeras páginas em diferentes investiduras. Além da escala ascendente de favorecidas carreiras, teriam cursado mil e uma especialidades. 

É usual esse cuidado de figurões munirem-se de vistosa folha de serviços e de realce que, contudo e na prática, às vezes nem seria tão brilhante.

Essa prática arrogante tanto mais é difundida porque, ao lado da vaidade pessoal dos pretensos famosos e especialistas, associações sem conta buscam prestígio ao compor sua diretoria justamente com tais pessoas. E daí seguem da Presidência até os diretores todos. Gente de nomeada.

Gente de nomeada que nunca pisou o chão dessas instituições, afora no dia da eleição, quando inclusive chegam a percorrer os vários cômodos porque sequer conheciam o prédio e suas instalações.

Na condução do dia a dia ficam de fato somente os chefes – esses efetivamente põem e dispõem, competentes ou não. De especial gravidade, quando esses ditos gerentes, com igual frequência, tomam os pés pelas mãos, porque despreparados e desconhecedores de especificações particularíssimas daquele ramo de negócio.

Nesse rol de inadequações, considerem-se os casos de presidentes e diretores que às vezes nem residem nas cidades. Seus nomes, de fachada apenas, avultam à frente desta ou daquela organização. Conduzem (se conduzissem mesmo) à distância. Dessa maneira lhes escapa se seus prepostos agem bem ou mal, conquanto esse cuidado nem se lhes aflore à mente. Não ligam nem procuram saber.

Essa capacidade de se infiltrar na linha de frente de uma diretoria aqui e ali, extremamente difundida, acontece em todos os lugares e dessa anomalia não escapam esta cidade nem outras.

Figurões que veem seus nomes estampados na mídia e chamados nas solenidades à mesa de destaque, quando em verdade são autoridades apenas simbólicas.

São representantes que não representam e que, nem por isso, lhes subiria o rubor à face quando por sua desídia órgãos inatacáveis de outrora definham a olhos vistos.

Um pouco de sensatez e um caminhão de modéstia seriam remédio condizente contra essa praga, de si mesma e por tudo malfazeja.

Remédios, entretanto, que mesmo assim não se aplicam, no caso de certas figurações serem remuneradas.

 

 

 

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