Novos e velhos tempos
Oi
Estive novamente num evento, na semana passada, em Salvador. Interessante que dessa vez o hotel era dito 5 estrelas, tipo resort, cidade sede da Copa das Confederações. Serviço inimaginável: por exemplo, café “coado” estava incluído no preço, expresso não. Suco, refrigerante e água sem gás, sim. Com gás, não. Fui aproveitar o final da tarde para andar, a moça da recepção me recomentou que eu não andasse na rua, a caminho da praia, afinal “Estamos em Salvador”. Embora eu seja moradora de São Paulo, resolvi seguir os conselhos, porque – claro – tinha academia no hotel. Das 5 esteiras, duas estavam quebradas, uma não tinha placa dizendo isso mas também estava. Toda minha competência acumulada em anos de esteira de academia foi necessária para eu conseguir ligá-la. No final, ainda consegui ajudar dois rapazes (de outro evento) que também foram tentar usar. O comentário de um deles: pelo menos, há um bebedor com água não cobrada! E o que é interessante, eu entrei no site do hotel para saber o que me esperava, em termos de infraestrutura. No site, achei um preço (estava pago, mas me interessei) de R$ 285.00 por noite. Quando fui fazer o check-in, a tarifa balcão era de mais de R$ 1000.00.
Mas como se tratava de um evento de gente da saúde, a cada tanto três grandes intelectuais da saúde pública sumiam...não foi difícil descobrir que era para fumar (cigarro). Um deles, o mais velho, tinha estado doente, parado de fumar e depois de um certo tempo, com um exame que acusou possibilidade (depois desmentida) de recidiva, voltou. Disse-me ele que seu médico lhe disse para parar. Seu comentário: “perguntei ao médico quanto tempo a mais (hoje esse meu amigo tem quase 80) parar de fumar me daria. Se fossem dois anos, eu só aceitaria se fosse no meio da vida, no final sou contra.” . Isto posto, voltou a ser um fumante assumido. Esses três têm todos mais de 65 anos. Não sei se os jovens também fumaram. Minha preocupação neste caso específico é que se trata de três pessoas formadoras de opinião. Por outro lado, tampouco é o caso de patrulhar. Quando chegamos no aeroporto, os três puxaram o seu vício. Eu fiquei ali, conversando, embora confesse que não ache o melhor perfume ou aromatizador de ambiente. Outros coleguinhas ficaram se abanando...também não é para tanto!!!
E eu lembrei de um contrassenso que me tinha passada despercebido até outro dia. Quando falo em inovação ou perfeição, há muito tempo, me reporto ao pretinho básico, quase sempre ilustrado pela Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany´s). Na semana passada já tinha colocado a figura na apresentação e estava em plena função quando vi que na imagem clássica a Holly Golightly estava – claro – com uma piteira com um fumegante cigarro. Afinal, uma das frases icônicas da personagem é que ela está(va) tão apaixonada por um cara que – se ele pedisse – ela até pararia de fumar...O filme é do começo dos anos 1960, salvo engano, e nessa época isso era chique! Mas hoje, embora numa festa a fantasia de uns 5 anos atrás a mais frequente entre as mulheres (inclusive foi a minha) fosse essa, da Holly, acho que ninguém lembrou da piteira. Acabei de lembrar da música tema, Moon River...realmente coisa antiga. Linda, mas antiga.
Eu conheço jovens que fumam, eu conheço velhos que fumam. Mas vícios não faltam, mesmo de coisas consideradas lícitas. No mundo há alcoólatras, há chocólatras, mas há também vigoréxicos (as pessoas obcecadas pelo corpo perfeito), que não se limitam a malhar em excesso e a fazer dieta. Acabam tomando aqueles suplementos alimentares que são tóxicos para tanta coisa...o pior, é que em nome da saúde! Será que jogadores de futebol tomam essas coisas?
Essa ida a Salvador ainda foi uma possibilidade de rever pessoas queridas. O único problema desse tipo de encontro é que não conseguimos fugir da passagem inexorável do tempo (um belo livro se chama a passagem cruel do tempo). É impossível que eu seja a única que não parece mais velha. Acho que vou ter que acabar aceitando. A parte de usar a meu favor ainda vai demorar. Atualmente, acabei de perder a batalha para a maquilagem. O rosto de fato muda depois de algumas demãos de tinta.
Um dos colegas, o fumante mais idoso, embora mantenha o raciocínio jovem e desimpedido, de fato tem a aparência de um senhor entrado em anos. No aeroporto éramos cinco pessoas a uma mesa, ele estava sentado, parado...uma faxineira chegou perto de nossa mesa e começou a sorrir. Encantada. Com o velhinho... Seu primeiro comentário foi: “Ele é tão bonitinho.”. Eu costumo perceber que, assim como em hospitais, quando alguém se depara com um idoso, passa a se comportar como se ele não estivesse presente ou não fosse capaz de compreender. Seguiu o comentário “ele parece tão alegrinho”. Ainda bem que meu amigo é um homem educado e muito bem humorado, sorria simpaticamente, como se de fato ele não estivesse em condições de compreender o que fosse.
Para terminar, recebi uma mensagem na semana que passou que eu não consegui qualificar quanto a se era de otimismo ou de pessimismo: A terceira idade pode não ser grande coisa, mas é necessário aproveitá-la, porque é a última. (por mais que eu declare que do jeito que anda a medicina a sexta idade está próxima, por enquanto isso ainda não é fato!)
Beijos, no próxima nosso inverno já terá começado e a Copa das Confederações terá mostrado mais um pouco sobre nossa infra!