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Ciência e Meio Ambiente
Biólogo especializado em Ecologia de Florestas Tropicais e Jornalista Científico.
Rio+20 - Fracasso ou Sucesso?
Publicado: Quinta-feira, 28 de junho de 2012
| Von Matter |
| Jovens reunidos no último dia da Cúpula dos Povos, evento paralelo a Rio+20. |
Mas afinal de contas, podemos dizer que a Rio+20 foi um fracasso ou um sucesso?
Infelizmente a Conferência da Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, fracassou totalmente em seu maior objetivo, o de elaborar um documento com peso de lei internacional para ser implementado de forma urgente em todos os países do mundo.
Segundo analistas, o documento final da ONU que deveria apontar os limites e caminhos para o desenvolvimento sustentável, além da origem dos fundos que seriam utilizados em projetos relacionados a sustentabilidade e na compensação de danos causados ao meio ambiente não passa de um amontoado de declarações aprovado as pressas e sob forte pressão do governo brasileiro não chegando nem próximo ao seu objetivo inicial.
Um dos maiores opositores ao que considerou de fracasso total, o diretor-executivo do Greenpeace Brasil, Marcelo Furtado, afirmou que o documento não apresenta nenhuma meta, apenas termos burocráticos. "Tudo o que defendíamos sobre metas, números e compromissos desapareceram. A única coisa que temos hoje é uma promessa de um processo, que poderá ser desenvolvido até 2015".
Diversos cientistas políticos apontam que o Rascunho Zero (documento final da conferência), cuja elaboração foi liderada pelo embaixador brasileiro Luís Alberto Figueiredo, servirá agora apenas como bandeira para marketing eleitoral de alguns países envolvidos em sua elaboração incluindo o Brasil. Muitos já sugerem que o objetivo real da enorme pressão dos embaixadores brasileiros na ONU para a rápida aprovação de um documento "vazio" seria o de construir um álibi para o atual governo brasileiro que pretende sob a falsa bandeira do desenvolvimento sustentável instalar no meio da Amazônia um pólo de mineração, projeto que já deu os primeiros passos com as alterações no código florestal e a obra para a construção da hidrelétrica em Belo Monte.
É um triste resultado para uma conferência que tinha como objetivo aliar a preservação ambiental ao desenvolvimento e a inclusão social, e assim mais uma vez governantes mundiais reunidos na ONU abstêm-se da responsabilidade de zelar pelo meio ambiente.
Mas e o que fica de bom da Rio+20?
Felizmente a Conferência da ONU reuniu paralelamente a elaboração do documento final, nada menos que milhares de iniciativas como a Cúpula dos Povos que ocorreu no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, visando conciliar Justiça Social e Ambiental e propor uma nova forma de se viver no planeta, em solidariedade, contra a mercantilização da natureza e em defesa dos bens comuns.
Durante nove dias (13 a 22 de Junho), inúmeros eventos foram realizados no período que antecedeu e durante a Rio +20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, em todo Rio de Janeiro, incluindo mais de 500 oficiais e eventos paralelos no Centro de Convenções Riocentro onde a conferência foi realizada. Em números a Rio +20 foi a maior conferência da ONU já realizada, com ampla participação de líderes de empresas, governos e sociedade civil, assim como, oficiais da ONU, acadêmicos, jornalistas e o público em geral.
Centenas de parcerias e iniciativas surgiram como resultado da participação de mais de 10.000 ONGs em eventos paralelos, gerando 692 acordos voluntários para o desenvolvimento sustentável registrados por governos, empresas, grupos da sociedade civil, universidades e outros.
O encerramento da Cúpula dos Povos, reuniu 350 mil pessoas, entre 15 e 23 de junho, incluindo as 80 mil da Marcha dos Povos. Os dados são do Comitê Facilitador da Sociedade Civil, organizador do evento.
Além do envolvimento do público que frequentou os espaços abertos da Rio+20, apenas na Cúpula dos Povos foram cerca de 15.000 pessoas por dia com a participação de representantes de 183 países. Nos dez dias da conferência, palestras, jogos interativos, debates e exposições aproximaram a população do tema sustentabilidade, disseminando o vírus da “cidadania ecológica”.
Segundo análise do ex-ministro Celso Lafer, presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa de São Paulo, o que ficou de bom da Rio+20 é exatamente esta atmosfera, e será ela que poderá estimular no futuro, a tomada de medidas concretas para a sustentabilidade global.
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