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Visão de Mundo
Jornalista, professor e radialista. Escreve artigos e crônicas desde 1996. É membro da Academia Ituana de Letras desde 2011 e presta assessorias em diversos projetos das áreas da Comunicação, da Educação e da Cultura. É articulista do Itu.com.br desde 2005
A nova Praça - Parte 2
Publicado: Quinta-feira, 28 de junho de 2012
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(CONTINUAÇÃO) ...o humorista Borges de Barros representava o “Caro Colega”, um mendigo que dizia ser amigo de presidentes, artistas e personalidades mundiais; tinha também Rony Cócegas e o seu “Cocada”, cuja gravata vivia se manifestando, para cima, quando chegava perto de mulheres; sem contar o personagem maluco de Clayton Silva, que entrava em cena puxando uma caixinha de fósforos amarrada num barbante e cujo bordão era: “Tô de olho no senhor”.
Os personagens de Simplício continuaram fazendo sucesso na nova versão da “Praça”. O velho personagem “Ozório”, apelidado de “o Homem de Itu”, passou a ser conhecido somente como “O Caipira”. Ele atuava também como o personagem “Rosalvo”, chamado de “Garoto”, cujo estridente bordão era “Ô hóme!”. Através desse personagem Simplício divulgava o Ituano Futebol Clube, já que o figurino de Rosalvo era composto por um boné, uma bermuda e a camisa do time de Itu.
Quem acompanhou “A Praça É Nossa” conseguiu ver os grandes humoristas de sempre, aqueles que faziam humor desde os primórdios da televisão. Artistas como “Canarinho”, negro e baixote, no quadro em que deixa o valentão Carlos Koppa maluco, distorcendo suas falas ao berrar de um telefone público; Ronald Golias com seus personagens, entre eles o “Professor Bartolomeu Guimarães” e “Pacífico”. Surgiram também quadros novos com a doméstica“Filó”, o “Jeca Gay” e o “Deputado João Plenário”, além das apresentações do palhaço Tiririca.
Desde os primeiros programas no SBT, a “Praça” brinca com o duplo-sentido de conotação sexual. Os personagens de Teobaldo (Guarda Juju) e de Jorge Lafond (Vera Verão) representavam bem isso. Osvaldo Loureiro, com seu “Zé Bonitinho”, cumpre ainda essa função. Para alguns humoristas e especialistas do humor, esse tipo de piada não tem graça nenhuma.
O humorista Jose Vasconcellos, com 70 anos de carreira, ficou mais conhecido do público atual como o gago “Rui Barbosa Sa...silva” e seu bordão “Ih! Esqueci!”. Falecido em 2011, ele foi um dos que não concordavam com o tipo de humor apresentado na era moderna da televisão. “O que se está fazendo é uma apelação desgraçada, usando e abusando das palavras obscenas, dos ditos pornográficos”, reclamava. “Perdeu-se aquela beleza, aquela sutileza, aquela graça que vinha da simplicidade”.
O humorista Clayton Silva, com 47 anos de carreira humorística, tem a mesma opinião de Vasconcellos. “Sinceramente, não gosto do humor feito nos últimos anos. Um humor em que para fazer graça é preciso ofender, colocando as pessoas em situações ridículas, chamando o sujeito de corno, falando palavrões e fazendo humor escatológico”. Para ele, isso tem uma explicação. “Muito do que não era permitido antigamente, hoje é permissível”.
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