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Visão de Mundo
Jornalista, professor e radialista. Escreve artigos e crônicas desde 1996. É membro da Academia Ituana de Letras desde 2011 e presta assessorias em diversos projetos das áreas da Comunicação, da Educação e da Cultura. É articulista do Itu.com.br desde 2005
A nova Praça - Parte 1
Publicado: Quinta-feira, 21 de junho de 2012
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Na década de 1980 “A Praça da Alegria” estava extinta. Depois da morte de Manoel de Nóbrega, o nome do programa teve seus direitos vendidos para a Rede Globo e chegou a formar um dos quadros do humorístico “Chico City”. O produtor Augusto César Vanucci trabalhava na TV Bandeirantes quando encontrou por acaso com Carlos Alberto, filho de Manoel, que na época era redator de “Os Trapalhões”.
Vanucci começou a contar que havia sonhado com o velho Manoel. Na visão, Nóbrega dizia desejar intensamente que seu filho recriasse a“Praça da Alegria”. Depois de contar o sonho, Vanucci fez uma proposta para o herdeiro da “Praça”: queria levar o programa para a TV Bandeirantes. Carlos Alberto aceitou na hora. Foi para São Paulo e chegou a gravar quatro programas com o nome de “Praça Brasil”. Mas, apesar do bom salário e das acomodações cinco estrelas proporcionadas pela emissora, ficou descontente com os míseros cachês pagos ao elenco.
Essa situação deixou o novo dono do banco da “Praça” extremamente infeliz. Carlos Alberto mostrava-se cada vez mais triste e abatido. Até que o “homem do Baú”, sabendo de tudo, ligou para ele em seu apartamento, no Rio de Janeiro:
- Você vem para São Paulo amanhã e não gravará mais nenhum programa na Bandeirantes - ordenou Sílvio Santos.
Nóbrega teve medo de quebrar o contrato com a emissora, mas a proposta de Sílvio foi tornando-se cada vez mais irrecusável. Caso mudasse para o SBT, Carlos Alberto teria a garantia de um bom salário para si e o elenco, três câmeras e uma ilha de edição para sua produtora de comerciais no Rio.
É lógico que ele aceitou. E Sílvio conseguiu retribuir, assim, todo o apoio que havia recebido de Manoel de Nóbrega no início do “Baú da Felicidade”. Na ocasião, o “Homem Sorriso” explicou a Carlos Alberto o motivo de tanta gratidão: queria que o filho ocupasse, na televisão brasileira, o lugar vazio desde a morte do pai.
Surgiu então o humorístico “A Praça É Nossa”, que foi ao ar pela primeira vez em maio de 1987, no SBT. Desde então mantém essa fórmula: a mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores e o mesmo jardim. “A essência é a mesma” declarou Carlos Alberto ao jornal Diário Popular de 05 de fevereiro de 1998. “Sempre quis fazer algo simples, longe da sofisticação da Globo”.
O programa fez a fama de vários personagens: A “Velha Surda”, interpretada por Rony Rios em dupla com Vianna Júnior, sempre ouvia tudo errado, distorcendo os fatos e criando as mais absurdas estórias; o “Homem do Bumbo”, vivido pelo humorista Lilico, cantava seu bordão “tempo bom, não volta mais”, brincando com a pobreza e as injustiças sociais brasileiras;... (CONTINUA).
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